07.06.2017 | 15h50


PODERES / CASTELO DE AREIA

Paralisação de agentes prisionais adia depoimento de estelionatário

Walter Dias Magalhães Júnior é acusado de comandar uma quadrilha que teria aplicado golpes de até R$ 50 milhões contra várias pessoas em Mato Grosso através do Soy Group, investigada na Operação Castelo de Areia.


DA REPORTAGEM

A oitiva do réu Walter Dias Magalhães Júnior, apontado como o maior estelionatário de Mato Grosso pela Polícia Civil, foi adiada pela juíza Selma Arruda, da 7ª Vara Criminal de Cuiabá. Marcada para ocorrer na tarde desta quarta-feira (7) o réu ficou impedido de comparecer, pela falta de agentes prisionais disponíveis para escoltá-lo até o Fórum da Capital, devido à paralisação de 24 horas, deflagrada pelos servidores públicos do Estado.

Walter é acusado de comandar uma quadrilha que teria aplicado golpes de até R$ 50 milhões contra várias pessoas em Mato Grosso através do Soy Group, investigada na Operação Castelo de Areia, deflagrada pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), da Polícia Civil, em agosto de 2016. Além dele, também faziam parte da quadrilha, o ex-vereador de Cuiabá, João Emanuel Moreira Lima, o pai dele, o juiz aposentado Irênio Lima Fernandes, e o irmão do ex-vereador, o advogado Lázaro Moreira Lima.

Nesta quarta, Selma Arruda ouviu novamente o depoimento da testemunha de acusação, Alexandre da Silva Galindo, vítima da suposta quadrilha.

A determinação do reinterrogatório partiu da própria magistrada devido a problemas no áudio das oitivas, que impossibilitam a compreensão das declarações prestadas pelas testemunhas ouvidas no dia 19 de maio. Além de Galindo, a audiência prevê colher novamente de outra testemunha/vítima arrolada pelo Ministério Público Estadual (MPE), Assan Fouad Salim.   

Após análise dos arquivos em audiovisual referentes à audiência realizada na data de 19/05/2017, às 13:30 horas (CD-R de fls.2608) constatou-se problema no áudio das oitivas realizadas, impossibilitando a compreensão das declarações prestadas pelas testemunhas. Assim, se faz necessária a repetição daquele ato processual”, disse a magistrada na determinação.

Além da família de João Emanuel e de Walter Magalhães, também é réu na ação, o contador Evandro José Goulart.    

A esposa de Walter, Shirlei Aparecida Matsouka Arrabal, fechou acordo de delação e agora figura como colaboradora da ação. Ela foi dispensada, até a data do depoimento do marido, que ainda será marcada pela magistrada. 

Golpe

A quadrilha é acusada pelo MPE de aplicar golpes em empresários e produtores rurais utilizando o Soy Group. Eles atraíam investidores com falsas promessas de rendimentos a juros baixos.  

Na denúncia, o MPE relata golpes que teriam sido aplicados em pelo menos sete vítimas, em valores que, juntos, somariam mais de R$ 1,7 milhão. Uma das tentativas frustradas do grupo, segundo os promotores, envolveu um empresário que chegou a repassar 40 folhas de cheque à organização, no valor total de R$ 50,5 milhões, visando auferir lucros bilionários por supostos investimentos, que seriam feitos em Cuiabá e no Amazonas.

Ao perceber que se tratava de um golpe, a vítima conseguiu sustar os cheques. Porém, algumas das folhas já teriam sido distribuídas por João Emanuel para pagar débitos contraídos com agiotas, que por sua vez, teriam feito cobranças e ameaças à vítima, por ter impedido a compensação dos cheques.

Outra folha de cheque teria sido usada por Evandro Goulart para mobiliar o escritório da empresa utilizada pelo grupo, enquanto outra parte teria sido distribuída entre os membros da organização.

Assan Fouad Salim foi a última vítima do golpe, segundo a Polícia. Ele contou ter sido abordado por Evandro José na empresa dele, sob a justificativa de negociar a compra de móveis de escritório a fim de mobiliar a empresa Soy. A compra deu um total de R$ 119,2 mil, porém, apenas R$ 25 mil foram pagos e o empresário ficou com o prejuízo.

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