28.06.2017 | 07h00


PODERES / DESVIO DE R$ 15 MILHÕES

'Laranja' da Faespe confessa que grupo sabia de investigação e trocou celulares para despistar Gaeco

Segundo o depoimento de Marcos Moreno, um dos líderes do grupo, que desviou valores de órgãos públicos através da Faespe, Claudio Sassioto informou que a fundação estava trocando os celulares de todos os funcionários, porque estariam "grampeados".


DA REDAÇÃO

O dono de uma das empresas de fachada do esquema desvios de dinheiro, por meio de contratos fraudulentos da Faespe (Fundação de Apoio ao Ensino Superior Público Estadual), com órgãos públicos, Marcos Moreno revelou em seu depoimento ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) que os integrantes do sistema ilícito descobriram que estavam sendo investigados e tentaram despistar as informações.

Moreno contou que foi chamado por seu “padrinho” no esquema, o ex-servidor do Tribunal de Contas do Estado (TCE), Claudio Sassioto, para que trocasse o chip do celular e a conta no WhatsApp, porque “haviam monitorado e grampeado diversas pessoas” por conta de uma investigação.

Segundo o depoimento, Sassioto informou Moreno que a Faespe estaria trocando aparelhos celulares dos funcionários devido à essa investigação.

No mês de janeiro desse ano, Claudio Sassioto disse que a Faespe estaria trocando os aparelhos celulares dos funcionários por conta de uma investigação e que era para Marcos trocar o chip e sua conta no WhatsApp”, contou Moreno ao Gaeco.

Alguns meses antes, possivelmente setembro ou outubro de 2016, conforme o documento, o “padrinho” já tinha falado para Marcos Moreno que existia uma investigação, porém que ele, Marcos, ainda não tinha sido “grampeado”.

“No mês de janeiro desse ano, Claudio Sassioto disse que a Faespe estaria trocando os aparelhos celulares dos funcionários por conta de uma investigação e que era para Marcos trocar o chip e sua conta no WhatsApp”, contou Moreno ao Gaeco.

Na ocasião, Sassioto levou Moreno a um escritório de advocacia, no Edifício Milão, em Cuiabá, de propriedade do advogado Maurício Magalhães Faria Neto. Durante a reunião, Marcos Moreno ficou sabendo que o jurista já tinha recebido o valor de R$ 80 mil da Faespe para advogar em favor do grupo.

O advogado teria falado a Marcos que apesar da investigação “uma mão no Tribunal de Justiça estaria segurando os documentos para não dar em nada” e que ele deveria aguardar o andamento dos procedimentos, que estavam sob sigilo judicial.

Marcos ainda foi orientado pelo advogado e por Sassioto, que em uma eventual necessidade, justificasse gastos com dinheiro recebido da Faespe com compra de remédios, montagem de granja, criação de peixes e ração para animais.

O advogado também se ofereceu para fazer a defesa de Marcos Moreno, caso houvesse necessidade. Porém, após a deflagração da Operação Convescote, Moreno constituiu outro jurista para sua defesa.

Vazamento

Em sua decisão, sobre os mandados da Operação Convescote, a juíza da Sétima Vara Criminal, Selma Rosane Arruda, determinou conduções coercitivas e mandados de busca e apreensão devido à necessidade de provas que poderiam ter sido destruídas pelos alvos, que descobriram que eram alvos de quebra de sigilo bancário e telefônico.

O esquema

A investigação do Gaeco mostrou que integrantes da organização criminosa conseguiram desviar dos cofres do Tribunal de Contas do Estado (TCE), da Assembleia Legislativa e da Secretaria de Estado de Infraestrutura e Prefeitura de Rondonópolis, nos anos de 2015 e 2016, ao menos R$ 3 milhões por meio de empresas de ‘fachada’, usadas pela Fundação de Apoio ao Ensino Superior Público Estadual (Faespe), alvo da Operação Convescote.

O grupo abria empresas fictícias com contas bancárias na Cooperativa de Crédito Sicoob, por meio das quais recebia recursos provenientes de contratos com órgãos públicos. Todas as empresas investigadas tinham sempre a mesma atividade econômica: Serviços Combinados de Escritório e Apoio Administrativo.

Como as empresas eram dos próprios funcionários da fundação, parte dos recursos seguia para as empresas e o restante para os servidores que organizaram o esquema criminoso. O Gaeco ainda explicou que uma funcionária da Faespe atestava as notas fiscais dos supostos serviços e não um servidor público.

A Operação Convescote prendeu 11 pessoas no último dia 20 de junho. Marcos conseguiu o benefício da prisão domiciliar, após confessar sua participação e relatar como funcionava o esquema.

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