19.09.2019 | 17h00


RENÚNCIA E SONEGAÇÃO FISCAL

Após requerimento de Dilmar, depoimento de doleiro em CPI passa ser secreto

A proposta do deputado Dilmar Dal Bosco, com anuência de membros da CPI, deixou o presidente da Comissão, deputado Wilson Santos, revoltado.


DA REDAÇÃO

O depoimento do doleiro Lúcio Funaro à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Renúncia e Sonegação Fiscal, na tarde desta quinta-feira (19), na Assembleia Legislativa, iniciou tumultuado.

Inicialmente, a sessão seria aberta com transmissão ao vivo na TV e rádio do Legislativo, mas, por três votos a um, os membros da CPI aprovaram o requerimento para que o depoimento ocorresse de forma secreta.

O pedido foi apresentado pelo deputado Dilma Dal’Bosco (DEM) que é suplente da comissão, mas assumiu o posto titular na vaga de Carlos Avalone, em conjunto com os deputados Janaina Riva (MDB) e Nininho (PSD) para que o doleiro fosse ouvido apenas pelos membros da CPI.

Wilson disse que a manifestação o pegou de surpresa. Ele lembrou que na Casa tramita um projeto que acaba com o voto secreto e disse que a decisão vai à contramão do pedido de transparência do Legislativo.

“Como suplente desta comissão e titular na ausência do membro titular eu fiz uma consulta, hoje de manhã no plenário e pedi ao deputado Nininho e Janaina, até então não sabia da substituição do deputado Max [Russi] quem seria, e três em conjunto encaminhamos uma consulta a Procuradoria da Assembleia Legislativa. Preocupado, eu, como sempre cautelo e assim sempre possível nas atitudes e medidas adotadas no parlamento, até porque trata de uma CPI, uma investigação, e o foco é investigar e não é holofote pra CPI”, justificou Dilmar.

Ainda segundo o deputado, a Procuradoria sugeriu três opções: sessão secreta, suspensão ou desistência de oitiva ou que o depoente eximisse de comentar fatos relatados em delação.

Após o anúncio de Dilmar, Wilson disse que a manifestação o pegou de surpresa. Ele lembrou que na Casa tramita um projeto que acaba com o voto secreto e disse que a decisão vai à contramão do pedido de transparência do Legislativo.

Segundo Dilmar Dal'Bosco, a Procuradoria da Assembleia sugeriu três opções: sessão secreta, suspensão ou desistência de oitiva ou que o depoente eximisse de comentar fatos relatados em delação.

“O senhor Lúcio Funario encontra-se nesse ambiente, não colocou nenhum óbice ou dificuldade para aparecer até porque na sua delação premiada com a Procuradoria da República ele se comprometeu a contribuir com qualquer processo investigatório. Esta convocação não aprovada somente pelo presidente, pelos três deputados presentes, deputado Nininho, deputada Janaina e Wilson Santos”, disse.

“Já depôs na CPI do BNDS na Câmara dos Deputados, foi esse depoimento público, lá foi aberto, que despertou a consciência da necessidade de convocá-lo e ele foi legalmente convocado, respeitosamente, compareceu. Não vejo nenhuma necessidade de fazer uma sessão secreta, tendo em vista que após a sessão secreta ele pode perfeitamente conceder uma entrevista coletiva a imprensa e prestar todas as informações que a imprensa quiser”.

Logo após, Wilson pediu para que Funaro comentasse se queria ou não prestar depoimento de forma secreta, momento em que foi interrompido pelo deputado Dilmar que pediu para que os membros votassem o requerimento.

Em resposta ao presidente da CPI, o doleiro disse que já depôs em outras comissões parlamentares de inquéritos e não se sentia constrangido ou ameaçado caso o depoimento fosse aberto.

“Tenho uma experiência no mundo político que ultrapassa 20 anos. Já depus em várias comissões parlamentares de inquéritos em âmbitos estaduais e federal e nunca teve sigilo em nenhuma CPI ao qual compareci. Não me sinto constrangido, nem ameaçado, relatar qualquer fato das quais presenciei. Tive contato porque é a verdade e acho que a verdade tem que prevalecer dentro dessas Casas e tem que ser de conhecimento público”, frisou.

Em seguida, Wilson iniciou a votação do requerimento entre os membros da CPI que, por três votos contra um, transformaram a sessão em secreta. Os deputados irão ouvir Lúcio Funaro em uma sala somente com a presença dos parlamentares e assessores da CPI.

 











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