12.11.2019 | 10h40


ESQUEMA DE ARAPONGAGEM

Cabo dos grampos depõe e pode anular investigação do Gaeco

Defesa de um dos alvos da Operação Arqueiro apontou que depoimento de militares revelou interceptação ilegal em processo que investigou e prendeu Roseli Barbosa.


DA REDAÇÃO

O cabo da Polícia Militar Gerson Corrêa, que detalhou como funcionava o esquema de interceptações telefônicas clandestinas em Mato Grosso, deverá prestar depoimento na tarde desta terça-feira (12) na 7ª Vara Criminal de Cuiabá.

O depoimento do militar ao juiz Jorge Luiz Tadeu tem como finalidade detalhar como os grampos foram realizados durante a Operação Arqueiro, que desarticulou grupo criminoso que desviou dinheiro da Secretaria de Estado de Trabalho e Assistência Social, à época sob comando da ex-primeira-dama do Estado, Roseli Barbosa.

Neste processo, a ex-priemeira-dama é acusada de participar do esquema que gerou prejuízo estimado de R$ 8 milhões.

Gerson afirma que o Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), responsável pela investigação, grampeou os telefones de Roseli e do ex-governador Silval Barbosa de forma ilegal. Os depoimentos de Gerson foram feitos 11ª Vara Militar onde era julgado pelas escutas clandestinas.

A defesa de Nilson Farias, também alvo da Operação Arqueiro, foi quem formalizou o pedido para que o cabo fosse ouvido.

“As declarações do Coronel da Polícia Militar Evandro Alexandre Ferraz Lesco e do Cabo Gerson Luiz Ferreira Corrêa Júnior, perante o Juízo da Vara Especializada da Justiça Militar, deixaram claro que ocorreram irregularidades na interceptação telefônica que deu supedâneo a presente ação, na forma dos fatos narrados na Grampolândia Pantaneira”. 

Além determinar o depoimento de Gerson, o juiz Jorge Tadeu ainda autorizou que a defesa de Nilson tivesse acesso às mídias referentes à Grampolândia Pantaneira.

“DEFIRO o requerimento formulado pela Defesa de Nilson da Costa e Faria (fls. 16.088/16.094), concedendo vistas do incidente de interceptação telefônica, a fim de que a Defesa tenha acesso à íntegra das mídias, as quais se encontram disponíveis às partes no âmbito dos incidentes vinculados a esta ação principal”, escreveu o magistrado.

Caso fique provado que houve irregularidades, a defesa pode pedir anulação da Operação Arqueiro.

Denuncia do MP

Conforme noticiado pelo , o Ministério Público ofereceu denúncia contra o ex- coordenador do Gaeco, promotor de Justiça Marco Aurélio de Castro, por fazer interceptação telefônica clandestinamente.

Conforme a denúncia, o então coordenador do Gaeco quebrou segredo da Justiça, ao repassar a terceiros, não identificados, áudios à qual teve acesso em razão do cargo que ocupava.

“O diálogo em referência (com o desembargador Marcos Machado) sugeria, num primeiro momento, que o interlocutor de Silval da Cunha Barbosa estaria, de alguma maneira, tentando interceder perante a Corte de Justiça mato-grossense em favor de Roseli Barbosa que, por aqueles dias, por seus defensores, aviara um habeas corpus em busca da sua liberdade”, conta na denúncia.











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