27.06.2017 | 18h02


PODERES / GRAMPOLÂNDIA

Coronéis que vazaram informações tiveram reunião antes na PGR, em Brasília

Documento mostra que coronéis presos por vazamento de informações sigilosas sobre o esquema de grampos estiveram na PGR, em Brasília, em busca de informações sobre inquérito



Fotos que circulam nas redes sociais e um documento oficial mostram que antes de vazar informações sigilosas a respeito de mandados de busca e apreensão e possíveis prisões contra secretários de Estado, o ex-corregedor da PM, coronel Alexandre Côrrea Mendes e o ex-diretor de Inteligência da corporação, tenente coronel Victor Paulo Fortes Pereira, estiveram reunidos com integrantes da Procuradoria Geral da República (PGR), em Brasília, para tratar sobre as investigações do esquema de escutas clandestinas, no âmbito da Polícia Militar de Mato Grosso, entre os anos de 2014 e 2015. 

Além de Mendes e Fortes, participaram do encontro o ex-comandante-geral da PM, Luiz Magalhães e o subchefe do Estado Maior da PM, coronel Heverton Mouret de Oliveira.

Um documento do dia 8 de junho em que o coronel Héverton de Oliveira pede ao então secretário-adjunto de Integração Operacional, coronel Marcos Vieira da Cunha, a liberação de uma aeronave “Baron”, do Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer), para que uma comitiva militar fosse ao Distrito Federal na segunda-feira (19 de junho) e depois até Goiania (GO) para tratar de assuntos pertinentes à corporação também confirma o encontro com os procuradores.

Vazamento de informação

Os coronéis Mendes e Fortes foram presos quatro dias depois da viagem à Brasília, após governador Pedro Taques (PSDB) denunciá-los ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) por vazamento de informações sigilosas, a respeito de mandados de busca e apreensão e possíveis prisões contra os secretários de Direitos Humanos e da Casa Militar, os coronéis da Polícia Militar, Airton Siqueira Júnior e Evandro Lesco. 

No documento, Taques revelou que dois oficiais da PM procuraram os secretários Siqueira Júnior, Lesco e da Casa Civil, José Adolpho Vieira, para que “se preparassem”, pois seriam alvos de uma operação de busca e apreensão e possíveis prisões, coordenadas pelo coronel Jorge Catarino de Moraes, que preside o inquérito militar de apuração do caso das interceptações clandestinas.

Os oficiais seriam o corregedor-geral da Polícia Militar, o coronel Alexandre Corrêa Mendes, e o diretor de Inteligência da corporação, o tenente-coronel Victor Paulo Fortes Pereira.

“Por não compactuar com vazamentos de informações sigilosas, quebra de segredo de Justiça e cometimento de crimes, pois, no mínimo, e, em tese, o corregedor e o oficial cometeram delitos de quebra de sigilo de informações, comunico à vossa excelência tais fatos para providência mister”, escreveu Taques ao presidente do TJ.

Na noite de segunda-feira (26), o juiz substituto da Vara Criminal Especializada de Justiça Militar de Cuiabá, Bruno de Oliveira Marques, determinou a soltura do ex-corregedor geral Alexandre Correa Mendes e do diretor de Inteligência da PM, tenente coronel Victor Paulo Fortes Pereira.

Prisões

Também na sexta-feira, o desembargador do Tribunal de Justiça do Estado, Orlando Perri, determinou a prisão do secretário chefe da Casa Militar, Evandro Lesco, por envolvimento no esquema de grampos ilegais no âmbito da Polícia Militar que monitorou políticos, advogados, empresários e jornalistas. Perri também determinou a prisão de outros três oficiais da corporação. (veja aqui).

Troca do comando da PM

Os vazamentos também culminaram na troca do comandante-geral da PM, Jorge Luiz de Magalhães, nesta sexta-feira. Assumirá o cargo, na próxima quinta-feira (29), o coronel Marcos Vieira da Cunha.

 

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