27.05.2019 | 18h00


DELATOR SEM PROVAS

Brustolin afirma que Malouf manipulou a verdade por 'magoa' de ex-secretário de Taques

A declaração consta num documento registrado em cartório de São Paulo, em outubro passado.


DA REDAÇÃO

Em uma escritura pública declaratória registrada em um cartório de São Paulo, no dia 31 de outubro do ano passado, o ex-secretário de Estado de Fazenda Paulo Brustolin acusou o empresário Alan Malouf - sócio do Buffet Leila Malouf - de ter mentido no acordo de delação premiada com Ministério Público Federal (MPF), no âmbito da Operação Rêmora, que apurou desvio de dinheiro da Secretaria de Educação.

No documento, Brustolin defende o advogado e ex-secretário de Estado de Segurança Pública, Fábio Galindo, acusado por Malouf de ter pedido R$ 3 milhões para oferecer serviços que caracterizam tráfico de influência, perante o Gaeco e a então juíza Selma Arruda. Segundo o ex-secretário de Fazenda, a denúncia contra o advogado foi feito por mágoa já que ele se recusou assumir a defesa do empresário no caso.

O empresário estava "claramente chateado e magoado com Fábio Galindo que o orientou a fazer delação no Gaeco, mas disse que não iria ajudar e nem conversar com ninguém, que iria ficar fora disso".

“O declarante afirma que os fatos narrados por Alan Malouf no anexo XV da Pet 7490/STF são falsos. Que era o declarante quem Alan Malouf procurava quando queria falar com Fábio. Que é testemunha presencial de uma conversa entre ambos no seu apartamento”, diz trecho da escritura pública declaratória.

Em seguida, o ex-Sefaz afirma que quando Galindo deixou a gestão Pedro Taques (PSDB), em abril de 2016, se mudou para Brasília, com isso se desligou das relações de Mato Grosso.

“Por isso quando Alan insistia em falar com Fábio, procurava o declarante como intermediador", argumenta.

Em agosto de 2016, segundo Paulo Brustolin, depois da prisão do secretário Permínio Pinto, Alan passou a se mostrar muito apreensivo e insistia muito em falar com Galindo, mas não conseguia. Como sabia que Brustolin ainda mantinha contato com ex-secretário de Segurança pediu que ele marcasse um café em seu apartamento no bairro Goiabeiras, em Cuiabá, quando Galindo viesse ao Estado visitar a família.

“Que nesse período marcou o café em um final de tarde, tendo comparecido Alan, após chegou Fábio. No meio de outros assuntos, Alan passou a falar da Seduc. Que foi a primeira vez que Alan falou que tinha medo de ser envolvido na operação que prendeu Permínio Pinto, o que nos causou surpresa. Nessa ocasião, Alan alegou inocência, mas disse que tinha medo de o envolverem injustamente, pois, um dos presos era um empresário com contratos com a Seduc, casado com sua prima (Giovani Guizard). Fábio foi enfático com Alan orientando-o a se apresentar e esclarecer os fatos. Lembre-se que Fábio insistia que, se Alan estivesse certo, era para comparecer como testemunha, e se estivesse errado era para se antecipar e fazer uma delação, mas deveria se explicar. Que o tema foi rápido, logo mudou de assunto”, diz outro trecho do documento.

“Alan manipulou completamente a verdade de suas declarações. Que acredita que Alan ficou muito magoado por Fábio não ter lhe ajudado na delação no Gaeco no final de 2016. (...) Que está disposto a ratificar o presente depoimento em qualquer juízo ou Tribunal”.

Em outubro de 2016, Brustolin conta que o empresário estava muito angustiado e perguntou se Fábio Galindo tinha interesse em voltar para Cuiabá. O então secretário de Fazenda disse que sim.

“Que Alan então falou ao declarante para ver se Fábio tinha interesse em voltar para Mato Grosso e advogar pedindo para o declarante fazer uma proposta de 100 salários mínimos de promotor como garantia contratual de sua saída do Ministério Público de Minas Gerais”, declarou o ex-secretário da Sefaz.

A proposta, de acordo com o documento, foi recusada por Fábio Galindo. No entanto, com a insistência do empresário houve um segundo encontro ente Malouf e Galindo em Brasília.

Como ocorreu nova negativa, o empresário ligou para Paulo Brustolin por WhatsApp para agradecer a articulação do encontro, porém, demonstrava “claramente chateado e magoado com Fábio Galindo que o orientou a fazer delação no Gaeco, mas disse que não iria ajudar e nem conversar com ninguém, que iria ficar fora disso”.
O ex-secretário de Fazenda disse ainda que “Alan manipulou completamente a verdade de suas declarações. Que acredita que Alan ficou muito magoado por Fábio não ter lhe ajudado na delação no Gaeco no final de 2016. (...) Que está disposto a ratificar o presente depoimento em qualquer juízo ou Tribunal”.

'Denúncia vazia'

No início do mês, a defesa do empresário Alan Malouf, delator da Operação Gran Vizir, não conseguiu atender uma determinação do juiz Marcos Faleiros da Silva para apresentar documentos que comprovem as acusações contra o coordenador-geral do Gaeco, Marco Aurélio Castro, a juíza aposentada e atual senadora, Selma Arruda, que o condenou, quando respondia pela 7ª Vara Criminal, e o advogado Fábio Galindo.

A situação ocorreu após pedido de provas, feito pela Justiça, para comprovar que Galindo teria oferecido serviços que caracterizam tráfico de influência. Veja aqui.











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