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30.01.2017 | 17h25


PODERES / FRAUDES EM LICITAÇÕES

Empreiteiro admite que pagou R$ 96 mil a ex-servidor da Seduc

Empresário Ricardo Sguarezi diz ao Gaeco que fez vários repasses de propina ao réu Fábio Frigeri; no total, foram R$ 96 mil


DA REDAÇÃO

Em depoimento ao Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), na última quinta-feira (26), o empresário Ricardo Augusto Sguarezi, dono da Aroeira Construções e Relumat Construções, confessou ter pago a quantia de R$ 96.905,00 ao ex-servidor da Secretaria de Estado de Educação (Seduc), Fábio Frigeri, responsável pelo setor de engenharia da pasta, no primeiro ano do atual Governo. 

No termo de declaração prestado ao promotor Carlos Zarour e ao delegado Wylton Ohara, o empresário disse que, no início da gestão do governador Pedro Taques (PSDB), todos os contratos foram suspensos para auditoria e ele, que já possuía contrato de obras com o Estado desde 2005, ficou com cerca de R$ 200 mil retidos.

Por conta disso, ele teria ido até a Secretaria de Estado de Educação (Seduc) e conversado com Fábio Frigeri, então responsável pelo setor de engenharia e réu na ação penal.

No primeiro momento, Frigeri teria dito que acabara de assumir o cargo e que tomaria conhecimento da situação. Mas, em um segundo momento, teria começado a cobrança de propina.

“Em um dado momento, entre os meses de marcou e abril de 2015, Fábio Frigeri solicitou ao declarante que havia a necessidade de pagamentos de vantagens indevidas na ordem de 5% do valor a ser recebido”, diz trecho da declaração.

Inicialmente, Sguarezi não concordou, alegando que já havia concedido muitos descontos para poder vencer as licitações e que teria prejuízo com o pagamento de propina.

Mas cedeu após Frigeri lhe dizer que “caso não houvesse o pagamento, não haveria a liberação dos recursos”, conforme dizem os autos.

Questionado sobre o motivo da cobrança, Frigeri teria dito que era para "pagamento de uma gráfica e despesas de campanha", mas sem dizer de quem. 

Conforme já havia dito em audiência na 7ª Vara Criminal, em dezembro do ano passado, Ricardo Sguarezi começou a pagar a propina quando recebeu medições que estavam atrasadas e percebeu que, à medida que pagava a propina de 5%, os pagamentos de suas empresas começavam a “fluir”.

Pagamentos a Frigeri

Inicialmente, foram quatro pagamentos entre os dias 26 de fevereiro a 8 de maio de 2015, que somavam R$ 410.672,92.

A entrega de R$ 20 mil a Fábio Frigeri teria ocorrido no dia 16 de maio de 2015, na sala em que ele trabalhava na Seduc.

“Após o pagamento dessa vantagem indevida, o declarante notou que os pagamentos começaram a fluir”, diz trecho do documento.

Depois de pagar a propina pela primeira vez a Fábio Frigeri, entre os dias 22 de junho de 2015 a 4 de setembro de 2015, Ricardo Sguarezi obteve outros cinco pagamentos que estavam pendentes a suas empresas, que somaram R$ 620.999,74.

Desse montante, ele afirma ter entregue a Frigeri R$ 36. 905,00, pagos em dois cheques, sendo um no valor de R$ 16.905,00, emitido pela empresa Aroeira e entregue no dia 8 de setembro de 2015 e compensado dois dias depois.

O outro no valor de R$ 20 mil, emitido pela empresa Relumat, foi entregue no dia 9 de setembro de 2015 e compensado também dois dias depois.

Novamente, o pagamento da propina ocorreu na Secretaria de Estado de Educação.

Uma terceira rodada de dez pagamentos às empresas de Sguarezi ocorreram entre 16 de setembro e 28 de outubro de 2015. Os valores somaram R$ 792.823,84, montante de onde teriam saído R$ 40 mil em cheques para o ex-servidor da Seduc, Fábio Frigeri.

Os cheques teriam sido nominados a Ricardo Sguarezi a pedido de Frigeri.

Ao Gaeco, o empresário contou que chegou a questionar Fábio sobre como ele conseguiria descontar os cheques, ao que Frigeri teria respondido apenas: “Pode deixar comigo”.

Já em fevereiro de 2016, Sguarezi relatou que foi procurado em seu escritório, no bairro Cidade Verde, pelo ex-servidor, que afirmava precisar de dinheiro para quitar despesas pessoais, solicitando R$ 15 mil em espécie, que foram entregues no mesmo momento, já que o empresário dispunha de dinheiro no caixa da empresa.

Somando todos os pagamentos que recebeu, Ricardo Sguarezi teria obtido mais de R$ 1,8 milhão e pago R$ 96,9 mil. 

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(1) COMENTÁRIOS

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Pinoquio  30.01.17 21h47
Esse é o verdadeiro cara de pau, morre negando, mesmo todos ja terem assumido, verdadeiro mala...

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