20.02.2020 | 18h15


PODERES / OPERAÇÃO ARQUEIRO

Juiz envia denúncia de PM contra promotores e juíza aposentada para o MP e TJ

Gerson Corrêa disse que ameaça contra a então juíza Selma Arruda não passou de uma estratégia para investigar “ilegalmente” o ex-governador Silval Barbosa


DA REDAÇÃO

O juiz Jorge Luiz Tadeu Rodrigues, da Sétima Vara Criminal de Cuiabá, determinou o enviou, à Corregedoria do Ministério Público Estadual (MPE) e à Corregedoria-Geral de Justiça, das declarações do cabo da Polícia Militar, Gerson Corrêa, sobre possíveis irregularidades que teriam sido praticadas por promotores e pela juíza aposentada, Selma Arruda, hoje senadora cassada, no âmbito das operações Arqueiro e Ouro de Tolo.

A decisão do magistrado foi proferida na quarta-feira (19). Ele também mandou que o depoimento seja remetido ao desembargador Orlando Perri, do Tribunal de Justiça, que é relator de um processo criminal que tramita em segredo de justiça.

As defesas dos réus da operação Arqueiro solicitaram ao juiz o compartilhamento de todas as provas que estão no processo da Grampolândia Pantaneira, após o depoimento de Gerson na Sétima Vara Criminal, na última quinta-feira (13), sobre supostas ilegalidades das interceptações realizadas.

O Ministério Público manifestou pelo indeferimento da solicitação, mas o juiz cita que o pedido merecia prosperar, “com base no princípio da busca da verdade real e para se evitar cerceamento de defesa”.

No entanto, ele comentou que caso todas as provas do processo, que tramita na Vara Militar, fossem anexadas, tumultuaria a ação .

“[…] posto que poderá vir aos autos provas e documentos que não interessam ao deslinde desta demanda e, portanto, em nada contribuiria com a busca da verdade real. Outrossim, importa registrar que este feito já possui 85 (oitenta e cinco) volumes e com a juntada das provas e documentos advindos de eventual compartilhamento de outro processo, igualmente volumoso, restará de sobremaneira prejudicado o manuseio e compreensão desta demanda”, justificou.

Por isso, o juiz atendeu parcialmente ao requerimento para que fossem solicitados apenas as declarações do cabo Gerson e documentos que dão suporte às suas declarações.

“Quanto às demais peças, provas e documentos produzidos naquele juízo, deverão as Defesas dos acusados indicarem as provas que pretendem colacionar a este feito, trazendo as razões e fundamentos que comprovem o seu interesse a esta demanda”, acrescentou.

Depoimento

No último depoimento à 11ª Vara Especializada da Justiça Militar de Cuiabá, em julho do ano passado, Gerson revelou que a prática de barriga de aluguel ocorria há muito tempo no Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco). Ele citou um exemplo de uma suposta falsa ameaça contra a então juíza Selma Arruda. Segundo o militar, a suposta investigação não passou de uma estratégia para investigar “ilegalmente” o ex-governador Silval Barbosa.

Operação

A Operação Arqueiro foi deflagrada pelo Gaeco para desarticular uma organização criminosa que teria forjado a criação de instituições privadas, sem fins lucrativos, para executarem convênios com a Secretaria de Estado de Trabalho e Assistência Social, que na época estava sob comando da ex-primeira dama do Estado, Roseli Barbosa, que é acusada de participar do esquema. O esquema teria ocorrido entre os anos de 2010 a 2012.

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