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11.06.2017 | 12h00


PODERES / DEU NO O GLOBO

Blairo cita crise por monopólio e diz que BNDES errou ao dar muito dinheiro à JBS

A avaliação do ministro da Agricultura é que com o monopólio de frigoríficos, os pecuaristas se tornaram reféns da JBS, o que gerou crise no setor.



Em entrevista ao jornal O Globo, divulgada neste domingo (11), o ministro da Agricultura Blairo Maggi (PP), ex-governador de Mato Grosso, fala sobre a crise que assola o setor da pecuária, que se tornou refém do Grupo JBS, detentor do maior número de plantas de frigoríficos. 

Blairo critica a ação do BNDES que por ações financeiras, facilitou o monopólio da empresa.

Confira a entrevista na íntegra

O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, defende que fábricas arrendadas à JBS voltem a fazer abates, inclusive com a ajuda do BNDES. Ele diz que as concorrentes Minerva e Marfrig estudam reabrir unidades fechadas.

O BNDES teve culpa na concentração do mercado nas mãos da JBS?

O BNDES errou por dar muito dinheiro para a JBS. Eles foram adquirindo outras empresas, adquirindo plantas no interior, comprando aqui e ali, e concentrou demais o negócio. Houve o fechamento de várias plantas no Mato Grosso, por exemplo. Foi ruim social e economicamente.

De que forma o pecuarista está sendo afetado?

A maioria dos pecuaristas não tem para quem vender, porque em determinadas regiões só tem a JBS. O concorrente está muito longe. Para transportar gado para muito longe, há problemas de perda de peso dos animais, você machuca o gado. Dá prejuízo para todo mundo.

O que o governo está fazendo para contornar o problema?

Tenho conversado com vários donos de frigoríficos que estão arrendados à JBS sobre a possibilidade de eles reverem e anteciparem os contratos. Se não for possível, que no fim do contrato de arrendamento eles mesmos voltem à atividade. Para isso, será preciso que o BNDES reabra um pouco mais. Da mesma forma que o banco facilitou para a JBS ficar grandona, teremos de arrumar linhas de crédito para que os pequenos fiquem vivos. Pedi ao meu pessoal para fazer um diagnóstico dessas plantas, que será levado ao BNDES.

Os pecuaristas já estão tendo prejuízos?

Boi no pasto não se perde. Mas quem tem confinamento tem prejuízo. Quem está com os bois confinados tem que dar alimento todos os dias para esses bois, e todos os dias eles ganham peso. Se você não consegue vender, chega num ponto em que a conversão vai ficando mais difícil. Você dá mais comida e ele ganha menos peso. Se já está gordão, você dá comida só para ele se manter.

Os concorrentes não podem suprir essa lacuna?

Há um movimento de outros frigoríficos que não são tão grandes como a JBS, que também têm algumas plantas fechadas e vão reabrir. A Minerva pensa em se mover nessa direção. Marfrig também. O Banco do Brasil abriu uma linha de crédito para retenção de bovinos no pasto, porque a comercialização está muito lenta.

O senhor teme uma crise maior no setor?

O que mais me preocupa é a saúde financeira da JBS. Eles também são muito fortes em leite, frangos e suínos. Se houver uma parada na comercialização de suínos e aves, a situação se agrava. Os integrados à JBS (produtores que recebem os leitões, engordam e depois vendem para eles) estão muito preocupados. Mais grave ainda é o mercado de aves, que é bastante rápido. Depois que nasce o pintinho, ele é transferido para as granjas e em 45, 50 dias, já está pronto. Se houver um blecaute qualquer, a perda será enorme.

 

 











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