01.12.2011 | 09h30


WILSON CARLOS FUÁ

Um século depois, será que nada mudou?



 

A humildade é a própria leveza do estado das pessoas, os humildes trazem consigo a pureza da alma, em sua veste não impõe destaque aos olhos, mas o pensamento e atitude que os elevam em forma de exemplos de bondade a serem seguidos; as pessoas humildes devem ser respeitadas e tratadas com muito cuidado e delicadeza, porque são pessoas especiais, porque vieram ao mundo para contribuir com a nossa evolução material e elevação espiritual.
 

Por aqui, contam uma história que no início do século passado um político, entrou no antigo restaurante de Cuiabá chamado  “A Camponesa”, com vários assessores e cabos eleitorais, para comemorar mais uma vitória, e pela anarquia e pela grandiosidade da festa devia representar a conquista de alguns pedaços  do paraíso administrativo do estado ou do país.  


E por se entender de uma importância imensurável, o assessor chefe, visualizou um senhor humilde sentado na última mesa, com uma vestimenta simples e cabeça baixa e pensativa, não agradou a  comitiva.


E no sentido de preservar o político de qualquer incômodo, disse:


- meu rei, meu Deputado, vamos retirar esse Ser insignificante daqui?


O Assessor dirigiu-se a direção do restaurante “A Camponesa” e disse: alguém poder tirar aquele Ser desprezível daqui?        


Mas o Deputado impediu, e disse: aquela criatura servirá para distrair-nos durante a nossa festa, podemos fazer gracejos e humilhá-lo, e como aqui não tem palhaço e vamos transformá-lo no  bobo da nossa festa, vai produzir grandes gargalhadas.


E, assim foi, durante toda a festa, foram dirigidos muitos insultos e muitas provocações ao cidadão humilde, muito gracejo, humilhações e atos desrespeitosos a aquela figura aparentemente frágil que ficou sem reação.


Quando chegou ao fim da festa, todos felizes pelas gargalhas e bebedeiras, o Deputado viu muitas pessoas do lado de fora a esperar o cidadão humilde que estava a alimentar lá dentro do restaurante, e perguntou ao líder  deles, que movimento é esse?


Estamos reunidos aqui na rua para fazer uma surpresa para ele, aquele senhor que está lá dentro é um frei. E hoje é o seu aniversário e viemos dar um abraço nele, ele é muito humilde, mais tem uma elevação espiritual muito grande e nos dará benção a todos nós que temos o maior carinho pela sua Obra e pelo seu jeito de ser. Ele tem milhares de seguidores.  Costumeiramente é encontrado ali pela Rua Candido Mariano, passando pelo Armazém do Sr. Doca (o alemão) e costuma receber as pessoas na praça da Boa Morte, tem   um enorme carisma e ele se  responsabiliza  por  grandes Obras sociais,  seus trabalhos com pessoas carentes é enorme.  Deputado: fique sabendo que ele até ajudou na sua eleição.


Os olhos do Deputado cresceram, e ele voltou rapidamente ao recinto do restaurante “A Camponesa”, e dirigiu-se ao Frei, que humildemente e delicadamente lhe atendeu, e disse:


- Peço perdão pelas  brincadeirinhas que fizemos com o senhor, e nesse dia especial da sua vida, peço encarecidamente que nos abençoe antes daquele povo sórdido que está lá fora, nós somos os seus verdadeiros amigos.


O frei levantou-se, e na sua bondade olhou no fundo dos olhos do Deputado lhe disse: em nome do Senhor Jesus,  eu  posso  abençoá-lo, mas não posso perdoá-lo. Nos momentos em que eu estava recolhido elevando meus pensamentos, neste cantinho do restaurante, eu estava “sem querer” representando todos os homens humildes que sofrem por falta de alimento no mundo inteiro, repito no mundo inteiro.


Agora para lhe esclarecer: eu vos digo que só Deus na sua bondade infinita pode conceder o perdão que agora me pede, e porque naquele momento eu estava agradecendo pela refeição recebida e representando todos os humildes do mundo na forma de oração de agradecimento, lhe digo:  “para receber o seu perdão Deputado, o senhor deverá percorrer cada pedacinho da terra, e ajoelhar-se diante de cada cidadão humilhado que encontrar, e diante de cada um  deles  pedir o seu  perdão”.


Alguns políticos, “fino do fino”, confundem os seus papeis no teatro da vida, e quando ao receber a diplomação TRE, se acham um poderoso e não  entendem  que após essa solenidade ele terá que exercer  uma missão, e ao invés de missão, mudam as suas ações de missão para  enganações, jogando a Ética na lata do lixo.  Não aprende que sobre ele está depositada a maior honraria que um cidadão possa dar a outra pessoa, ou seja, o voto em forma de procuração.


Porém, o importante é entender que a vida não se limita em nascer, crescer e morrer, existe algo mais que  precisamos fazer diante das  limitações e insignificâncias  que somos, se as prestações de contas aqui não são analisadas e lá em cima serão cobradas.

 

Economista Wilson Carlos Fuá – É Especialista em Administração Financeira e Recursos Humanos

Fale com o autor: fuacba@hotmail.com

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