08.03.2012 | 14h52


OPINIÃO / ENILDES CORRÊA

Susheela – Uma mulher de coração bonito



Susheela nasceu na Índia e seu nome em sânscrito, a língua mais antiga da Índia, significa “mulher de coração bonito; aquela que possui as qualidades de uma mulher perfeita, nascida dotada de beleza física, emocional e espiritual”. Conheci essa linda e amada anciã em Poona, cidade onde morava, através de sua filha, a Mestra Kusum Modak, que criou o conceituado método terapêutico corporal Yoga Massagem Ayurvédica Tradicional.

Esse metódo, o qual uniu Ayurveda e alongamentos do Yoga tem ajudado milhares de pessoas no mundo todo. Tornou-se famoso pela sua eficácia, transcendeu as fronteiras do corpo e também da Índia e obteve reconhecimento internacional. Vi Kusum trabalhar inúmeras vezes em atendimentos individuais e em seus cursos e emocionei-me profundamente por sentir a forte presença do divino nas suas mãos, nos seus pés, no seu Ser (em Yoga Massagem Ayurvédica usam-se os pés para dar mais pressão ao corpo). Depois que conheci e convivi um pouco mais com Susheela, reconheci em Kusum a força e a beleza da sagrada herança de sua mãe.

Em 2003, ao retornar à Índia mais uma vez para ampliar os meus conhecimentos de Ayurvédica e Yoga, entre outras coisas, tive uma grande e constrangedora surpresa. Ao rever os meus amigos indianos, parecia que o tempo havia passado só para mim e parou para eles. Boquiaberta, perguntava-me: como aquilo era possível? Que fenômeno era aquele que fazia com que as pessoas envelhecessem muito mais lentamente do que por aqui? É certo que a massagem, a prática de Yoga com os pranayamas (práticas respiratórias) e meditação rejuvenescem, porém havia algo mais. Será que o tempo no Oriente fluía em uma dimensão diferente? Afinal, lá, o ritmo de tudo é bastante singular. Ou seria o tipo de alimentação indiana, basicamente vegetariana e temperada pelas suas famosas iguarias? Comecei a me fazer essas e outras perguntas.

Ao rever Susheela Modak, fiquei ainda mais intrigada. Achei-a mais jovem e mais bonita. Seu rosto, de expressão serena e firme, irradiava vida através de seus olhos brilhantes e tranquilos. Olhando e sentindo a sua harmoniosa presença, constatei que ela vivia em paz, de bem consigo e com o seu entorno. Estou certa de que esse é o segredo maior do elixir da juventude e da verdadeira beleza: viver de bem com a vida e total entrega nas mãos da Existência. Era visível que Susheela e a sua filha Kusum viviam em estado de harmonia.

Susheela fazia jus ao significado do seu nome – aos 93 anos, continuava bonita. Conservou o corpo forte e flexível e expressava uma beleza além da forma e do tempo. Uma das coisas que gostava de fazer era cozinhar – para ela, era um momento de meditação e este seu fazer uma oferenda a Deus. Ao observá-la movimentar-se na sua casa, achei incrível sua destreza! Não resisti à vontade de fotografá-la e lhe pedi permissão para isso.

Naquela casa do outro lado do mundo, tão distante da minha terra natal, senti-me parte daquela amorosa família indiana pela maneira extremamente carinhosa e acolhedora como mãe e filha me recebiam. Estar com elas naquela intimidade familiar dava-me a sensação de estar dentro de um útero de amor, o útero da Grande Mãe. Em cada visita que fiz àquele abençoado lar, fui envolvida num overflowing de amor, que teve uma força de cura muito especial em mim. No fim, o amor é a nossa maior necessidade. Tive a bênção de orar e meditar junto com mãe e filha, nas quais reconheço e reverencio a presença do divino.

E, na celebração do Dia Internacional da Mulher, presto minha homenagem a todas as mulheres, em especial àquelas que, como Susheela – uma mulher de coração bonito –, exalam a fragrância do amor e da harmonia em suas existências, missão maior na vida de todo ser humano.

Essa fragrância acompanhará Susheela por onde ela passar, esteja na forma ou na não-forma. Susheela Modak fez sua travessia para a Eternidade em 2004, aos 93 anos, porém alguém como essa linda e adorável anciã indiana permanecerá sempre presente nos corações de todos aqueles que tiveram a oportunidade de conhecê-la e de se encantar com ela, como esta cuiabana.

 

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