31.03.2020 | 08h38


OPINIÃO / ROSANA LEITE

Todas e todos

De uns tempos para cá os cumprimentos nas falas em público vem mudando gradativamente

De uns tempos para cá os cumprimentos nas falas em público vem mudando gradativamente. Porque a necessidade de contemplar o gênero feminino? Antigamente se perfazia em normalidade não lembrar ou mencionar sobre elas.        

Quantos filhos vocês possuem? Como estão os seus pais? Onde seus primos moram? Bom dia a todos! Cada um no seu lugar. Os homens são animais racionais. Vamos orar meus irmãos      

Nossa! Pelas mensagens acima, diga-se de passagem, ainda aceitas por alguns e algumas, fomos criadas, criados, educadas e educados. Falava-se apenas em sexo: masculino e feminino. E, ao se referir a número não determinado de pessoas, na verdade, computávamos três sexos: o feminino, o masculino e o neutro (masculino também). 

Apesar de o gênero feminino ter se firmado em algumas situações da sociedade, eram elas chamadas de eles. Ora, pensavam: as mulheres não se ofendem e nem se importam em serem tratadas com adjetivos masculinos. Pensavam assim. E assim pensaram por muito tempo. E tem pessoas que teimam em não se encaixar nos parâmetros da linguagem de gênero.

 
 

Ao analisar as variadas orientações sexuais descritas na atualidade, nem de longe conseguiremos chegar a todas as nomenclaturas. Não é taxativo, ou seja, não se esgota em linguagem.

Algo de importante conseguimos trazer para a realidade: o respeito. Cumprimentar uma plateia pequena ou grande como se fossem neutros (no masculino) é não respeitar a toda e qualquer forma de agir e pensar. É deixar o Estado Democrático de Direito, ao qual somos adeptas e adeptos, como folha de papel sem importância na Constituição Federal. É deixar de respeitar a Dignidade da Pessoa Humana, princípio tão caro para que a vida possa ser mais justa, e leve também.      

As crianças devem, e muito, ensinar os adultos e adultas da atualidade. Tempos atrás, meu filho que ainda é criança, avistou uma pessoa na rua e me perguntou se era mulher ou homem. A minha resposta foi a seguinte: “Filho, essa pessoa é o que ela deseja ser. Não nos cabe tentar descobrir algo que não deve nos interessar.”    

É... De fato... A ninguém interessa a orientação sexual de quem quer que seja. Qual a importância em se descobrir como determinado Ser Humano se relaciona sexualmente, ou, se não deseja qualquer relacionamento amoroso?       

Um famoso ator da televisão brasileira foi questionado sobre a sua sexualidade. A resposta dele foi que a sua sexualidade não cabe em uma gaveta. Outro respondeu que um dia pode se interessar sexualmente por mulheres, e em outra ocasião por homens. Em que esses questionamentos e respostas mudarão a forma como essas pessoas devem ser vistas socialmente?        

Renato Russo, poeta do rock nacional, foi enfático: “E eu gosto de meninos e meninas...”. Pepeu Gomes foi autor de música muito cantada na década de 80: “Ser um homem feminino/ Não fere o meu lado masculino/ Se Deus é menina e menino/ Sou masculino e feminino.” Esses interpretes e autores de lindas melodias marcaram época.

Começou-se a pensar, com as cantorias, o que verdadeiramente interessa. Será que a sexualidade deve marcar indelevelmente os Seres Humanos?        

Perguntar para as pessoas em qual gênero querem ser tratadas é respeito necessário. E se não há possibilidade de perguntar a cada qual, se dirigir aos interlocutores e interlocutoras em linguagem de gênero é primordial. E compreender que o gênero, seja qual for, merece tratamento equânime.       

Zelita Seabra e Malvina Muszkat, no livro “Identidade Feminina”, em 1985, concluíram sabiamente: “O rompimento dos laços parentais não será tão violento e não terá repercussões tão graves no desenvolvimento. Poderá haver amor fora da simbiose; e discriminação fora da unilateralidade. Não se trata aqui de exaltar a utopia das igualdades, mas a possibilidade da coexistência para além das diferenças.”         

Rosana Leite Antunes de Barros é defensora pública estadual.

 

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