20.05.2017 | 14h15


PODERES / DELAÇÃO DA LAVA JATO

Dono da JBS detalha esquema de propina de R$ 30 milhões a Silval

Segundo delator, os R$ 30 milhões em propina da JBS foram pagos ao então governador Silval Barbosa (PMDB) em dinheiro vivo, com notas fraudulentas, empresas de faixada e até por meio de doleiros.


DA REDAÇÃO

Um dos donos da JBS, Wesley Batista detalhou, em depoimento aos procuradores federais da Operação Lava Jato, que iniciou os pagamentos de propina de R$ 30 milhões ao ex-governador Silval Barbosa (PMDB) em meados de 2010, logo após o político assumir o Palácio Paiaguás, na vaga do atual ministro da Agricultura, Blairo Maggi (PP). Os valores eram repassados em espécie, com notas fraudulentas, empresa de faixada e por meio de doleiros.

O repasse de dinheiro ilícito começou depois que o então governador alterou uma normativa da Secretaria de Fazenda que estabelecia uma cobrança diferente de empresas que atuam no mesmo segmento da JBS por estarem enquadradas do Programa de Desenvolvimento Econômico Industrial e Comércio (Prodeic). Com os negócios do grupo prejudicados, o empresário veio ao encontro do peemedebista no Palácio Paiaguás, em Cuiabá.

“Eu fui pessoalmente ao gabinete do governador Silval Barbosa e falei: ‘olha governador, do jeito que irá ficar agora é impossível. Uma meia dúzia e empresas do mesmo ramo que tem o incentivo que é Prodeic vão ficar pagando de zero a 1% e as outras 3,5%. Criou um desequilíbrio no setor”, argumentou o dono da JBS.

“Eu fui pessoalmente ao gabinete do governador Silval Barbosa e falei: 'olha governador, do jeito que irá ficar agora é impossível. Uma meia dúzia de empresas do mesmo ramo que tem incentivo, que é Prodeic, vão ficar pagando de zero a 1% e as outras 3,5%'. Criou um desequilíbrio no setor”, argumentou o dono da JBS a Silval.

No entanto, o político tinha uma solução, segundo o delator. “O governador disse: ‘tudo bem, vamos encontrar uma solução para vocês JBS para pagar similar aos outros que tem o Prodeic, em troca, um pagamento de propina’. Aí começaram os pagamentos”, contou aos procuradores.

Incialmente, Batista conta que Silval exigiu propina de 30% sobre o crédito na cobrança do ICMS oferecido a JBS, mas a porcentagem foi negada pelo dono da empresa. Segundo o delator, a partir desse momento, iniciaram as discussões até chegar ao consenso de que o governador e seu secretário receberiam metade da propina pedida.  “Acertamos R$ 10 milhões de propina por ano naquela oportunidade, que dava ao redor de 15%”, lembra Wesley Batista. 

Ainda de acordo com o empresário, os valores ilícitos não eram pagos diretamente a Silval. As parcelas da propina eram feitas à NBC Consultoria - empresa de faixada ligada ao ex-secretário da Casa Civil Pedro Nadaf, mediante nota falsa. A empresa também foi usada para receber propina de outras empresas investigadas na Operação Sodoma. 

Os valores também, segundo o delator, foram pagos por meio de intermediários desconhecidos e outros mediante nota ‘fria’ emitida por uma construtora de Rondônia, além de emissários enviados por Nadaf e Barbosa.

Ainda segundo Wesley, os pagamentos eram feitos todos os meses, em quantias que giravam em torno de R$ 800 mil.

A JBS pagou R$ 30 milhões ao ex-governador para receber incentivos de R$ 73 milhões em Mato Grosso. O valor foi divido em R$ 10 milhões por ano.

No entanto, investigação do Ministério Público Estadual (MPE) bloqueou bens dos envolvidos e a empresa foi obrigada a devolver os valores aos cofres públicos no fim de 2014.

Veja o vídeo completo:

 











(1) COMENTÁRIOS

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Ozelito Josetti de Oliveira  21.05.17 06h38
Uai! Ninguém comenta isso! Cade a Janaína Riva! Fala aí Janaína Riva! Só vê erros no Governo Pedro Taques! Diga aí! Sobre essa!

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