03.07.2017 | 14h05


PODERES / EMBAIXADOR DA PROPINA

STF homologa acordo de delação premiada de Nadaf; novas prisões vão ocorrer

Segundo a juíza Selma Arruda, o ministro do STF, Luiz Fux, foi quem homologou a delação. Nadaf presta depoimento na 7ª Vara nesta terça (4).


DA REDAÇÃO

O ex-secretário de Estado, Pedro Nadaf, apontado pelo ex-governador Silval Barbosa (PMDB) como participante direto de ações de corrupção durante sua gestão, firmou acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal (MPF).

A ação, conforme informou, nesta segunda-feira (3), a juíza da Sétima Vara Criminal da Capital, Selma Rosane Arruda, foi homologada pelo ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Mesmo com a delação, Nadaf prestará depoimento à magistrada nesta terça-feira (4).

Os detalhes do acordo ainda não foram revelados, mas a medida pode representar novas prisões, a partir das informações do ex-secretário, que era o homem de confiança de Silval para negociar propinas.

"Embaixador da propina"

O ex-governador Silval Barbosa contou aos promotores da Operação Sodoma que Nadaf era peça fundamental na arrecadação de propina que abasteceu com centenas de milhões de reais o grupo criminoso que comandou o Governo do Estado até o fim de 2014. O sucesso no 'mundo dos negócios ilícitos' foi tanto que o então secretário foi promovido a porta-voz do peemedebista.

Em seu depoimento de confissão à Justiça, Silval revelou que o ex-secretário se tornou seu ‘braço direito’ após exercer uma função estratégica e muito importante na abordagem de empresários para levantamento de recursos durante a campanha ao comando do Palácio Paiaguás em 2010. À época, o então secretário da Secretaria de Indústria, Comércio, Minas e Energia (Sicme) já cobrava propina de empresários em troca da concessão de incentivos fiscais.

Na confissão, o ex-governador deixa claro que o poder de articulação e o fato de seu ex-secretário comandar a Federação do Comércio (Fecomércio) facilitava a arrecadação de dinheiro ilícito juntos a empresários. O sucesso no ‘mundo crime’ proporcionou a Nadaf uma promoção como porta-voz do Governo de Mato Grosso, o cargo mais importante do staff estadual depois do chefe de Estado.

Nadaf “assumiu o papel de Eder Moraes” na Casa Civil, a partir de 2013, com a missão de ainda exercer a função de articulador entre “os secretários, bem como, agia administrando o pagamento das dívidas contraídas pelo grupo criminoso e mantinha contato com operadores financeiros”.

Na Casa Civil, o ex-secretário foi peça-chave para oferecer a concessão de incentivos fiscais ao dono da do grupo Tractor Parts, João Rosa, em troca de R$ 2,5 milhões em propina. O caso resultou na 1ª fase da Sodoma e na prisão do ex-governador, de Nadaf e Marcel de Cursi, ex-secretário de Fazenda.

O ex-chefe da Casa Civil também ajudou na formação de uma organização criminosa que lavou R$ 7 milhões por meio da falsa compra de um terreno que pertencia ao Estado. Os crimes vieram à tona durante a Operação Seven, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), que resultou em novo mandado de prisão.

Nadaf fez delação premiada e, atualmente, está solto cumprindo apenas medidas cautelares, além do uso de tornozeleira eletrônica.











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