14.06.2012 | 08h46


HELDER CALDEIRA

Zé Mefistofélico



Faltando alguns dias para o início do histórico julgamento do Mensalão pelo Supremo Tribunal Federal, fico imaginando como estaria o Brasil se os ditos “confrades da grande mídia” – como adora apregoar o agora claustro-claudicante senador-impeachment – não tivessem assumido a responsabilidade da denúncia e da informação e o maior esquema político-institucional de corrupção da história ainda estivesse malocado nos subterrâneos da Praça dos Três Poderes. Hoje, certamente, o país seria muito diferente.

O ex-presidente Lula da Silva, vitimado pela cegueira dos arrogantes, age como tolo quando tenta apagar das páginas policialescas o roubo monumental promovido no seu reinado em nome de uma suposta causa. Não fosse o escândalo do Mensalão, o doutor honoris causa multiplex Lula-Fausto estaria hoje ardendo nas profundezas do inferno e jamais teria encontrado o amor presidencial de sua Dilma-Gretchen. Não fosse o valentim cantador Roberto Jefferson, hoje o supremo mandatário da Cuba-Cabrália seria o Zé Mefistofélico.

Tal qual a rima de um verso trágico de Goethe, negar o Mensalão é pecar contra a salvação. Bem disse, recentemente, o deputado federal Osmar Serraglio – relator da famigerada CPI dos Correios (2005/2006) – o primeiro-ministro José Dirceu “confinava o migrante de Garanhuns à sua dimensão sindical, tutelando-o, como se lho devesse ser o sucessor mais do que natural, inexorável, razão porque já atapetava a caminhada, fazendo-se onipresente e onisciente nas grandes decisões nacionais”. Em suma: para Zé, Luiz Inácio sempre foi o parvo-bocó a servir-lhe de escada rumo aos píncaros do poder e da glória. Mefistofelicamente, os fins justificariam quaisquer meios, quaisquer crimes. E, hoje, a faixa verde e amarela cingiria o peito do Zé.

Diante do fim clássico destinado aos facínoras, Zé Mefistofélico tenta reeditar, em larga escala, o arreamento a que jungira Lula da Silva. Conclamou a plateia de estudantes socialistas (leia-se “filhinhos-de-papai em crise existencial”) a sair às ruas em sua defesa, na derradeira tentativa de construir um novo exército brasileiro de guerrilha paramilitar. Seria uma espécie de Marcha da Impunidade. Irmanada na teoria de que desvios de dinheiro público em nome de “causas” – ou “causos” – seja legítima, talvez a silenciada União Nacional dos Estudantes (UNE) possa deixar de lado as notas fiscais congeladas da cachaçada e sair em socorro romântico ao Zé, como sua Tropa de Choque Infernal. “Ou não”, diria o bom senso do supramencionado senador-impeachment, em momento nada saudosista.

Tudo que se espera da Suprema Corte brasileira é que, a 1º de agosto de 2012, os 11 ministros togados possam dar início a um julgamento estritamente baseado nos autos, como diz desejar o próprio José Dirceu. Condecorado pelo procurador-geral da República com título honorífico de “Chefe da Quadrilha”, apenas isso deverá lhe render confortáveis anos no xilindró. Quem sabe o ato final desta balbúrdia possa chegar exatamente a 07 de setembro, Dia da Independência do Brasil. Deixaremos de louvar o Grito do Ipiranga por um novo brado: “Cantemos em coro, da vitória a palma, o ar está puro: respire esta alma!”.

*Helder Caldeira é escritor e jornalista político.

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