23.05.2017 | 13h40


PODERES / FARRA DOS INCENTIVOS FISCAIS

Dono da JBS diz que promotora sabia que ele pagou propina milionária a Silval

Em depoimento à Justiça, Wesley Batista disse que a promotora Ana Cristina Bardusco soube do esquema de propina entre ele e o ex-governador depois que o MPE acionou a empresa, que devia impostos ao Estado.


DA REDAÇÃO

Entre as revelações da delação do dono da JBS, Wesley Batista, está que o pagamento de propina ao ex-governador Silval Barbosa (PMDB) era de conhecimento da promotora de Justiça de Mato Grosso, Ana Cristina Bardusco.

Ele contou aos procuradores-gerais da República que, em 2011, esteve com Silval e acertou a inclusão dos frigoríficos da JBS na política de concessão de créditos de ICMS do Estado. Dessa forma, R$ 74 milhões devidos pela empresa teriam sido “perdoados”, em troca de propina ao ex-governador, no valor de R$ 10 milhões ao ano.

Segundo Batista, ao final do mandato de Silval, em 2014, o Ministério Público do Estado (MPE) moveu uma ação de improbidade contra a JBS, devido ao pagamento de tributos fiscais não efetuados pela empresa, desde o ano de 2011. O montante de R$ 74 milhões foi bloqueado pela Justiça.

"Eu estive várias vezes com a promotora de Justiça que coordena isso, que é a doutora Bardusco, ela sabe do assunto", disse Wesley Batista.

“Eu estive várias vezes com a promotora de Justiça que coordena isso, que é a doutora Bardusco, ela sabe do assunto. Depois de um ano de discussão, nós fizemos um acordo com Mato Grosso e pagamos tudo o que nós tínhamos tido de créditos ilegais, em que pese eu falar pra promotora que o crédito só estava me colocando em igual condição com os outros”, disse o empresário, à Procuradoria-Geral da República.

Wesley Batista disse que devido à ação judicial fez acordo com o MPE e quitou a dívida junto ao Estado.

“Fizemos o acordo, pagamos tudo o que tínhamos no Estado, hoje nós não temos nenhuma pendência financeira, mas o processo lá continua, eles continuam investigando o assunto”, disse se referindo à ação que tramita na Vara de Ação Civil Pública e Ação Popular, em que são réus Silval, os ex-secretários Pedro Nadaf, Marcel de Cursi e Edmilson José dos Santos, a JBS e o executivo da empresa, Valdir Aparecido Boni.

"Eu fui claro o máximo que eu podia ser, ela sabe que eu fiz pagamento indevido, pagamos propina. Eu nunca neguei a ela que tinha alguma coisa errada, em que pese eu não falei o que estou falando aqui, os detalhes", explicou.

O empresário, no entanto, afirmou que a promotora não possuía detalhes do esquema, uma vez que houve fraude em documentos para que a empresa fosse beneficiada com incentivos fiscais pelo Estado.

“A procuradora sabe, eu fui claro o máximo que eu podia ser, ela sabe que eu fiz pagamento indevido, pagamos propina. Eu nunca neguei a ela que tinha alguma coisa errada, em que pese eu não falei o que estou falando aqui, os detalhes”, explicou.

Outro lado

Em nota, o MPE afirmou que os promotores de Justiça não vão se posicionar a respeito do assunto. A assessoria de imprensa da instituição reforçou a existência de uma ação civil pública e informou que o responsável pelo Núcleo de Defesa do Patrimônio Público vai requisitar cópia das delações para analisar qual medida poderá ser adotada.

“Já no âmbito criminal, as investigações continuam, inclusive, com a instauração de inquérito a respeito do assunto”, pontuou o MPE.

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(2) COMENTÁRIOS

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Gilstinho  24.05.17 14h47
Vixi..., até a promotora sabia e não fés nada antes! Parece que a casa ta caindo pra todo os lados. Aguardar pra ver que é inocente neste terremoto. Mais uma que não vai dormi tranquilo como eu durmo, ja que sou um joão ninguém e só ando de busuzão lotado..

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curioso  23.05.17 14h42
Será caso de prevaricação? Com a palavra o MP.

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