21.06.2019 | 08h04


VICENTE VUOLO

VLT é sucesso no mundo

É muito importante que a gente insista na continuidade do modal em Várzea Grande e Cuiabá

As principais cidades do mundo caminham a passos largos para o desenvolvimento sustentável. É um novo ciclo de desenvolvimento de cidades inteligentes dotadas de alta tecnologia para melhorar a qualidade de vida das pessoas.

Só a Alemanha investiu R$ 500 bilhões em 2017 em tecnologias verdes, de turbinas eólicas e prédios com energia solar até veículos elétricos e incineradores de lixo. Lá a prioridade é o caminho sobre trilhos. Só em Berlim, a ferrovia é uma das mais extensas do mundo com 200 quilômetros e transporta por ano mais de 160 milhões de passageiros. A sua rede de transportes de massa é composta por trens de superfície (S-Bahn) e trens subterrâneos (U-Bhan), sendo complementada pelos Trans (VLT) com 22 linhas.

Outras cidades europeias, também, utilizam o metrô + VLT + bicicleta como uma das melhores formas de se locomover, ainda mais que existem bicicletários em todas as estações. O raciocínio é simples: o ônibus é poluente, tem pneus que rodam no asfalto, que é petróleo. Os veículos que rodam a combustível fóssil estão sendo retirados das cidades inteligentes.

O VLT em Madri, operado pela empresa de transporte público “Metro Ligero” tem 3 linhas e 35 estações do Veículo Leve sobre Trilhos que alcançam a extensão de 27,7 quilômetros, sendo que o metrô possui 283 km com 300 estações. A cidade do Porto, em Portugal, com apenas 250 mil habitantes possui um total de 70 km de linhas comerciais duplicadas do VLT.

O crescimento do número de passageiros do VLT de Barcelona tem sido constante desde o início das operações, tendo transportado 26,8 milhões de passageiros durante 2016. Em quase 13 anos de serviço do TRAM, mais de 277 milhões de passageiros tem utilizado o VLT de Barcelona. Já o VLT de Paris, inaugurado em 2012, cerca de 170 mil usuários usam diariamente o VLT que contorna a capital francesa com 22 km de extensão. É o modal complementar ao sistema metroviário (um dos mais antigos do mundo) com 303 estações, espalhadas por 214 quilômetros de trilhos que transportam mais de 1,5 bilhões de passageiros por ano.

A visão estratégica dos ingleses merece ser registrada. Com mais de 150 anos, o metrô tem capítulos de pioneirismo em tecnologia sobre trilhos. O metrô de Londres foi o primeiro sistema metroviário do planeta. Atualmente, é o terceiro maior em extensão (depois do metrô de Xangai, na China) com números impressionantes: 400 km de extensão, 270 estações, 11 linhas, 4.070 veículos e mais de 2 milhões de passageiros diários.

Mesmo com toda essa infraestrutura ferroviária, Londres decidiu investir no VLT por várias razões: permite percorrer curvas apertadas; poupam energia, visto que não precisam de iluminação de estações (plataformas e corredores) durante o dia; podem-se aproveitar velhas redes de caminho de ferro, que estejam em serviço quer estejam abandonadas. Um belo exemplo é o moderno “trem da Costa” de Buenos Aires ou o TRAM Metropolitano de Alicante (Espanha) no trecho de Luceros a Benidorm.   

Observando o que está sendo feito no mundo, fica mais claro quais caminhos devemos seguir. Todos os países desenvolvidos estão construindo ou ampliando suas redes urbanas de VLT associado com facilidades e incentivos para que as pessoas caminhem e pedalem.

O modelo das cidades cheias de automóveis, ônibus e caminhões já chegou ao fim. Esse modelo prejudica o meio ambiente e faz muito mal à saúde física e mental das pessoas.

Por isso, é muito importante que a gente insista na continuidade do VLT Várzea Grande e Cuiabá como parte de um projeto mais arrojado de transformação das cidades em lugares mais saudáveis e criativas. Do contrário, o seu sepultamento será, com certeza, o maior retrocesso da história de Mato Grosso.

VICENTE VUOLO é economista e cientista político. 

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