05.09.2010 | 11h58


POLÍCIA

Asfalto usado em Cuiabá é inadequado, revela estudo



CAROLINA HOLLAND
DIÁRIO DE CUIABÁ

O asfalto de Cuiabá deixa a desejar. Pelas ruas e avenidas da Capital é fácil encontrar buracos, rachaduras e "remendos" na pavimentação. Estudos apontam que o material usado para asfaltar a Capital não é adequado para o forte calor, frequentemente acima dos 35ºC. No entanto, esse não é o único fator causador do problema. Outros, como falta de drenagem e manutenção, também fazem diferença.

A professora doutora Marilda Serra Ávalos, do Departamento de Engenharia Civil da Universidade Federal de Mato Grosso, estuda o assunto há cerca de 30 anos e, para ela, o fator principal para a baixa qualidade do asfalto de Cuiabá é o tipo do cimento asfáltico de petróleo (CAP) utilizado nas ruas.

"Para Cuiabá, o CAP ideal é o 30/45, mas o mais utilizado é o 50/70. No entanto, esse tipo não é adequado para o nosso clima", diz a professora. "O CAP 30/45 é, de forma simplificada, um asfalto com índice de penetração muito baixo. Deforma menos com altas temperaturas, é um asfalto mais rígido, por isso é o mais adequado".

A professora acrescentou que as condições climáticas de cada região devem ser levadas em conta na hora de escolher o material que será utilizado para a pavimentação. "O material utilizado aqui não pode ser usado em uma cidade que fica no Rio Grande do Sul. A escolha tem que ser feita de forma cuidadosa e adequada para cada cidade".

A engenheira civil Marciane Curvo, superintendente de Vias Urbanas e Saneamento da Secretaria Estadual de Infraestrutura (Sinfra), confirma que o asfalto mais utilizado em Cuiabá é o CAP 50/70. "É mais utilizado por causa do custo, que é mais em conta do que os outros", justificou. No entanto, segundo ela, o tipo é apropriado para a temperatura de Cuiabá e aguentaria até mesmo temperaturas maiores. Para ela, o maior problema do asfalto da cidade é a falta de drenagem nas ruas e avenidas. "Não há pavimentação asfáltica que resista à falta de drenagem. Se não houver escoamento e drenagem profunda, não faz diferença qual asfalto usar", disse a engenheira.

A falta de drenagem é a principal causa do excesso de buracos no bairro Jardim Itália, segundo a professora doutora Marilda Ávalos. "Resolveram fazer asfalto em cima de uma nascente de água. É claro que vai haver infiltração e é claro que o líquido vai ‘descolar' o asfalto pouco a pouco", explicou.

Para ela, os três principais itens a serem obedecidos para que a pavimentação não se torne um problema caro e difícil de resolver, são bom projeto, boa execução do projeto e fiscalização constante das ruas e avenidas. Conforme as especialistas citadas , no caso de Cuiabá, em que o projeto e a execução dele já foram feitos, o que resta é a fiscalização, que possibilitaria a manutenção. "O asfalto tem durabilidade de cinco anos. Se cada rachadura fosse ‘colada' quando estivesse no começo, seria bem mais fácil. O problema é que todo mundo quer resolver quando o buraco já está formado".

A doutora Marilda Ávalos também avalia que a manutenção pode ajudar a resolver o problema. "Se o asfalto fosse mais cuidado, com fiscalização constante, não teríamos buracos e nem as ondulações causadas pelos tapa-buracos. Só falta um pouco de boa vontade do poder público", concluiu.

Por dois dias, a reportagem tentou falar com o secretário municipal de Infraestrutura, Euclides dos Santos, sobre o trabalho de drenagem na cidade, mas não obteve sucesso.

PREJUÍZO - A suspensão dos carros, cuja função é oferecer estabilidade na direção com bom controle dos veículos, garantindo o conforto dos passageiros, é uma das vítimas dos buracos e demais problemas do asfalto em Cuiabá. A vida útil da suspensão de um veículo chega a diminuir pela metade, trazendo prejuízos financeiros e causando transtornos para os motoristas bem antes do previsto.

"Os buracos causam desgaste nos pneus, empeno de rodas, prejudica o amortecedor. Problemas que só aconteceriam depois de 40 mil Km rodados, surgem com 15, 20 mil km", afirma Ângelo Zanata, de uma empresa que conserta suspensão na Capital.

Dos mais de 300 carros que passam por outra empresa do Ramão todos os meses, a maioria apresenta problemas ocasionados pelos buracos no asfalto. "As rodas chegam amassadas, os pneus furados e, às vezes, até rasgados porque o motorista caiu em algum buraco", disse o mecânico Marcioney Garcia.











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