17.07.2019 | 11h55


ESCUTAS ILEGAIS

Deputados querem CPI dos grampos; Botelho irá convocar chefe do MPE

Procurador-geral de Justiça, José Antônio Borges será convocado pela Assembleia sobre possível envolvimento de promotores no esquema conhecido como “Grampolândia Pantaneira”


DA REDAÇÃO

O presidente da Assembleia Legislativa, Eduardo Botelho (DEM) admitiu que existe um grupo de deputados articulando para propor uma CPI [Comissão de Inquérito Parlamentar] sobre as escutas telefônicas clandestinas que ocorreram em Mato Grosso, na gestão do ex-governador Pedro Taques (PSDB) e que, de acordo com os réus, teria tido a participação de promotores do Ministério Público Estadual (MPE) no esquema.

"Existe um sentimento de alguns deputados de fazer uma CPI, e eu pedi para aguardarem, pois nós vamos pedir visita [na Assembleia] do procurador-geral [José Antônio Borges] para fazer alguns esclarecimentos aos deputados para tomarmos uma decisão depois", disse em conversa com a imprensa na Assembleia, na manhã desta quarta-feira (17).

Botelho, no entanto, não disse os nomes dos parlamentares que querem a CPI.

Na noite de terça-feira (16), durante sessão, a deputada Janaina Riva (MDB), que foi alvo dos grampos, pediu que o chefe do MPE preste esclarecimentos ao Parlamento, sobre o possível envolvimento de promotores nos grampos ilegais.

"Existe um sentimento de alguns deputados de fazer uma CPI, e eu pedi para aguardarem, pois nós vamos pedir visita [na Assembleia] do procurador-geral [José Antônio Borges] para fazer alguns esclarecimentos aos deputados para tomarmos uma decisão depois", declarou Botelho.

“Uma instituição que deveria constitucionalmente zelar pelos direitos dos cidadãos, teria patrocinado os grampos ilegais e violado o direito fundamental à privacidade de centenas de pessoas incluindo eu. Os fins justificam os meios? Quem são os mocinhos e quem são os bandidos?”, declarou na tribuna da Assembleia.

Botelho ainda marcará a data de convocação do procurador-geral de Justiça, na Assembleia, para esclarecer os fatos.

O cabo da Polícia Militar, Gerson Correa Junior, que é apontado como operador das escutas telefônicas ilegais em Mato Grosso, afirmou ter provas materiais contra os promotores de Justiça Marco Aurélio e Samuel Frungilo, que teriam feito “barriga de aluguel” para investigar clandestinamente a deputada estadual Janaina Riva (MDB), em 2015 (leia mais aqui).

Esquema

O esquema de grampos teria sido realizado entre o período eleitoral de 2014 e o final de 2016. A deputada estadual Janaina Riva (MDB), o advogado eleitoral José do Patrocínio, o desembargador aposentado José Ferreira Leite, o jornalista José Marcondes “Muvuca”, a publicitária Tatiana Sangalli, entre outros, tiveram seus números de telefone incluídos indevidamente em operações policiais.

Em depoimentos anteriores, o cabo Gerson Corrêa Júnior já havia confessado sua participação nas interceptações telefônicas ilegais e afirmado que o ex-secretário-chefe da Casa Civil e o ex-governador Pedro Taques (PSDB) seriam os “donos” do esquema. Gerson prestou vários depoimentos ao juiz Murilo Moura Mesquita, na 11ª Vara Militar de Cuiabá.











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