12.04.2017 | 11h20


LISTA DA LAVA JATO

Delator diz que Lúdio Cabral recebeu caixa 2 para campanha de 2014

O petista foi citado por Alexandrino Alencar que é ex-diretor de Relações Institucionais da empreiteira Odebrecht.


DA REDAÇÃO

O nome do ex-vereador por Cuiabá Lúdio Cabral (PT) está na lista de acusados de terem recebido recursos por parte da Empreiteira Odebrecht para manutenção de caixa dois, durante a campanha eleitoral de 2014 em que Lúdio concorreu ao cargo de governador de Mato Grosso e foi derrotado por Pedro Taques (PSDB).

A informação é do site O Globo e traz o despacho do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, relator da Lava Jato, com o depoimento de executivos da Empreiteira, Emilio e Marcelo Odebrecht, além de Alexandrino Alencar que é ex-diretor de Relações Institucionais do Grupo.

O nome de Lúdio aparece na delação de Alexandrino.

Os valores enviados à Lúdio não foram divulgados.

A equipe de reportagem tentou contato com o ex-vereador mas ele não atendeu, nem retornou as ligações. Por meio de nota ele disse que ainda está se inteirando dos fatos e em breve vai se posicionar.

As investigações do caso foram encaminhadas à Procuradoria Regional da 3ª Região. Pois o atual prefeito de Araraquara (município do interior de São Paulo), Edinho da Silva, estaria envolvido no suposto esquema.  

 

Blairo Maggi

Na terça-feira (11) o escândalo que repercutiu em Mato Grosso foi o fato do nome do ministro da Agricultura, Blairo Maggi estar na lista da Empreiteira Odebrecht e de ser investigado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Na lista do esquema, Blairo era citado como "Caldo". 

O apelido consta na delação  de João Antônio Pacífico Ferreira e Pedro Augusto Carneiro Leão Neto, executivos da empreiteira. Eles acusam Maggi de ter recebido R$ 12 milhões para a campanha ao segundo mandato de governador, em 2006. O Apelido "Caldo" seria referência ao famoso caldo de galinha.

No inquerito instaurado, Maggi será investigado por corrupção passiva, ativa e lavagem de dinheiro. 

 

Outros investigados

Além de Lúdio, outros oito petistas também teriam sido beneficiados no esquema de caixa dois, mantido pela Empreiteira que em troca buscava favorecimento político.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também teria sido articulador do pagamento de caixa 2 para a campanha do ex-prefeito de São Paulo (SP) Fernando Haddad (PT) à prefeitura de São Paulo, em 2012. O nome deles aparece na delação de Emilio e Marcelo Odebrecht, que apontam suposto esquema de caixa 2 para a campanha de 2012.

"Essas transações foram ajustadas entre executivos do Grupo Odebrecht, especialmente Marcelo Odebrecht, Emílio Odebrecht e Alexandrino de Alencar, e o ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva e outros integrantes do PT", diz trecho do despacho do ministro Fachin, à outras instâncias da Justiça.

Marcelo foi presidente do grupo, Emilio preside o Conselho de Administração e Alencar era diretor de Relações Institucionais.

Serão apuradas denúncias também contra os ex-ministros Aloizio Mercadante e Alexandre Padilha, os ex-deputados federais José Genoino e João Paulo Cunha, além do ex-prefeito de São Bernardo do Campo Luiz Marinho e o ex-tesoureiro da legenda Paulo Ferreira.

Sodoma

O ex-vereador Lúdio Cabral já é investigado desde fevereiro deste ano pelo Ministério Público Estadual (MPE-MT), por suposta prática de caixa dois, na campanha eleitoral de 2012, quando concorreu à Prefeitura de Cuiabá e perdeu a disputa para o ex-prefeito Mauro Mendes (PSB).

De acordo com a denúncia, Lúdio teria recebido R$ 1,7 milhão do total de R$ 8,1 milhões desviados do Governo do Estado por meio de esquema que foi apurado na quinta fase da Operação Sodoma.  

As articulações do esquema teriam sido feitas pelo então secretário de Estado de Administração, Francisco Faiad (PMDB), que era o vice de Lúdio na chapa da campanha municipal. 

 

Leia a nota de Lúdio na íntegra:

 

Estou em Mimoso hoje, durante o dia, trabalhando como médico e acabo de tomar conhecimento da inclusão do meu nome em petição encaminhada ao TRF 3ª Região com pedido de investigação relacionada a tal lista da Odebrecht. 

Não conheço o conteúdo da petição. 

Como inclui ainda os nomes de Edinho Silva e Mariton Benedito de Holanda, a petição deve tratar da campanha eleitoral de 2014, quando fui candidato a governador de Mato Grosso pelo Partido dos Trabalhadores. Os dois foram, respectivamente, coordenador financeiro da campanha presidencial do PT e candidato a governador de Rondônia nas eleições de 2014.

Assim que me inteirar junto aos órgãos competentes sobre o conteúdo da petição me posicionarei a respeito.

Lúdio Cabral, 12 de abril de 2017.

 

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