18.07.2019 | 09h06


ESCUTAS CLANDESTINAS

Possível envolvimento de promotores do Gaeco faz juiz adiar julgamento de PMs

Decisão tem relação com pedido de delação premiada unilateral dos réus ao juiz Marcos Faleiros, da Décima Primeira Vara Militar e os fatos novos apresentados em novos depoimentos.


DA REDAÇÃO

O juiz Marcos Faleiros, da Décima Primeira Vara Militar de Cuiabá, decidiu adiar o julgamento do caso conhecido como "Grampolândia Pantaneira", depois dos reinterrogatórios prestados pelos coronéis Zaqueu Barbosa e Evandro Lesco e pelo cabo Gérson Corrêa, na terça e quarta-feira (16 e 17). 

O julgamento do caso iria ser nos dias 14,15 e 16 de agosto. Com o adiamento, a previsão é que ocorra nos dias 6,7 e 8 de novembro.

Ao final do interrogatório do cabo Gerson, na noite de quarta-feira (18), o juiz estabeleceu prazo de 10 dias para que as defesas apresentem no processo os fatos novos, como as citações de envolvimento de promotores do Ministério Público Estadual, assim como o pedido de delação unilateral.

O juiz agora deve analisar as novas informações, bem como a pertinência delas para o caso. Dependendo do entendimento do magistrado, os réus podem ter as penas abrandadas.

Delações

Zaqueu, Lesco e Gérson tentaram celebrar acordo de delação premiada com o Ministério Público Estadual, no início deste mês.

Mas o MPE entendeu que os militares não trouxeram fatos novos ou respaldados em provas materiais que pudessem ser pertinentes ao caso. Se a delação fosse aceita, os militares pretendiam a diminuição de suas penas.

Com a recusa do MPE, eles tentam firmar delação direta com o juízo da Décima Primeira Vara Militar de Cuiabá.

Dentre os fatos novos apresentados nas delações dos militares estaria o suposto envolvimento sistemático de promotores na prática barriga de alguel - quando é inserido os dados telefônicos de uma pessoa em uma investigação em que ela não é suspeita de participar de esquema (saiba mais).  

Grampos

O caso dos grampos veio à tona em 2016 a partir de denúncia do promotor de Justiça, Mauro Zaque, que deixou a pasta de Segurança Pública do Estado após relatar o caso e documentar a denúncia ao então governador Pedro Taques (PSDB).

Segundo a denúncia, policiais militares e integrantes da cúpula do Governo do Estado mantinham escutas telefônicas sobre as linhas de políticos, empresários, juízes e jornalistas. Para conseguir autorização judicial, os números eram anexados a uma lista para interceptação de pessoas investigadas por tráfico de drogas na Comarca de Cáceres. Um esquema também conhecido como “barriga de aluguel”.

Anteriormente, o caso já foi investigado pelos delegados Ana Cristina Feldner e Flávio Stringuetta. Em maio, três novos delegados assumiram sendo: Jannira Laranjeira, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Cuiabá; Luciana Canaverde, delegada regional de Água Boa e Rafael Mendes Scatalon, que atua como delegado regional de Pontes e Lacerda.











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