16.07.2019 | 18h35


ESCÂNDALO DOS GRAMPOS

Coronel Lesco cita ex-chefe do MP: 'Ele doou placas do sistema para grampear políticos'

O réu declarou que o ex-procurador-geral de Justiça Paulo Prado, do Ministério Público Estadual (MPE), foi o responsável por doar duas placas eletrônicas, que compõem o sistema Wytron


DA REPORTAGEM

O ex-secretário da Casa Militar, coronel Evandro Lesco revelou em depoimento ao juiz Marcos Faleiros, da 11ª Vara Militar de Cuiabá, no início da noite desta terça-feira (16), que o cabo Gerson Correa Junior lhe disse que o ex-procurador-geral de Justiça Paulo Prado, do Ministério Público Estadual (MPE), foi o responsável por doar duas placas eletrônicas, que compõem o sistema Wytron, usadas para grampear políticos, advogados, jornalistas durante o Governo Pedro Taques (PSDB). No entanto, não soube informar para quem foi repassado nem como os equipamentos chegaram aos militares acusados de arapongagem.

De acordo com Lesco foi a partir dessas placas que o esquema de escutas ilegais começou no Estado.

"Se as placas não tivessem sido doadas pelo procurador Paulo Prado nós não estaríamos aqui", declarou.

Durante a implantação da Grampolândia Pantaneira, o coronel confirma o depoimento de Zaqueu Barbosa em que usou dinheiro próprio, fez empréstimo e usou cheques para desenvolver o sistema Sentinela, no montante de R$ 40 mil.

"Quando era diretor de inteligência do Gaeco fui pressionado pelo coronel Zaqueu que daria suporte de interceptações telefônicas a pedido de Paulo Taques e o senador da República José Pedro Taques", revelou. 

"Se as placas não tivessem sido doadas pelo procurador Paulo Prado nós não estaríamos aqui", declarou.

Em pleno funcionamento, em 2015, Lesco conta que o então governador Pedro Taques (PSDB) mandou grampear seu vice, Carlos Fávaro, por questões políticas. O tucano queria saber quais tratativas seu aliado estava fazendo dentro do Governo do Estado. 

"Paulo Taques disse que houve determinação do governador Pedro Taques para grampear o vice-governador Carlos Fávaro", revelou.

Lesco narra ao magistrado que na manhã do dia em que foi preso, o então governador Pedro Taques reuniu os militares em seu gabinete, no Palácio Paiaguás, para tratar sobre os rumores de ocorreria uma operação no processo dos grampos. Muito nervoso, Taques teria ligado para o relator do processo no Tribunal de Justiça de Mato Grosso, desembargador Orlando Perri, para esclarecer a informação repassada por um policial militar. 

“Taques ligou para o desembargador Orlando Perri muito exaltado afirmando que não admitia oficial da PM ameaçar que haveria operação contra secretários, busca e apreensão”, contou o coronel. 

Naquele mesmo dia, o ex-secretário da Casa Militar foi preso na Operação Esdras, da Polícia Civil.

No depoimento, Lesco também confirmou a versão do cabo Gerson Corrêa de que dados telefônicos do ex-governador Silval Barbosa foram inseridos ilegalmente na Operação Ouro, deflagrada em agosto de 2015, que visava combater esquema de corrupção na Setas [Secretaria estadual de Trabalho e Assistência Social], que era comandada pela então primeira-dama do Estado, Roseli Barbosa.

O áudio em questão foi vazado pelos promotores à reportagem da TV Centro América, afilia a Rede Globo em Mato Grosso, que divulgou um diálogo comprometedor em que, supostamente o desembargador Marcos Machado atua para soltar a ex-primeira que havia sido presa na operação.

A informação foi repassada a Lesco por Gerson. O cabo disse que a coordenadoria do Gaeco teria solicitado a um agente da “Grampolândia” apenas o recorte dos áudios coletados no Sistema Guardião para serem armazenados em mídia móvel, “tipo pen drive, que posteriormente foi repassado em mãos ao coordenador do Gaeco, o promotor Marco Aurélio”. 

A medida, segundo Lesco, foi um claro vazamento seletivo com objetivo de beneficiar ações futuras do Gaeco contra o ex-governador Silval Barbosa, além de alegar suspeição contra o desembargador Marcos Machados.

Depoimentos 

Prestam depoimento nesta terça-feira e quarta-feira (17), ao juiz Marcos Faleiros, da 11ª Vara Militar de Cuiabá, por crimes militares relativos ao esquema de escutas telefônicas clandestinas, operado em Mato Grosso, o ex-comandante da PM, coronel Zaqueu Barbosa, o ex-secretário-chefe da Casa Militar, coronel Evandro Alexandre Ferraz Lesco e o cabo da PM Gerson Correa.

Todos são réus no processo. Esta é a segunda vez que os coronéis prestam depoimento e a terceira vez que o cabo presta declarações à Justiça Militar.

Também são réus o coronel Ronelson Barros, ex-adjunto da Casa Militar, e o coronel Januário Batista.

Esquema

O esquema de grampos teria sido realizado entre o período eleitoral de 2014 e o final de 2016. A deputada estadual Janaina Riva (MDB), o advogado eleitoral José do Patrocínio, o desembargador aposentado José Ferreira Leite, o jornalista José Marcondes “Muvuca”, a publicitária Tatiana Sangalli, entre outros, tiveram seus números de telefone incluídos indevidamente em operações policiais.

 

Em depoimentos anteriores, o cabo Gerson Corrêa Júnior já havia confessado sua participação nas interceptações telefônicas ilegais e afirmado que o ex-secretário-chefe da Casa Civil e o então governador Pedro Taques (PSDB) seriam os “donos” do esquema. Gerson prestou vários depoimentos ao juiz Murilo Moura Mesquita, na 11ª Vara Militar de Cuiabá.

Mais informações em instantes.











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