08.12.2019 | 07h55


OPINIÃO / GIANA BENATTO

Um brinde às amizades

Permitamos que este amigo encontre em nós o refúgio que precisa também.

Diz o ditado que quem tem amigos têm tudo. Não trata o ditado de conhecidos, colegas de trabalho e de equipe. Se refere, como diz Milton Nascimento de “amigo para se guardar do lado esquerdo do peito... mesmo que o tempo e a distância digam não”. A vida passa e em seu decorrer conhecemos milhares de pessoas.

Algumas passageiras, outras permanentes. Algumas, turbulência; outras remanso. Algumas nos ensinam, outras nos enganam. E, os amigos? Ah, estes estarão lá conosco. Conosco dentro do coração. Conosco dentro da tela do computador. Em foto. Em muitas lembranças. Pode ocorrer de que a distância física seja de muitos anos, mas os encontros, quando acontecerem, serão como de infância. Repletos de risadas, de abraços, brincadeiras e confidências.

Tem aqueles que, desconfiados de gente, conseguem nos animais de estimação seus melhores amigos. Certo? Errado? Jamais. Entretanto, a interatividade social que reuniões com os amigos proporcionam, esta troca – se não de afeto – mas de nossa própria história, isso só entre os humanos. Há os amigos que somem. Desaparecem de nossa vida, por maior que tenha sido a amizade e o carinho durante certo período. Normal. Nós mudamos. As pessoas mudam. E neste ciclo tudo se renova, até mesmo as amizades.

Nesta renovação precisamos estar abertos para deixar entrar aqueles de personalidade distinta da nossa e que possam agregar esta diferença ao nosso aprendizado na vida: respeito, compreensão. Deixar entrar pessoas de gerações diferentes, que tragam a leveza do novo ou a lembrança de tempos que não conhecemos. Que nos contem histórias de seus iguais e nos ensinem o que se passa em suas mentes ou, ao contrário, como pensavam ‘os antigos’. Mas, uma vida sem amigos é uma vida amarga. Não precisamos de, como diz o rei, “um milhão de amigos”. Ele cantava que queria ter um milhão de amigos.

Que tenhamos apenas um. Sim, aquele amigo com o qual podemos contar nas horas boas e amargas, e para sermos recíprocos quando o amigo assim o desejar. Amizade é via de mão dupla. Porém, temos que ter cuidado também. Em tempos de amigos virtuais as pessoas estão confundindo muito amizade-aceitação com amizade-laço. Muitos dos ditos amigos virtuais são pessoas que na vida real não convidaríamos nem para um cafezinho na padaria da esquina, quanto mais para contar com ele.

Por outro lado, estas mesmas plataformas virtuais que apresentam estes amigoscolegas desconhecidos possibilitam reencontros maravilhosos. Amizades que por motivos diversos acabaram esmaecidas no decorrer do tempo por mudanças de bairro, cidade ou país, desencontro de vidas. Amigos que podem se reencontrar e deixar florescer novamente os sentimentos até então empoeirados dentro do coração. Já que a ciência comprova que ter amigos prolonga nossa expectativa de vida, permitamo-nos cultivar amizades fortes e duradouras. Sejamos sinceros e honestos para com nossos sentimentos e principalmente para com os sentimentos dos outros.

Permitamos que este amigo encontre em nós o refúgio que precisa também. E, sejam bem-vindos, Patrícias, Déboras, Beatrizes, Marias, Joãos, Carlos, Pedros e tantos outros de amizades novas ou resgatadas.

Giana Benatto Ferreira é advogada, membro da Comissão do Direito do Idoso da OABMT

Os artigos assinados são de responsabilidade do autor, não apresentando, portanto, a opinião do site ReporterMT.











COMENTÁRIOS

Preencha o formulário e seja o primeiro a comentar esta notícia

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do Repórter MT. Clique aqui para denunciar um comentário.


Confira também nesta seção:

TV REPÓRTER

INFORME PUBLICITÁRIO