25.08.2017 | 14h44


PODERES / INVESTIGAÇÃO AUTORIZADA

Maggi é apontado por Janot como líder maior de organização criminosa em MT

A afirmação consta no pedido do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, para que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, autorizasse a abertura de investigação, a partir da delação do ex-governador Silval Barbosa.



O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, apontou que o ministro da Agricultura, Blairo Maggi (PP), “exercia incontestavelmente a função de liderança mais proeminente na organização criminosa”, que seria composta por políticos de Mato Grosso, delatados pelo ex-governador Silval Barbosa (PMDB).

A afirmação consta no pedido de Janot para que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, autorizasse a abertura de investigação para apurar suspeitas de corrupção, operação clandestina de instituição financeira, gestão fraudulenta de instituição financeira e lavagem de dinheiro. A investigação foi autorizada nesta sexta-feira (25).

Entre os agentes políticos, destaca-se a figura de Blairo Maggi, o qual exercia incontestavelmente a função de liderança mais proeminente na organização criminosa, embora se possa afirmar que outros personagens tinham também sua parcela de comando no grupo, entre eles o próprio Silval Barbosa e José Geraldo Riva [ex-deputado estadual]”, escreveu o procurador.

Não há suspeitos nominados no inquérito. O pedido é para apurar o envolvimento de todos os citados na delação do ex-governador.

"[A partir das delações] revelou-se a existência de uma organização criminosa instalada no alto escalão do Estado de Mato Grosso, que funcionou especialmente entre os anos de 2006 a 2014", afirmou o procurador-geral.

“Fórmula”

Silval Barbosa afirmou no depoimento de delação premiada ao Ministério Público Federal (MPF) que usou métodos utilizados pelo ex-governador e atual ministro da Agricultura, Blairo Maggi (PP), para montar o esquema de fraudes e desvios milionários em obras de pavimentação de rodovias, no programa MT Integrado, assim como pagamento de propinas para conselheiros do Tribunal de Contas do Estado (TCE).

Silval confessou ter superfaturado obras e dívidas do Estado com bancos, para pagar propinas.

Na delação, Silval ainda disse que assumiu dívidas de Maggi e que essas foram pagas por meio de financiamento, em nome do Governo do Estado, no valor de R$ 73 milhões para PCHs do Rio Juruena. Metade desse valor teria sido destinada às dívidas, geradas com bancos para pagamento de propina.

O ministro também foi delatado pelo peemedebista no caso da suposta venda de vaga de conselheiro do TCE para Sérgio Ricardo. Segundo Silval, ele e Maggi teriam pago R$ 6 milhões para que o ex-secretário da Casa Civil, Eder Moraes, mudasse o depoimento ao MPF. Eder tinha acusado os dois de envolvimento no esquema. O caso é investigado no âmbito da Operação Ararath e chegou a ser arquivado depois da mudança de postura de Eder.

Outro lado

Deixo claro, desde já, que causa estranheza e indignação que acordos de colaboração unilaterais coloquem em dúvida a credibilidade e a imagem de figuras públicas que tenham exercido com retidão, cargos na administração pública. Mesmo assim, diante dos questionamentos, vimos a público prestar os seguintes esclarecimentos:  

1. Nunca houve ação, minha ou por mim autorizada, para agir de forma ilícita dentro das ações de Governo ou para obstruir a justiça. Jamais vou aceitar qualquer ação para que haja "mudanças de versões" em depoimentos de investigados. Tenho total interesse na apuração da verdade. Qualquer afirmação contrária a isso é mentirosa, leviana e criminosa. 

2. Também não houve pagamentos feitos ou autorizados por mim, ao então secretário Eder Moraes, para acobertar qualquer ato. Por não ter ocorrido isto, Silva Barbosa mentiu ao afirmar que fiz tais pagamentos em dinheiro ao Eder Moraes. 

3. Repudio ainda a afirmação de que comandei ou organizei esquemas criminosos em Mato Grosso. Jamais utilizei de meios ilícitos na minha vida pública ou nas minhas empresas. 

4. Sempre respeitei o papel constitucional das Instituições e como governador, pautei a relação harmônica entre os poderes sobre os pilares do respeito à coisa pública e à ética institucional. 

5. Por fim, entendo ser lamentável os ataques à minha reputação, mas recebo com tranquilidade a notícia da abertura de inquérito, pois será o momento oportuno para apresentação de defesa e, assim, restabelecer a verdade, pois definitivamente acredito na Justiça.

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