21.05.2017 | 07h40


PODERES / DELAÇÃO DA LAVA JATO

JBS deu calote de R$ 200 millhões ao Estado com fraude em documento

O caso ocorreu depois que Wesley Batista recebeu cobrança da Sefaz referente a multa de R$ 200 milhões, pelos impostos que deixaram de pagar a Mato Grosso. Nervoso, ele procurou Silval, que determinou a falsificação do documento


DA REDAÇÃO

O ex-governador Silval Barbosa (PMDB), o ex-secretário da Casa Civil Pedro Nadaf e o diretor de tributos da JBS, Valdir Aparecido Boni tramaram juntos uma forma de burlar a Legislação Tributária do Estado para que a empresa não pagasse R$ 73 milhões em impostos a Mato Grosso no fim de 2014.

O caso foi relatado aos promotores da Procuradoria-Geral da República (PGR) pelo dono do grupo JBS, Wesley Batista, como mostra vídeo divulgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

A JBS recebeu a cobrança da Secretaria de Fazenda do Estado (Sefaz) de uma multa no valor de R$ 200 milhões. No entanto, Batista alegou ter feito esquema com Silval para que a dívida não fosse cobrada. Dessa forma, o dono da empresa pressionou para que o ex-governador encontrasse uma solução.

“O Boni trabalhou com o Pedro Nadaf na confecção deste documento falso. Depois, o Boni assinou junto com o secretário ‘esquentando’ esse documento para entregarmos na Secretaria estadual”, revelou o delator.

“Fizeram outra lambança. A Secretaria de Fazenda desconsiderou o crédito. Então procurei o governador para exigir a solução”, disse Wesley.

Encurralado pelo dono da JBS, Silval determinou que o então secretário da Casa Civil falsificasse um documento estendendo o benefício do Prodeic (Programa de Desenvolvimento Econômico Industrial e Comércio) de um frigorifico da JBS de Diamantino, o único que tinha direito ao incentivo fiscal, para as sete unidades da companhia no Estado. No documento fraudado, todos os frigoríficos recebiam incentivos desde 2011, mesmo não tendo direito.

“O Boni trabalhou com o Pedro Nadaf na confecção deste documento falso. Depois, o Boni assinou junto com o secretário ‘esquentando’ esse documento para entregarmos na Secretaria estadual”, revelou o delator.

Mas o plano deu errado porque o Ministério Público Estadual (MPE) já havia movido uma ação contra a JBS, Nadaf e Silval, por improbidade administrativa, além de solicitar ao Judiciário o bloqueio de R$ 70 milhões nas contas dos investigados.

“Aí, em seguida, o governador terminou o mandato e foi preso junto com o Pedro Nadaf. Fizemos um acordo com Mato Grosso e pagamos tudo”, explica Wesley.

Silval, Nadaf e Marcel de Cursi (ex-secretário de Fazenda) foram presos em setembro de 2015, oito meses após deixarem os cargos, na Operação Sodoma 1 – que investigava a concessão ilegal de incentivos fiscais em troca de propina. Nadaf fez delação e foi solto, mas segue monitorado por meio de tornozeleira eletrônica.

Já o ex-governador e Cursi permanecem presos no Centro de Custódia da Capital (CCC).











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