08.11.2019 | 10h12


JULGAMENTO DE PMS

Líderes dos grampos ‘espionam’ e atrapalham investigações, diz juiz

Argumento aponta que é claro a intenção de desorientar as investigações e deixar os ‘mandantes’ impunes.


DA REDAÇÃO

Na decisão que condenou o ex-comandante Geral da PM, coronel Zaqueu Barbosa, a 8 anos de prisão, e absolveu outros quatro policiais militares, o juiz Marcos Faleiros - da 11ª Vara Especializada da Justiça Militar - citou que as verdadeiras ‘lideranças’ do grupo de arapongagem possuem meios para ‘espionar’ e tentar atrapalhar as investigações por serem parte no processo .

Os grampos telefônicos ficaram conhecidos como Grampolândia Pantaneira e foi montado em meados de 2014 para espionar políticos, advogados, jornalistas e outras pessoas com foco inicial nas eleições daquele ano.

 

Conforme relatório da decisão, proferida na quinta-feira (07), o juiz afirma que conforme as investigações avançam, passam a surgir falsas pistas, informações sem relevância e outros pontos com objetivo claro de “desorientar, esconder ou desviar as investigações”.

RepórterMT

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Julgamento de 5 policiais durou 2 dias na Vara Militar.

“Cremos que o grupo de arapongagem possui um lastro próprio para acompanhar as investigações e desviar o seu caminho, e, quando se está próximo da verdade, vem uma obstrução qualquer, por exemplo, cito a tentativa de gravação ambiental audiovisual do Desembargador Orlando Perri, que estava à frente do caso, numa trama cinematográfica que envolvia a utilização de uma farda da PMMT com um sistema de microcâmara e áudio acopladas na vestimenta militar”, consta na decisão.

Na noite de quinta-feira, o ex-comandante da Polícia Militar, coronel Zaqueu Barbosa, foi condenado por liderar o escritório de escutas clandestinas – veja como foi o julgamento. Já os coronéis Evandro Lesco, coronel Ronelson Jorge de Barros, o tenente-coronel Januário Antonio Edwiges Batista foram absolvidos das acusações. O cabo Gerson Correa Júnior recebeu perdão judicial mesmo sem acordo de delação premiada com o Ministério Público Estadual (MPE).

Gerson, Lesco e Zaqueu confessaram participação e detalharam como as escutas clandestinas funcionavam. Eles afirmam que o escritório clandestino foi montado a mando do grupo político de Pedro Taques (PSDB), tendo seu primo, o advogado Paulo Taques, considerados idealizadores e executores do esquema. Cabe ressaltar que Zaqueu foi comandante geral da PM na gestão Taques.

Além desta decisão na Justiça Militar, ainda corre processos referentes a Grampolândia Pantaneira na 7ª Vara Criminal (justiça comum), além de investigações no âmbito da Polícia Civil e do Ministério Publico.

Escustas ilegais

Investigações que levaram à prisão de oficiais de alta patente da Polícia Militar do Estado de Mato Grosso apontaram um grandioso esquema de escutas ilegais que teria interceptado mais de 800 conversas de políticos, advogados jornalistas e desafetos. 

Conforme apurado, os telefones foram grampeados com autorização da Justiça por meio de uma técnica denominada “barriga de aluguel”, que é quando não investigados são inclusos em uma lista de pedidos de interceptação autorizada por magistrados.











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