20.11.2019 | 09h20


WILSON FUAH

RACISMO EXISTE

Não se apaga um crime com desculpa de mal entendido

Dia 20 de novembro, é o dia de todos nós negros, é o dia da Consciência Negra, e que todas as comunidades negras, possa reunir e debater, dar entrevistas e manifestar, e que tenha o sentido humano de reforçar a luta contra todas as forma de exclusão e subordinação dos negros.

É importante que todos saibam que esse país foi construído com a força e o suor dos negros, então é o mínimo que exigimos que nos respeitem e saibam pelo menos um pouco da história escravocrata deste país, por isso, estamos lutando até hoje ocupar o nosso lugar de destaque, temos que lutar em busca de espaço para que possamos demonstrar os nossos talentos e especialidades, sem pedir nada a ninguém, nós temos o nosso espaço na triste história deste país, e agora vamos lutar para estarmos na construção da história do futuro do Brasil, pois ninguém é melhor que ninguém, tenham certeza que somos todos iguais.

Durante três séculos, entre 1550 e 1888, o Brasil foi um país escravocrata, e por aqui chegaram milhões de negros africanos, capturados em suas cidades e trazidos à força para trabalhar na agricultura, foram realidades tristes que os nossos antepassados tiveram que enfrentar, pois eram transportados nos porões dos navios negreiros, passando fome e acorrentados, passavam por grandes sofrimentos físicos, e aqueles que chegavam vivos, eram comercializados, como se fossem objetos e o sofrimento não parava por aí, pois passaram o resto das suas vidas em condições sub-humanas, vivendo do resto e das sobras da alimentação onde viviam para trabalhar até morrer.

É triste ver e sentir que ainda tenhamos que discutir o racismo, pois ele manifesta-se de forma cotidiana

O racismo continua até hoje, e disfarçado acontece todos os dias e se não houver denúncias, tudo fica como um “mal entendido” ou uma simples brincadeira, mas os negros recebem até hoje as ofensas disfarçam e muitas vezes, têm seus direitos barrados na disputa por uma vaga na luta pela sobrevivência, porque, não são escolhidos pelo seu talento e especialidades, mas são dispensados pela cor da sua pele, e muitos que sofreram esse racismo disfarçado, sabem o quanto dói essa discriminação racial, por isso, deve registrar o Boletim de Ocorrência e dar entrada como denúncia no Ministério Público, para que esse crime deixe de existir no país, existe a Lei de Nº 7.716, DE 5 DE JANEIRO DE 1989, que Define os crimes resultantes de preconceito de Raça ou de Cor. PUBLICIDADE Dizer “piadinhas” e dizer “ditados” como forma de deboche contra os negros, é a pior forma de prática o racismo desfardado no Brasil, isso também é crime e deve ser punido na forma da lei, crime de racismo dá cadeia. Não se apaga um crime com desculpas e alegação de "mal-entendido".

É preciso que ações duras sejam tomadas para que essas atitudes "nojentas" sejam abolidas dos meios sociais. Infelizmente, os fatos vergonhosos continuam a acontecer, porque as negros ofendidos, não reunem provas para recorrer judicialmente, só assim, esses atos vergonhosos um dia deixarão de existir neste país, onde os negros são julgados por olhares e ações desfardas.

Apesar de alguns negros talentosos se destacarem: no futebol, na música, no teatro e na cultura em geral, tenha certeza que não foi fácil, mas a sua especialidade e o seu brilho individual o fez ser respeitado e visto como um ser especial, e a sua cor ficou em segundo plano.

Por isso, temos que lutar e não se abater, pois haverá um dia onde todos nós, negros e misturados, e que formamos a maioria da população brasileira, possamos ser verdadeiramente aceitos por todos, infelizmente, ainda hoje as desigualdades são gritantes e o racismo é exercido na mais diferentes ações. É triste ver e sentir que ainda tenhamos que discutir o racismo, pois ele manifesta-se de forma cotidiana e impede que os negros possam participar e usufruir do desenvolvimento da sociedade de forma plural e democrática.

 

WILSON CARLOS FUÁH é economista, especialista em Recursos Humanos e Relações Sociais e Políticas.

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