04.06.2019 | 16h10


O COMENDADOR

‘Arcanjo não é imbecil, nem idiota’, diz advogado sobre prisão na Operação Mantus

Conforme Zaid Arbid, João Arcanjo Ribeiro foi preso sem provas de que tenha voltado a comandar o jogo do bicho no Estado.


DA REDAÇÃO

O advogado Zaid Arbid, que faz a defesa de João Arcanjo Ribeiro, rebate as investigações da Polícia Civil e alega que seu cliente seria imbecil se tivesse continuado a comandar o jogo do bicho em Mato Grosso, conforme apontou a  Operação Mantus, que também prendeu o genro de Arcanjo, Giovanni Zem Rodrigues e o empresário Frederico Müller Coutinho, apontado como rival nas operações de jogos de azar no Estado.

“Ele não é nenhum imbecil, nem um idiota. João Arcanjo Ribeiro não iria voar para trás. Ele tem um propósito que é voar para frente, para a liberdade dele”, alegou o advogado.

As declarações de Zaid foram feitas à imprensa na tarde desta terça-feira (04), na sede da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO). Nesta tarde estão depondo Gioavanni e outros presos na operação.

“Ele não é nenhum imbecil, nem um idiota. João Arcanjo Ribeiro não iria voar para trás. Ele tem um propósito que é voar para frente, para a liberdade dele”, alegou o advogado.

Segundo o advogado, após quase quinze anos preso, Arcanjo não voltaria a cometer os mesmos crimes pelo qual foi condenado um dia. Ele afirma que a investigação está equivocada e irá comprovar isso. 

“Os fatos serão revelados e investigados da melhor forma e eu creio que a verdade irá aparecer e essa verdade vai eclodir as acusações que pesam contra João Arcanjo Ribeiro. A investigação deveria perceber uma coisa, nem tudo é verdade e nem tudo é mentira. Eles não são donos da verdade. Será que ele [Arcanjo] é mais instrumento do processo? Mais uma peça de brinquedo por ser João Arcanjo Ribeiro?”, declara Zaid.

O advogado ainda explicou que está juntando documentos que provarão que Arcanjo não está mais envolvido em esquemas ilícitos.

"A investigação deveria perceber uma coisa, nem tudo é verdade e nem tudo é mentira. Eles não são donos da verdade. Será que ele [Arcanjo] é mais instrumento do processo? Mais uma peça de brinquedo por ser João Arcanjo Ribeiro?”, declara Zaid.

Operação Mantus

A operação cumpriu 63 mandados judiciais, sendo 33 de prisão preventiva e 30 de busca e apreensão domiciliar. As investigações iniciaram em agosto de 2017, conseguindo descortinar duas organizações criminosas que comandam o jogo do bicho no Estado de Mato Grosso, e que movimentaram em um ano, apenas em contas bancárias, mais de R$ 20 milhões. Uma das organizações, conforme a polícia, é liderada por João Arcanjo Ribeiro e seu genro Giovanni Zem Rodrigues, já a outra é liderada por Frederico Muller Coutinho.

O comendador

João Arcanjo Ribeiro, conhecido como “comendador”, é acusado de liderar o crime organizado em Mato Grosso, nas décadas de 80 e 90, sendo o maior “bicheiro” do Estado, além de estar envolvido com a sonegação de milhares de Reais em impostos, entre outros crimes.

No ano de 2002, Arcanjo foi alvo da operação da Polícia Federal, Arca de Noé, em que teve o mandado de prisão preventiva expedido pelos crimes de contravenção penal, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e homicídio. A prisão do bicheiro foi cumprida em abril de 2003 no Uruguai. Arcanjo conseguiu a progressão de pena do regime fechado para o semiaberto em fevereiro de 2018, após 15 anos preso.

O comendador II

O empresário Frederico Müller Coutinho é um dos delatores da Operação Sodoma, que investigou fraudes que resultaram na prisão do ex-governador Silval Barbosa. Müller trocava cheques no esquema e chegou a passar dinheiro para o então braço direito do ex-governador. Os cheques teriam sido emitidos como parte de um suposto acordo de pagamento de propina ao grupo político do ex-governador.











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