27.02.2012 | 08h25


JOSIAS LEMES

Vinte e oito de fevereiro



Data de pouca importância/conhecimento pela maioria da população, mas que aos poucos está sendo difundida. Bom seria se os sindicatos de trabalhadores e patronais priorizassem mais esta data: Vinte e Oito de Fevereiro trata-se do “DIA INTERNACIONAL DE COMBATE E CONSCIENTIZAÇÃO ÀS LESÕES POR ESFORÇOS REPETITIVOS e DISTÚRBIOS OSTEOMUSCULARES RELACIONADOS AO TRABALHO (LER/DORT)”.

Priorizassem para o despertar de combater as negativas que causam as incidências dessa doença ocupacional que está sendo uma epidemia. Os primeiros casos que temos conhecimento são de meados dos anos 1980. Neste período muitos trabalhadores foram diagnosticados equivocadamente com outras patologias.

Na CID (Classificação Internacional de Doenças) tem o nome de TENOSSINOVITE, mais conhecida como “doença do digitador” por acometer no princípio esta categoria. No estágio mais avançado são fortes dores com inchaço e avermelhidão na mão/punho/antebraço que deixam qualquer profissional deprimente. Foi necessário intervenção de muitos sindicatos de trabalhadores para orientar e encaminhar os acometidos para os médicos, que também estavam sem conhecimentos básicos sobre a patologia clínica por ser uma “doença nova”.

No mês de maio de 1995 fiz o primeiro exame de ELETRONEUROMIOGRAFIA na cidade de Campo Grande (MS). Foi uma “tortura”, pois consiste em introduzir na mão/punho/antebraço pequenas agulhas interligadas num aparelho especial para detectar possíveis inflamações dos tendões através de “choques”. Não foi nenhuma surpresa no meu caso.

Pequenos sinais constaram no exame que foi necessária minha mudança de função de Digitador para Agente Administrativo, aprovada pelos médicos da Perícia Médica do então IPEMAT. Hoje vemos vários profissionais de caixas de instituições financeiras e comércios em geral, jornalistas, digitadores, analistas de sistemas e outros em algum estágio da doença, que vai de um a quatro. Aos primeiros sintomas consulte com médico especializado, conte tudo o que você sente, a hora que começa e como são as dores. Muitos sentem formigamento e calor localizados e perdem a mobilidade da mão/dedos, popularmente chamado de “mão boba”.

Quem já foi ou está acometido sabe muito bem a fadiga que causa: a pessoa não consegue segurar o pente para pentear os cabelos, tomar banho, vestir roupas, segurar uma caneta, etc, etc. Em agosto/2006 tive uma hipercrise de dores que minha mão ficou igual sapo inchado, cheguei aos extremos e aconteceu o inimaginável: senti “sufocado” no quarto escuro e sensação de suicídio. Fiz inúmeras consultas com vários médicos que no começo não sabiam o que era nem o que fazer. Um deles afirmou que “é Hanseníase na certa” de tão avermelhada e inchada que estava minha mão. Fiquei mais apavorado, mas os exames para esta suspeita não acusaram nada.

Um profissional acometido por LER (leia-se lér) causa transtorno/prejuízo para o trabalhador e empregador. O primeiro pelas idas e vindas a consultórios médicos e INSS; o segundo tem que substituir o lesionado por outro que às vezes não sabe fazer aquele trabalho sendo necessário treinamento urgente, etc. As duas categorias mais afetadas são os profissionais de processamento de dados e bancários, principalmente digitadores e caixas. As mulheres são as mais acometidas pela dupla e até tripla jornada de trabalho (casa/trabalho). Em Cuiabá (MT) o índice desses profissionais na perícia médica do INSS é assustador.

Nos órgãos públicos e empresas privadas já houve melhorias com a ergonomia, mas há que serem feitas mais fiscalizações e denúncias. Denúncias não com intuito de punição, mas sim para que sejam feitas as adequações dos mobiliários, iluminação, temperatura, orientações das posturas corporais, intervalos intercalados de descansos e lay out dos ambientes de trabalho.

A Delegacia Regional do Trabalho (DRT) e o Ministério Público do Trabalho (MPT) são as instâncias que os trabalhadores e sindicatos devem encaminhar tais solicitações. E que todos possam trabalhar com saúde sem nenhum problema advindo de desorganização estrutural, corporal e equipamentos inadequados. Muitas empresas estão humanizando os ambientes de trabalho com quadros de pintura, plantas e boa música. Não deixando de investir em treinamentos, incentivos salariais, etc. Bom seria se não precisássemos de nenhum dia de conscientização de combate a esta ou aquela doença ocupacional e que os ambientes de trabalho fossem mais humanizados em tudo: relacionamento e compreensão interpessoais e mobiliários adequados. Cuiabá (MT) 26.02.2012, domingo.

Dica: na http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/lista_doencas_relacionadas_trabalho.pdf você encontra a Lista de Doenças Relacionadas com o Trabalho do Ministério da Saúde instituída pela Portaria Nº. 1339/GM em 18 de novembro de 1999. As Doenças do Sistema Osteomusculares do Tecido Conjuntivo, Relacionadas com o Trabalho estão na página 26.

(*) JOSIAS LEMES RODRIGUES é Agente Administrativo / Cepromat. E-mail: josias.lemes@hotmail.com

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