21.02.2017 | 07h00


FRAUDES NA ASSEMBLEIA

Riva vai continuar confessando desvio de dinheiro público, diz advogado

Ex-deputado tem duas audiências marcadas para esta semana, na 7ª Vara Criminal de Cuiabá.


DA REDAÇÃO

O ex-deputado estadual José Geraldo Riva vai continuar confessando seus crimes relacionados ao esquema de fraudes na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), investigados no âmbito da Operação Arca e Noé. É o que garante o advogado dele, Rodrigo Mudrovitsch.

“Com relação à Arca de Noé, já houve um depoimento bastante amplo dele, no ano passado. E todas as demais audiências que disserem respeito a esses fatos, a linha será a mesma, ou seja, a linha de trazer a verdade do que ocorreu", disse o advogado de Riva.

Desde que assumiu o papel de réu confesso, em abril do ano passado, quando admitiu o esquema de desvio de dinheiro público, apontado na Operação Ventríloquo, Riva vem assumiu sua parcela de culpa em outras ações penais também, a exemplo da Operação Arca de Noé, na qual o ex-parlamentar confessou, em novembro do ano passado, que usou uma série de empresas “fantasmas” para emitir cheques para o pagamento de dívidas contraídas, pela Assembleia Legislativa com o ex-bicheiro João Arcanjo Ribeiro, que cobrava R$ 25 milhões.

Segundo Mudrovitschi, no entanto, nada de novo será dito, mas apenas reiterado pelo réu.

“Com relação à Arca de Noé, já houve um depoimento bastante amplo dele, no ano passado. E todas as demais audiências que disserem respeito a esses fatos, a linha será a mesma, ou seja, a linha de trazer a verdade do que ocorreu. Portanto, a tendência é que na próxima audiência não haja novidades, o que ele já falou no passado vai ser repetido”, afirmou.

A próxima audiência marcada para a oitiva de José Riva ocorre nesta quarta-feira (22), em ação penal que ele figura como réu e será reinterrogado.

Na sexta-feira (24), o ex-deputado presta novo depoimento na qualidade de testemunha em 31 ações criminais relativas aos mesmos esquemas de desvios para pagar o ex-bicheiro João Arcanjo Ribeiro, entre os anos 1995 e 2002.

Nestes processos, que já estão em fase de diligências, são réus diversos ex-servidores da Assembleia, o próprio João Arcanjo e o ex-deputado estadual Humberto Bosaipo.

Entenda o caso

Humberto Bosaipo responde a peculato e lavagem de dinheiro, crimes supostamente praticados em conluio com demais corréus, José Riva e ex-servidores da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), que respondem em processos separados.

A suposta organização criminosa teria forjado operações financeiras da Assembleia com a empresa M.T. Nazareth ME, no valor de 2,2 milhões, mais especificamente R$ 2.254.642.09, com o objetivo de desviar dinheiro dos cofres públicos. A empresa de “fachada” teria sido criada para figurar como fornecedora da Casa.

De acordo com a denúncia do Ministério Público Estadual (MPE), os saques dos cheques emitidos em favor da empresa eram efetuados diretamente no caixa do banco por representantes da Assembleia. Eles faziam isso em posse de crédito endossado por assinaturas falsificadas, além do contrato da empresa fictícia.

Anda segundo o MPE, sempre que precisavam de dinheiro para pagar despesas pessoais ou decorrentes de campanhas eleitorais, Bosaipo e Riva recorriam à Confiança Factoring, de propriedade do ex-bicheiro João Arcanjo Ribeiro. Lá eles realizavam empréstimos e, em troca, deixavam como garantia cheques da Assembleia.

Em resumo, o “círculo criminoso” funcionava da seguinte forma: cheques da Assembleia nominais à M.T. Nazareth ME eram encaminhados pelos próprios deputados à Confiança Factoring e lá trocados por dinheiro ou cheques emitidos pela Confiança e nominais a José Riva e a Humberto Bosaipo ou à pessoas ou empresas por eles indicadas. Posteriormente, os cheques da Assembleia eram compensados ou sacados em prol da confiança Factoring.

Imperador

Apesar do recente histórico de confissões adotado por Riva, de acordo com o advogado dele, essa estratégia ainda não foi definida para ser utilizada nas audiências de instrução referentes à Operação Imperador, que tem audiência marcada para março.

“Esse ponto, por enquanto, ainda não há definição, ainda está prematuro”, disse.

A Operação Imperador apura denúncia de desvio de R$ 62 milhões da Assembleia Legislativa por meio de compras fictícias de materiais gráficos, o que teria ocorrido entre os anos de 2005 a 2010. 

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