18.03.2020 | 07h48


OPINIÃO / ROSANA LEITE

Sororidade sempre

O feminismo não tem qualquer possibilidade de estar à disposição do descanso

Tem sido maravilhoso ver e presenciar a forma que o gênero feminino está se tratando. É perceptível entre elas, na atualidade, certa forma muito mais amistosa e corajosa de agir umas em prol das outras. Na verdade, as mulheres tem atuado em vigilância constante.

Antigamente, quando o patriarcalismo atingia a todas e todos indistintamente, a “normalidade” fazia crer nos machismos naturais. Piadas e brincadeiras as depreciavam, e nada era capaz de mudar aquelas situações.

Programas de televisão, principalmente humorísticos, bem como, os comerciais, sempre faziam das mulheres objetos à disposição da satisfação dos desejos masculinos. Em família e entre amigos e amigas se falavam da mulher ser menos capaz que eles. Aceitou-se, por décadas, que elas não seriam capazes de enfrentar trabalhos fora de casa, como os homens, e, ainda, de passar por situações que eles estavam acostumados.  

Todas e todas foram complacentes em dizer que roupas e jeitos da mulher pudessem fazer com que os homens ficassem sedentos em as assediar e violentar sexualmente.

As meninas foram ensinadas, desde a primeira infância, a sentar com as pernas fachadas e com “modos” adequados a não exibirem as partes íntimas. Nossa! Até as pequeninas tinham que se “adequar” às loucuras machistas vistas e revistas socialmente. E as idosas? Sim, elas também. Sequer a idade podia exarar o respeito merecido como todo e qualquer Ser Humano.

O ouvido outrora é que elas deveriam fazer o possível para agradar ao gênero masculino. Mulheres devem nascer e crescer para servir, principalmente, aos homens. Não lhes davam muitas opções. Mesmo que algumas começassem a agir com liberdade e independência, a realidade da maioria era diversa.

E aquelas que não seguissem os trâmites do que socialmente se perfazia no “normal”, acabavam estigmatizadas. “Mulher macho” diziam a elas, quando os adjetivos não eram piores. Ou então, essa não consegue se “enquadrar” no seu devido lugar.

As mulheres e muitos homens, passaram a rejeitar essa forma de viver. Compreendeu-se que as discriminações geravam e geram violências difíceis de contornar. Quando alguém se sente superior, não deseja perder essa pretensa superioridade em nenhum instante.

Houve um florescimento do gênero feminino em 2015, ano conhecido como “Primavera das Mulheres”. Aconteceu a demonstração veemente de que os preconceitos machucam o gênero feminino. Aliás, elas sempre foram feridas.

Tem sido lindo o movimento de umas em prol das outras! O sentimento de solidariedade, conhecido por sororidade, tem as feito muito mais fortes. A reação é a esperança em não se aceitar menosprezos.

Férias? Finais de semana? Feriados? Não, nada. O feminismo não tem qualquer possibilidade de estar à disposição do descanso. A vigília tem movido o gênero feminino. Os diversos segmentos feministas se uniram finalmente. O feminismo não visa apenas as mulheres, mas, sim, o gênero feminino.  Todas são abarcadas indistintamente.

Mulheres, todas em uma... A violência contra qualquer delas será sentida por todas... Não haverá descanso, enquanto não houver respeito!

Rosana Leite Antunes de Barros é defensora pública estadual.

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