23.06.2020 | 14h48


PODERES / OPERAÇÃO OVERLAP

Secretário pede exoneração e nega desvios na Educação

Em coletiva de imprensa, Alex Passos considerou um excesso a decisão de afastamento do cargo e afirmou que não tem ligação com empresa que executou obra de Cmei no CPA III


DA REDAÇÃO

O secretário de Educação de Cuiabá, Alex Vieira Passos, negou superfaturamento ou desvio de recursos em obras feitas durante sua gestão. Em coletiva de imprensa nesta terça-feira (23), ele anunciou que pediu exoneração para que as investigações ocorram livremente e para não o acusarem futuramente de obstrução.

Ele foi o alvo da operação Overlap, deflagrada pela Polícia Civil na manhã desta terça-feira.

"Nós vamos demonstrar que não há sobrepreço, não há quebra de impessoalidade, a gente entende a decisão judicial, acatada a decisão judicial, achamos que foi até um excesso o afastamento da secretaria porque quem perde é a secretaria que vai ter uma mudança nesse meio tempo, mas ordem judicial se cumpre, e eu estou fazendo um pedido para ficar livre até para amanhã não alegarem que a gente está querendo obstruir", disse.

Segundo a Polícia Civil, um inquérito foi iniciado após informações de que em 2017, o então secretário municipal de Educação, Rafael Cotrim, teria recebido valores indevidos por meio de suas empresas, sendo posteriormente detectado se tratar de empresas ligadas diretamente ao atual secretário.

Ainda conforme a polícia, analistas identificaram que uma empresa contratada no ano de 2017 para a reforma do Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) Joana Mont Serrat Spindola Silva, no bairro CPA III, em Cuiabá, teria como real proprietário o atual secretário, que teria sido o ordenador de despesas responsável por determinar a maior parte dos pagamentos relacionados ao contrato.

Passos negou qualquer ligação com a construtora e comentou que foi sócio de um dos proprietários da empresa em outro negócio. Ele ainda fez uma cronologia dos fatos lembrando que a obra da creche começou em 2012 e só foi concluída seis anos depois, em sua gestão.

"Em 2012 começou a obra e parou e aí eles apontam que houve pagamento de duplicidade, que não há. Em 2012 era outro prefeito ainda. 2016 houve uma licitação, ganhou essa empresa, essa empresa tem proprietários, os proprietários foram meus sócios em outra empresa de outro segmento, nada haver. 2017 o ex-secretário assina o contrato e dá ordem de serviço. Em 2018 eu entro como secretário, termino 30% a 40% da obra, entrego a obra, onde está o nexo, o vínculo?", questiona.

"O que eles querem saber é, bem pontual, se eu recebi dinheiro dessa construtora, se ele [Cotrim] recebeu dinheiro dessa construtora e se foi superfaturado. Eu falo pra vocês que não. Estou muito tranquilo sobre isso", disse.

Operação

A Polícia Civil, por meio da Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor) e da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) e apoio da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, deflagrou na manhã desta terça-feira (23.06), a “Operação Overlap”, para cumprimento de nove ordens de busca e apreensão, e afastamento cautelar do secretário municipal de educação da Prefeitura de Cuiabá.

As ordens de busca e de bloqueio de valores foram decretadas pela 7ª Vara Criminal da capital e são cumpridas nas cidades de Cuiabá, Várzea Grande e Campo Grande (MS).

Os investigadores buscam localizar novos elementos que vinculem os suspeitos às empresas, bem como documentos que indiquem a prática de atos ilícitos antecedentes à lavagem de capitais, vez que restou identificado movimentação suspeita de R$ 1 milhão.

As investigações indicam o cometimento dos crimes de peculato, lavagem de dinheiro e advocacia administrativa, cujas penas somadas ultrapassam os 20 anos de reclusão.

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(1) COMENTÁRIOS

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Henrique beltão  23.06.20 19h12
Parecia que só tinha a cara de besta. Mas era um LADRÃO disfarçado!!!

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