31.01.2017 | 14h59


DONO DO LEILA MALOUF

Juíza acata denúncia e Malouf vira réu por esquema na Seduc

O empresário passa a responder como réu na ação que investiga o esquema que fraudava licitações de obras da Seduc em troca de propina


DA REPORTAGEM

Em decisão publicada na tarde desta terça-feira (31), a  juíza Selma Arruda, da Vara Contra o Crime Organizado da Capital, acatou a denúncia representada pelo Ministério Público Estadual (MPE) contra o empresário Alan Malouf, sócio do Buffet Leila Malouf, e o engenheiro eletricista Edézio Ferreira da Silva.

Ambos foram denunciados na 3ª fase da Operação Rêmora, denominada "Grão Vizir", que foi deflagrada em dezembro de 2016.

A investigação apura um esquema criminoso, instalado na Secretaria de Educação do Estado (Seduc), onde empresários e servidores exigiam propina de empreiteiros para que pudessem vencer as licitações de obras da pasta.

A decisão aponta que o empresário além de ser acusado de integrar a organização criminosa, teria praticado por 19 vezes o crime de corrupção passiva.

O engenheiro Edézio Ferreira da Silva foi denunciado como membro da organização.

No despacho, a magistrada afirma que as provas apresentadas foram suficentes para que o empresário e o engenheiro se tornassem réus.

"Verso por satisfazer os requisitos legais, vez que amparada em indícios de autoria e materialidade, conforme provas documentais e testemunhais angariadas na fase inquisitorial, as quais se encontram devidamente acostados aos autos. Citem-se e intimem-se os acusados para apresentarem, por meio de representante com capacidade postulatória, resposta à acusação, no prazo de 10 (dez) dias, conforme determina o artigo 396 de CPP", diz trecho da decisão.

Pedido de prisão

Também está pronto para julgado pela juíza Selma Rosane o recurso contra a decisão que colocou em liberdade o empresário Alan Malouf, feito pelo Ministério Público Estadual (MPE),o que pode determinar a volta para a prisão.

Malouf foi preso no dia 14 de dezembro de 2016, na 3ª fase da Operação Rêmora, denominada como Grão Vizir, mas foi colocado em liberdade 10 dias depois, por decisão da juíza plantonista Maria Rosi Meira Borba.  

O recurso contra a decisão foi feito pelo Grupo de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). O chefe do grupo, promotor Marco Aurélio de Castro, salientou que a defesa do réu “teria usado falsos argumentos como premissa, que levaram a magistrada a deferir medida cautelar diversa da prisão”.

Selma Arruda ainda não analisou o pedido. Mas o empresário tem depoimento marcado para o dia 1º de fevereiro.

Em depoimento anterior ao Gaeco, Malouf negou ser o idealizador do sistema criminoso, atribuindo a função ao empreiteiro e delator da Operação Rêmora, Giovani Guizardi.

Segundo ele, o delator é quem fazia todas as operações de arrecadação, cobrança e distribuição de propina.

Dono de um dos buffets mais requintados de Mato Grosso - o Leila Malouf - o empresário citou o suposto envolvimento de autoridades com prerrogativa de foro privilegiado, o deputado estadual Guilherme Maluf (PSDB) e o federal Nilson Leitão (PSDB).

Defesa

Por meio da assessoria de imprensa, o advogado Huendel Rolim, que faz a defesa de Alan Malouf, afirmou, na tarde desta terça-feira (31), que seu cliente ainda não foi notificado sobre o recebimento da denúncia do Ministério Público pela juiza Selma Arruda, da 7ª Vara Criminal de Cuiabá.

Segundo ele, assim que conhecer o teor da denúncia, será feita a defesa do empresário.

“Este é um trâmite processual aguardado para que possamos exercer o contraditório", disse o advogado.

Huendel Rolim reiterou, ainda, que Alan Malouf sempre esteve à disposição das autoridades para prestar as informações necessárias.

 










(1) COMENTÁRIOS

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  31.01.17 16h24
Ah sim ela ainda estava considerando a possibilidade de ele ser vitima pelos desvios milionarios para o sultao?

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