05.07.2017 | 15h45


CORTE NOS REPASSES

Secretário diz que 'dinheiro não cai do céu' e Governo busca solução para Saúde

Deputados estaduais se reuniram com o secretário da Casa Civil, José Adolpho Vieira, para pedir que o Governo volte atrás no corte de recursos para seis unidades hospitalares de Mato Grosso.



Os deputados estaduais se reuniram nesta quarta-feira (5) com os secretários de Estado da Casa Civil e da Saúde, José Adolpho Vieira e Luis Soares, respectivamente, para tratar da redução dos repasses financeiros para seis hospitais regionais de Mato Grosso. O corte de recursos chega a 50% para algumas unidades.

De acordo com José Adolpho, o governo busca minimizar a crise financeira em Mato Grosso.

"Vamos ouvir e discutir todas as situações. Dinheiro não cai do céu. Para colocar dinheiro em um lugar, tem que tirar de outro. Vamos buscar uma solução para cada um", disse. 

Luis Soares afirmou que não existe falta de vontade do Governo em solucionar a crise na saúde pública de Mato Grosso.

“Não adianta a gente rolar uma dívida por sete meses. O que o Governo quer é solucionar os problemas. Infelizmente o cenário é de crise financeira. Isso é fato. Buscamos ser o menos injusto. Mas vamos encontrar uma solução”, afirmou Soares.

"Vamos ouvir e discutir todas as situações. Dinheiro não cai do céu. Para colocar dinheiro em um lugar, tem que tirar de outro. Vamos buscar uma solução para cada um", disse.

O presidente da Assembleia Legislativa, Eduardo Botelho (PSB),  disse que é possível chegar num entendimento, mas para isso é preciso que o Governo encaminhe para a Assembleia Legislativa uma proposta de aumento no percentual na cobrança do óleo diesel de algo em torno de R$ 0,11 centavos que resultariam em recursos da ordem de R$ 30 milhões para a saúde.

“Com esses valores dá para comportar e minimizar a crise na saúde. Essa diferença nas bombas dos postos seria mínima e não traria prejuízo. Com isso a Secretaria de Saúde teria uma condição melhor para poder equacionar à falta de recursos para a saúde pública em todo o Estado”, disse Botelho.

O primeiro-secretário da Assembleia Legislativa, deputado Guilherme Maluf (PSDB), disse que ficou definida a realização de reuniões regionais e de se manter os repasses nos próximos 60 dias e, nesse ínterim, os hospitais realizassem um estudo de impacto à nova realidade econômica. O que não se pode fazer, segundo Maluf, é um corte abrupto no orçamento das unidades de saúde.   

“A Assembleia está pedindo uma flexibilização para que os municípios possam fazer sua defesa. Por isso foi formada uma comissão de deputados para discutir o assunto de forma exaustiva. Hoje, os municípios não vão conseguir manter os serviços sem esses recursos. Se for mantida a portaria, algumas unidades hospitalares vão fechar”, disse Maluf.

O deputado José Domingos Fraga (PSD) afirmou que não entendeu qual o mecanismo utilizado pelo Estado para a redução dos recursos às unidades de saúde. Segundo ele, a medida tomada foi de forma unilateral porque não ouviu os prefeitos e os secretários de saúde e muito menos os deputados estaduais.

“O corte dos valores de transferência voluntarias e de co-financiamento aos hospitais municipais foi feito sem critérios. Parte desses recursos migrou para outros hospitais. Esses hospitais têm compromisso com os fornecedores, e com os servidores. Eles estão se sentindo perdidos, porque cortou recursos financeiros de pouco mais de 50% em determinados hospitais”, disse Fraga.

O prefeito de Diamantino, Eduardo Capistrano (PDT), afirmou que o Hospital São João Batista atende a população de dez municípios, mas trabalha com um repasse de pouco mais de R$ 400 mil. Mas com o corte do governo, o repasse foi reduzido a R$ 130 mil.

“Com esse recurso não há como manter o hospital aberto. Muitos serviços são prestados à população. Hoje, a demanda encaminhada para Cuiabá foi reduzida. Por isso é inviável tocar o hospital com R$ 130 mil. Só com a folha de pagamento dos médicos, o gasto gira em torno de R$ 200 mil”, desabafou Capistrano.

O secretário municipal de Saúde de Pontes de Lacerda, Hideraldo Pires da Costa, afirmou que o Hospital do Vale do Guaporé atende um contingente populacional de 120 mil pessoas – que vivem em dez municípios na região, e com os recursos reduzidos vai fechar as portas. “Fomos pegos de surpresa. O déficit mensal chega a R$ 124 mil e com a redução não há condições de mantê-lo aberto”, disse Costa.

Com a nova portaria em vigor, o repasse ficou assim definido:

Cuiabá – que recebia R$ 1,446 milhão passará a receber R$ 3,300 milhões.

Várzea Grande – que recebe R$ 641 mil passa a receber R$ 1,3 milhão.

Confresa – manteve os R$ 500 mil.

Diamantino – de R$ 419 mil foi para R$ 130 mil.

Nortelândia – passou de R$ 140 mil para R$ 65 mil.

Barra do Garças – passa de R$ 690 mil para R$ 800 mil.

Juína – manteve o recurso de R$ 301 mil.

São Felix do Araguaia – passou de R$ 340 mil para R$ 250 mil.

Pontes e Lacerda – passou de R$ 792 mil para R$ 320 mil.

Jaciara – passou de R$ 42 mil para R$ 100 mil.

Rondonópolis – passou de R$ 1,7 milhão para R$ 1,3 milhão

Juara – passou de R$ 417 mil para R$ 250 mil











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