29.02.2012 | 08h34


JOÃO NEGRAO

Sou bi ou não sou bi, eis a questão



Não sou. Fora de questão. A questão aqui é refletir sobre as loucuras que os fundamentalistas evangélicos querem fazer no mundo em geral e aqui em Brasília, em particular.

Pois os malucos agora se lançam à batalha para transformar em lei, ou decreto legislativo, a possibilidade de curar homossexuais. Rebelam-se contra o Conselho Federal de Psicologia (CFP), instituição com histórico de lutas contra as insanidades dos fundamentalistas e de outros extremistas no espectro da direita nacional. Vide a mídia monopolista que insiste em escravizar mentes e corações dos brasileiros.

Esses fundamentalistas são tão insanos que não conseguem enxergar um palmo diante de seus narizes. Minha conclusão é que são uns infelizes sexualmente. Sem falar em outras infelicidades que cometem dentro de suas denominações (leia-se domínios) e no Congresso Nacional. Os caras agora dão para exorcizar gays em busca de uma cura para este “transtorno”, coisa do “demo”. A meu modo de ver, eles querem mesmo é exorcizar suas sanhas sexuais mal resolvidas.

De vez em quando aparecem no meu correio eletrônico e em redes sociais alguns desses insanos usando um argumento pseudocientífico para combater a relação homoafetiva. Os malucos fazem um exercício - mais que isto, empreendem um verdadeiro contorcionismo – para explicar a função do ânus e do reto e desaconselhar a introdução do pênis ali naquele lugar. Como se a homoafetividade se resumisse em atos “ativos e passivos”. Santa ignorância!

Abre parêntese. Lembro de conversas descontraídas com amigos e amigas evangélicas sobre sexo. Eles gostam de dizer que “entre quatro paredes vale tudo, desde que seja com a pessoa amada e que o relacionamento seja abençoado por Deus”. Não peço para que teçam detalhes, mas me reservo ao direito de ficar imaginando (sem fantasiar, por favor!) que tipo de sexo eles praticariam entre quatro paredes. Mas esta é outra história. Só a citei para que pudéssemos fazer uma reflexão. Fica a critério de cada um. Fecha.

Voltando. Pois os malucos fundamentalistas ou são ignorantes ou desnutridos sexualmente – as duas coisas. Assim, mal saberiam eles que uma relação afetiva qualquer, seja ela, hétero ou homo, requer mais que copular. É mais que introduzir o pênis, dedo, língua ou qualquer outro adereço de sexy shop num orifício qualquer, seja ânus ou vagina.

Tenho pena dos caras. Eles gostam de propagar que o pênis só pode ser introduzido na vagina. Não vou ensinar nada para eles. Se quiserem que orem muito a Deus para descobrirem. Mas, como bom observador que sou da alma humana, vou dar apenas uma dica: o que a mulher em geral menos gosta numa relação é de pênis, meus amigos. Elas querem algo que seja muito mais do que serem introduzidas por nossos falos. Talvez isto explique o fato de tanta mulher gostando cada vez mais de mulher.

Parêntese novamente. Interessante como os pastores têm um alvo preferencial nesta cruzada deles contra a homoafetividade: somente os homens. Pouca notícia se tem das investidas contra as lésbicas. Talvez pelo fato de que a última que se sabe que foi curada tenha renegado a cura e fundado uma igreja evangélica homoafetiva. Pode?! Au-dá-cia! Os malucos fundamentalistas devem pirar no cabeção com esta história. Fecha.

Retornando. Então, elas, as mulheres, meus caros doidos (com todo respeito aos doidos), gostam de carinho, de cumplicidade, de companheirismo. Da mesma forma como qualquer ser humano, qualquer animal, qualquer mamífero. Inclusive feras, como leões.

Novo parêntese. Aliás, meus caros, fundamentalistas malucos, você sabiam que no reino animal tem muito homossexualismo? É, tem sim! Inclusive entre os leões. Então, sugiro a vocês, que se forem machos de verdade, experimentem exorcizar a homossexualidade desses felinos! Afinal, são criaturas de Deus também, né? Não vale dizer que não tem almas. Fecha.

De volta. Tenho vários amigos evangélicos, inclusive três que trabalham comigo aqui na redação da revista.

Conversando com eles, felizmente percebo que essas maluquices desses pastores evangélicos fundamentalistas são muito mais restritas ao âmbito de seus cérebros insanos, de gente que se considera acima de todas as verdades. A maioria dos evangélicos não carrega em seus corações tanto ódio, tanta ignorância e tanta intolerância. Espero que continue assim.

Mas eu fico imaginando o futuro dos pirados fundamentalistas. Como em outros momentos da História da Humanidade tivemos retrocessos graves, não se pode afastar a possibilidade de, numa convulsão neste mundo em que os antagonismos se acirram, esses caras acabarem tomando o poder.

Se isto não ocorrer - que é o mais provável - eles vão ter que engolir (se os estudiosos estiverem certos) a predominância do que estão chamando de o “terceiro sexo”, a bissexualidade.

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