alexametrics
25.06.2010 | 20h30


POLÍCIA

Amigos e familiares de médico acusado descartam crime passional



MAYARA MICHELS
DA REDAÇÃO

Familiares e amigos do ginecologista Afrânio Maia de Almeida, 33, não acreditam que ele tenha matado a própria filha, Maria Clara Maia, 6. A menina foi morta com um tiro, na madrugada desta quinta-feira (24), na casa da mãe, Luciane Conceição Ferrasoni, 28, no Condomínio Vilas Boas, no bairro Ribeirão do Lipa, em Cuiabá.

As primeiras investigações da Polícia Civil indicam que o médico foi o autor do crime; ele teria atirado na ex-mulher e, em seguida, se suicidado. O crime, conforme a Delegacia de Homicício e Proteção à Pessoa (DHPP), teria motivação passional. Apesar disso, familiares e amigos não disseram se suspeitam que outra pessoa possa ter atirado na menina.

"Uma coisa é certa: ele não matou. A vida dele era a filha, tudo que ele fazia era pensando no futuro da filha dele. Não foi ele quem a matou. Esperamos pelo fim das investigações e que Justiça seja feita", afirmou uma tia de Afrânio, que preferiu não ser identificada, durante velório, na Funerária Santa Rita, na tarde de hoje.

De acordo com amigos que trabalhavam com Afrânio, no Posto Médico de Guarnições do Exército, na Capital, ele sempre foi um ótimo profissional e ninguém acredita que ele chegaria ao ponto de matar a própria filha.

"A filha era tudo para ele"

"Maria Clara era tudo pra ele. Nunca o vimos nervoso, ele nunca se exaltava, era sempre paciente com todos. Nunca vimos ele reclamar da vida. Pelo contrário, estava sempre feliz com a vida. E a filha era tudo pra ele. A única filha, ele fazia de tudo por causa dela", disse um médico que presta serviços ao Exército.

Para o médico Paulo Albuquerque, que já fez plantão com Afrânio no Samu, é impossível acreditar que o amigo tenha matado a filha. "Nesta semana, ele pegou dois plantões seguidos para poder ir à festa junina da garota. Encontrei com ele na festa, com Luciane e a filha. Era uma família que se divertia e brincava com a criança. Acredito até que eles estariam se reconciliando ", afirmou Albuquerque. Segundo ele, apesar de trabalhar muito, Afrânio nunca deixava de estar presente em casa e, principalmente, com a filha.

"O doutor Afrânio não faria isso. Ele não tinha coragem de matar uma barata.  Ele tinha muito medo de morrer", disse uma técnica de enfermagem, companheira de plantão de Afrânio e que não quis se identificar.

"Vamos aguardar a Justiça. Realmente, não acreditamos que foi ele quem matou a filha, da qual ele tanto falava. No mês passado, durante um plantão, ele até chegou a comentar que estava pensando em comprar um apartamento para a filha, mesmo ela ainda sendo criança. Tudo pra ele era a menina, ele só tinha ela", completou a enfermeira.

O ginecologista Afrânio Maia de Almeida trabalhava no Posto Médico de Guarnições do Exército e nos hospitais São Matheus e Santa Helena e, duas vezes na semana, fazia plantão no Samu.

Inconformado

Osvaldo Ferrasoni, avô materno de Maria Clara, se revelou inconformado com a tragédia, durante velório, na Funerária Dom Bosco. "É muito difícil de acreditar. Mas, temos que tentar aceitar porque, como todos sabem, colocamos o filho no mundo e ele é da vida, não é nosso. Só Deus para saber o destino de cada um de nós", disse o avô de Maria Clara.

"Eu não estava sabendo que ela estava namorando. Pra mim, Afrânio e minha filha [Luciane] ainda estavam juntos. No mês passado, ele deu um carro zero e uma TV LCD de 50 polegadas para a minha filha. É tão difícil de acreditar nesse final da minha neta", afirmou Osvaldo Ferrasoni.

Luciane Conceição Ferrasoni passou por duas cirurgias na manhã de hoje e está se recuperando bem, segundo boletim médico. Segundo o pai, ela não corre risco de ficar com seqüelas.

Mesmo ainda debilitada, Luciane passou a tarde ao lado do corpo da filha, em uma cadeira de rodas, acompanhada por dois médicos do Pronto-Socorro de Cuiabá. Ela faz faculdade de Direito na Universidade de Cuiabá (Unic).

O delegado Antônio Esperândio da Delegacia de Homicídios e Proteção a Pessoa (DHPP), investiga o caso.

A tragédia

O crime conteceu na madrugada desta quinta-feira. De acordo com as informações da Delegacia de Homicídios e Proteção a Pessoa (DHPP), Afrânio matou Maria Clara com um tiro na cabeça, por volta das 2h, na casa da família.

O médico, segundo a Polícia, também atirou contra a ex-esposa, atingindo-a numa perna.

De acordo com as informações da DHPP, Afrânio, que estava separado há um ano, chegou na residência da ex-mulher ontem, por volta das 20h, e constatou que o atual namorado dela, Wilker Fernandes de Melo estava na residência. Ele teria saído transtornado com a situação e ido à sua casa, onde pegou a arma utilizada no crime.

Em depoimento à Polícia, Wilker contou que Afrânio entrou no quarto da filha, que estava dormindo, e atirou na cabeça da criança. Ela não resistiu e morreu na hora. Luciene foi para cima da filha, tentando protegê-la e foi atingida com dois tiros na perna. Afrânio atirou em sua própria cabeça, vindo a morrer no Pronto-Socorro de Cuiabá.

 

 











COMENTÁRIOS

Preencha o formulário e seja o primeiro a comentar esta notícia

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do Repórter MT. Clique aqui para denunciar um comentário.

TV REPÓRTER

INFORME PUBLICITÁRIO

Bebe Prime