24.02.2020 | 11h10


OPINIÃO / SUELME EVANGELISTA

Senado, corrida de 100 metros!

O desafio nessa eleição atípica e fria será o de transformar os seguidores em compartilhadores que transferem conteúdos para o WhatsApp

Tradicionalmente as eleições de senador é uma corrida de longa distância de 800 metros onde o político possui  uma carreira cheia de cargos e vitórias eleitorais.

 As eleições de 2018 provou que a longa experiência na carreira política nem sempre é determinante para a vitória, prova disso é que houve uma renovação de 82% dos cargos, 20 senadores de fato foram rostos novos no legislativo federal e nove  foram eleitos pela primeira vez na vida.

Pelos números acima, o eleitor entende que há necessidade de se ter uma certa experiencia, mas não está fechado a renovação radical, prova disso foi a eleição da Juíza Selma em 2018. A cabeça do eleitor tem mudado e o tempo de experiência encurtou.

No atletismo quem consegue vencer a corrida de 100 metros nos mundiais é considerado o “homem mais rápido do mundo” e nas eleições suplementares de Senado a corrida será encurtada.

Corrida rápida eleitoral, campanha e propaganda de TV onde o candidato que tiver algum recall de imagem, em tese, sairá na frente ou terá mais chances de competir pois não haverá tempo pra se comunicar de maneira eficiente para os novatos como nas eleições passadas.

Recall é quando o eleitor se lembra mais facilmente do nome de determinado candidato no dia da eleição, sem precisar de uma massificação pesada na mídia. Em marketing, pesquisa eleitoral espontânea sempre será mais significativa na análise de cenário do que a estimulada, pois é a voz do coração. Nesse caso, quem disputou em 2018 e obteve um bom desempenho eleitoral (tendo vencido ou não) tem boas possibilidades em relação aos demais. Outra variável importante a ser considerada nas análises de competitvidade dos candidatos é o grau de rejeição, porque se em 6 meses de campanha geralmente não se consegue reverter uma situação de rejeição de um candidato, muito menos em apenas 40 dias 18/03 a 264, numa eleição avulsa e extemporânea.

Pela resolução do TRE-MT o tempo de televisão será de 10 minutos diários, composto de 5 minutos por bloco exibidos nas segundas, quartas e sextas feiras divididos entre todos os candidatos de acordo com a legislação vigente. Serão pífios 13 programas eleitorais de 23/03 a 23/04. Nessa regra todos os partidos terão no mínimo 1 minuto dividido em dois programas (30+30´) e o restante do tempo definido pelo tamanho dos partidos coligados. Nas minhas contas, essa eleição caminha pra ter 10 candidatos no páreo, isso dará uma média de 30´ a 1min, por candidato/bloco fixo na programação diárias, além das nserções diárias na programação geral de 14 minutos distribuídos entre os partidos, cada uma de 30 ou 60 segundos. Essa propaganda tem geralmente maior eficiência, pois pega o telespectador desprevenido que acaba assistindo.

Rede social pode ajudar bastante, mas só funcionará para quem já tem muitos seguidores orgânicos, não dará muito tempo para fidelizar novos seguidores. Bolsonaro, Barbudo e demais fenômenos eleitorais que usaram a rede social além de impulsionarem as postagens tinham pelo menos 4 anos trabalhando engajamento. Há que se considerar que depois das eleições de 2018 o WhatsApp restringiu o número de mensagem que era ilimitado e agora é de no máximo 5 por assinante, impedindo o uso de robôs.

Seguir e engajar na política é algo muito difícil e são duas coisas distintas e separam o influencer que ajuda a decidir o voto e o curioso que te segue. Com base na última eleição, políticos mais traficionais tem maior dificuldade de engajar nas redes.

Para aumentar o alcance tem que ter conteúdo de qualidade, feedback com usuário, impulsionamento e cuidado com a justiça que estará de olho nesses investimentos.

O desafio nessa eleição atípica e fria será o de transformar os seguidores em compartilhadores que transferem conteúdos para o WhatsApp e mobilizam pessoas na rede. Já que não terá tempo pra chegar as ruas, as campanhas serão excessivamente digitais ou a distância.

Bons conteúdos de impacto, bons “personagens”, boas histórias de vida contadas com dramaticidade, sem o rótulo explícito de política terao muito mais importância do que numa eleição convencional.

Numa rápida análise nas páginas dos principais candidatos apresentados, quem larga na frente é José Medeiros com 265 mil seguido por Pedro Taques 158 mil, Nelson Barbudo 143 mil, Elizeu 44 mil, Leitão 35 mil, Favaro 23 mil, Piveta 18 mil, Júlio 997 e Gisela com 4.264.

