07.04.2012 | 08h25


GABRIEL NOVIS NEVES

Romário disparou



Quando o Baixinho encerrou a sua carreira de futebol, após marcar mil gols, e anunciou a sua decisão de seguir a carreira política como deputado federal, eu interpretei esta vontade como mais uma do Romário.

Cheguei a comentar com amigos que seria mais um deputado de mandato único.

Errei completamente, para o bem do povo brasileiro. Em um ano de mandato ele mostrou que não seria mais um, e sim, um parlamentar comprometido com as causas populares.

“Não topa a companhia da maioria dos seus colegas” e, no momento, vive a glória do efeito Ricardo Teixeira, então presidente “imexível” do comando do futebol brasileiro.

Romário está onde todo político gostaria de frequentar: as páginas amarelas da revista “Veja”.

Fala com uma sinceridade não habitual entre os seus colegas profissionais. Aprendeu nos campos de futebol a ser contestador - tão diferente da submissão dos aprendizes dos subterrâneos do poder!

Transcrevo a seguir trechos de sua declaração à revista “Veja”:

“Evito frequentar os mesmos lugares que os políticos em Brasília. Na verdade fujo deles. Não é por nada, não, mas com exceção de um ou outro, prefiro esbarrar com essa turma só mesmo nos corredores do Congresso.”

“De mais de quinhentos deputados, uns quatrocentos, não querem saber de nada. Nada mesmo. Dão as caras, colocam a digital para marcar presença e se mandam. Vejo isso o tempo todo.”

“Virou cena tão comum que ninguém demonstra um pingo de constrangimento em fazer o teatro. Muita gente ocupa cargo de líder, é tratado como autoridade, está no quarto ou quinto mandato e nunca propôs nem uma emendazinha. Como pode?”

O Baixinho continua um grande artilheiro no Congresso Nacional, que precisava mesmo de um craque audacioso para dizer aquilo que o Tiririca prometeu contar e, até agora, não teve coragem, talvez pelos escândalos do seu “P(N)R”.

Diz ainda o Baixinho: “Todo mundo acha que no alto clero está a nata da nata. Pois o que mais tem no andar de cima é gente no ócio, quando não está metido em pilantragem.”

Romário teve a coragem de fazer uma verdadeira autópsia do Congresso Nacional, fato inédito para um político profissional que só sabe praticar o toma lá dá cá.

Fico pensando no ambiente de hostilidade que o deputado do Rio enfrenta no seu ambiente de trabalho.

Sobre a Copa do Mundo, o campeão mundial não tem ilusões. Prevê a maior corrupção nas obras dos puxadinhos e atalhos.

Romário conclui que a presidente da República está sendo vítima dos chantagistas do Congresso, que só pensam em seus negócios – e que não são de interesses nacionais.

Acho que o Congresso ficou nu com essa entrevista do famoso deputado federal.

*Gabriel Novis Neves é médico em Cuiabá

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