17.11.2010 | 11h03


POLÍCIA

Abandonados, moradores do Santa Amália convivem com lixo e buracos

"Eu não vou pagar R$300,00 de IPTU para morar num lugar indecente desses; meu carro vive desalinhado. A gente só tem despesa aqui e o que os políticos querem é meter a mão no nosso bolso”, diz moradora.


ANDRÉ MICHELLS
DA REDAÇÃO

Os moradores do Bairro Santa Amália estão vivendo em completo abandono pela prefeitura da Capital. O local, que já foi considerado bom para morar pela boa infraestrutura, hoje vive quadro completamente inverso. Há pouco mais de um ano, a prefeitura iniciou obras do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) no bairro, que previa instalação de rede de esgotos e uma lagoa de decantação.

A empreiteira contratada começou os “trabalhos”, mas não terminou. Segundo os moradores, as máquinas quebraram o asfalto, que era bom, colocaram alguns tubos, mas não fizeram as ligações e simplesmente jogaram terra por cima, deixando o asfalto quebrado e as ruas cobertas de terra.

As obras do PAC em Cuiabá foram paralisadas por suspeita de irregularidades e, até hoje ainda não há uma solução definitiva. A prefeitura, através da coordenadoria do PAC prometeu finalizar as obras até o final de julho passado, mas até agora, os moradores ainda convivem com o transtorno, com lixo, poeira (na seca), lama (na chuva) e buracos. Os moradores se sentem traídos e abandonados pelo poder público.

“É uma dificuldade para passar de carro, tem muito buraco, um desastre total; nunca veio alguém da prefeitura. Moro aqui há 10 anos e me sinto refém da situação”, diz o aposentado João Batista (62).

A servidora do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, Nair da Costa Galindo, que em casa da rua Gavião Real, classifica a situação como insuportável. Ela conta que há dia que não da pra entrar na garagem e que, quando chove vira brejo e quando é estação seca, a poeira horrível. Ela disse que homens da prefeitura já estiveram no local, mas não fizeram nada. “Eu organizei um abaixo assinado há cinco meses narrando a situação aqui, e protocolei na prefeitura, mas até hoje não nos deram satisfação alguma. Havia asfalto bom aqui, eles vieram, quebraram tudo e não arrumaram e nem sequer nos deram uma satisfação”, revolta-se. Nair mostra o documento protocolado na prefeitura, assinado por dezenas de moradores, mas que ainda não trouxe resultado efetivo. Ela revolta-se mais ainda quando o assunto é IPTU.

“O meu este ano veio dobrado e eu, em protesto, não paguei e não vou pagar mais até que o problema seja resolvido; sempre paguei em dia, quando comprei a casa havia 10 anos em atraso e eu quitei tudo, mas agora, me revolto só de ver o carnê. Eu não vou pagar R$300,00 de IPTU para morar num lugar indecente desses; meu carro vive desalinhado. A gente só tem despesa aqui e o que os políticos querem é meter a mão no nosso bolso”, desabafa.

Paulo Cunha Andrade, de 48 anos, diz que se sente lesado. “Além dos problemas com buracos, poeira e agora com a lama, ainda temos que conviver com o lixo que se acumula. A gente paga e não tem retorno de nada e isso é revoltante; o lixo fica varias semanas e o caminhão não passa. Nossa rotina é lixo, poeira, entulho e buraco. Não acredito que vão resolver isso tão cedo”, diz desanimado.

Outro que se diz descrente com a situação é o músico Eli Nogueira (56), que mora no bairro desde 1985. “Fui um dos fundadores do bairro e me sinto impotente. A gente fala com os políticos, mas eles ignoram. Aqui mora uma ex-vereadora e ex-deputada, mas nunca fez nada pra resolver isso, quando estava lá. Eu não tenho esperança que isso mude”. O músico disse ainda que, se encontrasse com o prefeito Chico Galindo, pediria para ele visitar as pessoas e olhar os bairros. “Sei que a culpa não é dele, pois já pegou a coisa mal feita de outro, mas gostaria que ele viesse aqui, porque não da pra contar com vereador. Na Câmara só tem bate-boca e roubalheira”, critica.

Já o engenheiro João Bigattão (52) reclama dos prejuízos com o carro e dos perigos que os buracos representam. “Já troquei duas vezes o escapamento este ano e vou ter que trocar de novo, porque bate nos buracos e quebra, além disso, aqui tem boca de lobo aberta onde já caíram crianças e idosos”, alertou.

A funcionária pública Enir Vasconcelos (60) conta que as empresas quebraram o asfalto para colocar a rede de esgoto na rua dela, mas não fizeram a ligação. O resultado foi que a rua teve que ser aberta novamente, para a 2ª etapa da obra. "Minha casa fica fechada o dia inteiro e está imunda, fico até com vergonha quando vem uma visita", diz.

Os moradores também reclamam que ruas dos bairros próximos, como Jardim Araçá e Flanboyant, onde moram “autoridades”, foram totalmente recuperadas com asfalto de qualidade, enquanto que, no bairro, nem mesmo a lama asfáltica foi passada. Em fevereiro deste ano a coordenação do PAC em Cuiabá informou que as obras estariam concluídas até o final de julho. O prazo já se esgotou há 100 dias e, até agora, pouco foi feito.


Confira fotos do local na galeria abaixo











COMENTÁRIOS

Preencha o formulário e seja o primeiro a comentar esta notícia

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do Repórter MT. Clique aqui para denunciar um comentário.

TV REPÓRTER

INFORME PUBLICITÁRIO