Como não teve pré-campanhas e não haverá muito tempo para percorrer o gigantesco estado pra fazer reuniões, arrastões e mobilizações, restará apenas entrevistas em rádios, TVS, sites de notícias dos municípios e as redes sociais. Um candidato bem disposto e com um avião a disposição no máximo conseguirá visitar as 40 maiores cidades pra dar um acenozinho rápido e partir.

Como o descrédito com a classe política continua na moda, dificilmente a militância ou o eleitor se motivará para fazer campanhas nas ruas sem os famosos “contratinhos”. Os candidatos senadores não terão “pernas” pra chegar no eleitor, deputados estaduais e federais estarão nos seus respectivos mandatos trabalhando e o governador só poderá fazer campanha depois das 18 horas. Uma identificação prévia de possíveis coordenadores municipais de campanha ou apoiadores nessa fase ajudará muito lá na frente, além de adiantar os layouts da campanha, jingle, roteiros e arte final. Mas com os cuidados de não caracterizar campanha extemporânea e pagar o preço que a juíza Selma pagou pela precipitação.

Pelo visto essa campanha será fria e distante, vai faltar gasolina pra o eleitor votar, não consigo vê-lo saindo de casa em pleno domingo pra encarar uma fila de votação e dar apenas um voto.

Os candidatos com muito dinheiro, se não organizar com antecedência uma rede de apoios na ponta e motivá-la não conseguirá a tempo financiar suas campanhas nos municípios ou correrão muitos riscos de cometerem ilegalidades. A fiscalização do judiciário estará mais atenta do que nunca, pois se nas eleições 2018 o aparato judicial cuidava de 500 candidatos, agora terá que cuidar de no máximo 10. Muito arriscado derramar dinheiro por dentro ou por fora em caixa 2, pois há o risco grande de ganhar e não levar, como aconteceu com a Juiza Selma.

Se a eleição fosse casada com a dos prefeitos seria muito mais fácil essa organização das campanhas nos municípios, mas como não serão, impactarão nas conjunturas locais apenas das maiores cidades, como Rondonópolis, Sinop, Várzea Grande e Cuiabá. Será muito difícil envolver e embalar a campanha nos 141 municípios sem chapa de deputados estaduais e federais. Nessa conjuntura a escolha dos suplentes representando regiões distintas eleitoralmente passa a ser estratégico.

Os partidos com bom número de diretórios municipais e prefeitos também podem ser um diferencial nessa conjuntura, sem julgamentos sobre fidelidade dos filiados que quase nunca existem no Brasil, a situação é a seguinte: o PSDB tem  38 prefeitos, PSD 24, PDT com 06 e o DEM 7 as demais siglas não possuem prefeitos, apenas vereadores.

Pra agravar a situação de desanimo dessas eleições, mais de 350 mil mato-grossenses, pelo menos, não fizeram o cadastro biométrico que se encerrou no dia 22 de fevereiro e tem ainda o feriado da semana santa no meio do caminho, diminuindo o tempo físico das campanhas.

Desmotivação pra votar, campanhas sem interiorização e envolvimento nos municípios, descrédito da classe política, tempo de televisão exíguo, recadastramento eleitoral e feriados causarão uma grande abstenção. Nas minhas contas considerando 20% dos votos válidos para se eleger um senador, o candidato que alcançar entre 160 a 200 mil votos belisca a vaga.

Os candidatos em 2018 tiveram 30 dias para prestação de contas nessa eleição suplementar terá 5 dias.

Nessa corrida de velocistas a explosão da largada, como no atletismo; a construção de propostas de choque direto, com tiros curtos causadores de adesões imediatas; comunicação bem planejada e a performance, carisma do candidato poderá definir o vitorioso que cruzará a linha de chegada.

 

Suelme Evangelista é Suelme Evangelista é historiador e servidor público. 

Os artigos assinados são de responsabilidade do autor, não apresentando, portanto, a opinião do site ReporterMT.











COMENTÁRIOS

Preencha o formulário e seja o primeiro a comentar esta notícia

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do Repórter MT. Clique aqui para denunciar um comentário.

TV REPÓRTER

Enquete

QUARENTENA

Você é a favor de parar tudo ou só isolar grupo de risco?

Sim, parar tudo é a melhor solução para conter o vírus

Não, parada total é suicídio econômico; será o caos pior que a doença

  • Parcial

INFORME PUBLICITÁRIO