22.07.2019 | 07h00


GRAMPOS ILEGAIS

Depoimento de cabo da PM pode beneficiar réus da Operação Metástase

Advogados solicitam que Gerson Corrêa preste novo depoimento à Sétima Vara Criminal de Cuiabá, para confirmar suposto envolvimento de promotores em escutas ilegais


DA REDAÇÃO

Os advogados Valber Melo e Filipe Maia Broeto, que fazem a defesa de um dos alvos da Operação Metástase, que investigou o desvio de finalidade da verba de suprimento da Assembleia Legislativa, solicitaram novo depoimento do cabo Gerson Corrêa Júnior à Sétima Vara Criminal de Cuiabá sobre o caso. A medida pode resultar na anulação de parte do processo e beneficiar diretamente o ex-deputado José Riva e seus ex-chefes de gabinete, Geraldo Lauro e Maria Helena Caramello, que são réus na ação e foram presos por desvio de R$ 10 milhões dos cofres públicos através de "notas frias e clonadas".

 

O pedido se deve ao reinterrogatório do cabo, prestado na Décima Primeira Vara Militar de Cuiabá, na última quarta-feira (17), em que cita o suposto envolvimento de promotores do Gaeco [Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado] na prática de barriga de aluguel durante a operação. Essa modalidade consiste em inserir os dados telefônicos de uma pessoa em um caso no qual ela não é investigada.

"Se constatadas as ilegalidades, as interceptações deverão ser anuladas, o que produzirá reflexos em toda a operação", destaca os advogados nos requerimentos.

Ao , o advogado Valber Mello disse que no primeiro depoimento o cabo havia negado que promotores tinham praticado barriga de aluguel, mas que diante da mudança de versão é necessário que o juízo da Sétima Vara Criminal promova uma nova oitiva com o militar para esclarecer os fatos.

A defesa também solicitou acesso à íntegra das escutas telefônicas para que seja possível averiguar a cadeia de custódia das interceptações empregadas no processo oriundo da operação Metástase.

"Se constatadas as ilegalidades, as interceptações deverão ser anuladas, o que produzirá reflexos em toda a operação", destaca os advogados nos requerimentos.

Valber acrescentou que não irá revelar o nome de seu cliente que foi atingido pela operação do Ministério Público.

"É só por uma questão de preservação da imagem mesmo".

Entenda

Em seu novo depoimento, o cabo Gerson - que é apontado como operador das escutas telefônicas ilegais em Mato Grosso - afirmou ter provas materiais contra os promotores de Justiça Marco Aurélio e Samuel Frungilo, que teriam feito “barriga de aluguel” para investigar clandestinamente a deputada estadual Janaina Riva (MDB), em 2015. 

Ocorre que em março de 2015, o Gaeco do Ministério Público Estadual estava investigando o ex-presidente da Assembleia Legislativa José Riva, que havia acabado de deixar o mandato. Riva era investigado por uso indevido de verba de suprimento da Assembleia (atualmente extinta) para pagar viagens, mensalinhos para apoiadores políticos, formaturas e outras despesas pessoais. Ele seria preso por isso durante a Operação Metástase, deflagrada pelo Gaeco [Grupo de Combate ao Crime Organizado], em outubro daquele ano. Na época, segundo relato de Gerson, Janaina foi grampeada ilegalmente porque os promotores desconfiavam que ela estaria dando continuidade no esquema iniciado pelo pai. (leia mais AQUI).

Metástase

Primeira fase da Operação Metástase, em setembro de 2015, prendeu 22 pessoas entre servidores e ex-servidores da Assembleia Legislativa, acusados de envolvimento em desvio da verba, que era de R$ 4 mil mensais, para compra de suprimentos para gabinete, como papelaria, café, água e até papel higiênico.

 

Fraudes teriam ocorrido entre os anos de 2010 e 2014.

Veja a nota íntegra dos advogados:

A defesa de T. N. requereu a reinquirição do Cabo Gerson diante dos novos fatos trazidos à tona nos depoimentos prestados recentemente na vara militar, dando conta da prática de “barriga de aluguel” na citada “Operação Metástase”. O cabo Gerson já havia sido ouvido anteriormente, ocasião em que negara a prática de barriga de aluguel. Diante dos novos fatos e da colaboração prestadas pelo Cabo, os advogados Valber Melo e Filipe Maia Broeto requereram a reabertura da instrução criminal, para o fim de ouvi-lo novamente, bem como solicitaram acesso à íntegra das interceptações telefônicas para que seja possível averiguar a cadeia de custódia das interceptações telefônicas empregadas no processo em questão. Se constatadas as ilegalidades, as interceptações deverão ser anuladas, o que produzirá reflexos em toda a operação.

 











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