22.05.2017 | 09h20


DELAÇÃO DA JBS

Trimec e empresa de Nadaf 'esquentaram' notas de propina a Silval

Os pagamentos foram feitos entre os anos de 2011, 2012 e 2013, para garantir os incentivos fiscais concedidos ao grupo JBS pelo ex-governador Silval Barbosa.


DA REDAÇÃO

Em sua delação à Procuradoria-Geral da República, o dono da JBS, Wesley Batista, contou que empresas como a Trimec Construções e Terraplanagem e a NBC Consultoria eram as responsáveis por “esquentar” as notas fiscais referentes ao pagamento de propina ao ex-governador Silval Barbosa (PMDB).

Os pagamentos foram feitos entre os anos de 2011, 2012 e 2013, para garantir os incentivos fiscais concedidos ao grupo pelo ex-governador. Além das duas, uma empresa, com sede em Rondônia, também emitiu notas frias.

“Eu lembro de uma de cabeça, Trimec, que emitiu nota fria, que eu acho que é uma construtora no Estado. Teve uma empresa de Rondônia, que o próprio governador me entregou a nota fiscal fria desta empresa, que nós pagamos. Eu não me recordo o nome dela", contou Wesley.

A empresa NBC Consultoria era de propriedade do ex-secretário de Indústria e Comércio, Pedro Nadaf, e teria sido utilizada mais de uma vez para justificar pagamentos indevidos aos ex-gestores pela JBS. Uma das notas supostamente emitidas tinha valor de R$ 200 mil.

“Eu lembro de uma de cabeça, Trimec, que emitiu nota fria, que eu acho que é uma construtora no Estado. Teve uma empresa de Rondônia, que o próprio governador me entregou a nota fiscal fria desta empresa, que nós pagamos. Eu não me recordo o nome dela", contou Wesley.

Wesley Batista ainda relatou que os pagamentos eram realizados todos os meses, ao valor aproximado de R$ 800 mil.

“Tinha que ser, para chegar aos R$ 10 milhões ao ano. O Nadaf levava a lista com os pagamentos que tinham que ser feitos a doleiros, indicados por ele”, explicou o dono da JBS.

Segundo o delator, quem recebia a ordem de emitir os pagamentos da propina era um diretor da JBS e também delator, Demilton Antônio de Castro.

“O Demilton, que é um colaborador que vai ser ouvido, passava para o doleiro e o doleiro já mandava direto para as contas. Nós não temos o registro de para quem eram estas contas”, afirmou Wesley.

O dono da JBS relatou ainda que a ex-secretária da Federação Mato-Grossense do Comércio (Fecomércio), Karla Cintra, teria recebido propina em nome de Nadaf. À época, o ex-secretário ainda estava vinculado à instituição.

“Ele usou ela para ir em São Paulo buscar dinheiro, que o Florisvaldo vai falar, porque foi ele que entregou esse dinheiro para ela”, disse Wesley, referindo-se a Florisvaldo Caetano de Oliveira, outro diretor da JBS, que também é delator do esquema.

Conforme Wesley, R$ 7,5 milhões foram pagos ao ex-governador por meio da empresa Carol Mila Agropecuária, através de um contrato de compra de caminhões para a JBS com sobrepreço; cerca de R$ 200 mil foram pagos à NBC Consultoria, de Nadaf, mediante nota falsa; R$ 13 milhões foram pagos a intermediários desconhecidos; cerca de R$ 1 milhão mediante nota falsa emitida para uma construtora de Rondônia; cerca de R$ 2,5 milhões em espécie a emissários de Nadaf e Barbosa.

O caso

“Tinha que ser, para chegar aos R$ 10 milhões ao ano. O Nadaf levava a lista com os pagamentos que tinham que ser feitos a doleiros, indicados por ele”, explicou o dono da JBS.

De acordo com o empresário, até 2011, os frigoríficos da JBS no Estado recolhiam ICMS por estimativa e, no ano seguinte, essa sistemática foi alterada pelo então governador Silval Barbosa, para recolhimento por valor real. No entanto, alguns frigoríficos - JBS em Diamantino, Sadia em Várzea Grande, Perdigão em Mirassol do Oeste, Redentor em Guarantã do Norte e Guaporé Carnes — contavam com incentivo fiscal do programa de desenvolvimento estadual Prodeic, com redução da alíquota de ICMS de 3,5% para um intervalo de zero a 1%.

Diante disso, o empresário participou de audiência com Barbosa, da qual participaram o diretor da JBS Valdir Boni e o então secretário da Indústria e Comércio, Pedro Nadaf, na qual expôs a iniquidade da nova sistemática e pediu que ou todos os frigoríficos fossem beneficiados com o Prodeic ou nenhum deles.

A saída provisória proposta pelo governo estadual foi a assinatura de um protocolo de intenções com a JBS para concessão de crédito de ICMS, no valor de R$ 74,6 milhões (montante que a JBS deixou de lançar em seu favor durante o período de recolhimento por estimativa).

Já nessa audiência, contou Wesley, o ex-governador pediu propina como contrapartida ao protocolo de intenções, que “acabou ficando em aproximadamente R$ 10 milhões em 2011, 2012 e 2013”, ano em que o pagamento não foi integral. No segundo semestre de 2014, porém, a JBS foi alvo de fiscalização da Secretaria Estadual de Fazenda e autuada em R$ 180,5 milhões relativamente a 2012.

A JBS voltou a procurar o ex-governador, que teria se comprometido a interceder junto à Fazenda para anular o auto de infração. A promessa não se concretizou e, como alternativa, Nadaf propôs a confecção de um documento falso que estendeu o Prodeic a todos os frigoríficos do grupo no Estado.











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