10.12.2012 | 09h40


OPINIÃO / TÂNIA NARA MELO

Quem ama, não mata



Quem ama, não mata. Ou mata? Pelo menos não deveria, jamais. A dura realidade das estatísticas nos mostra que em muitos casos ‘quem ama, mata’. Não se mata por amor, é verdade; mata-se, sim, por vingança, machismo, ciúmes e outros motivos torpes que não se enquadram como amor. E as vítimas são em sua maioria esmagadora as mulheres e os agressores são maridos, namorados, companheiros.

Assim como no restante do país, Mato Grosso também apresenta índice elevado de violência contras as mulheres. Levantamento feito pelos órgãos de segurança revelam o registro de mais de 24 mil casos no ano passado; este ano ainda não há números fechados, mas os dados mostram o assassinato de 20 mulheres na Grande Cuiabá, quase todas vítimas de parceiros inconformados com o fim de seus relacionamentos. Quem ama, mata!

O histórico das mulheres vítimas da violência doméstica tem na maior parte das vezes algo em comum: uma rotina de maus-tratos e humilhações praticada por seus agressores, que muitas relevam por acreditar que são fatos passageiros, e outras não denunciam por temor às suas vidas.

O que começa com uma simples discussão vai se intensificando até culminar com a agressão fatal, principalmente quando a vítima resolve abandonar o agressor que não admite que ela se liberte do cativeiro, da vida de pesadelo. É o machismo arraigado que predomina, o sentimento de posse que dá direito sobre a vida do outro. Depois da vida ceifada, justifica: matou por amor.

A impunidade ainda é um grande obstáculo a ser vencido no combate à violência contra as mulheres. Embora a Lei Maria da Penha, promulgada há seis anos, seja de grande ajuda para melhorar o índice de denúncias - desde que foi criada, cada vez mais as mulheres estão denunciando seus agressores buscando por justiça - ainda assim parece haver uma barreira que impede um avanço maior para penalizar aqueles que cometem este tipo de violência.

O Judiciário ainda processa os casos com muita lentidão e há também muito machismo e preconceito entre delegados e juízes, que tendem a classificar a violência contra a mulher como um assunto de foro íntimo, relegado a um segundo plano diante de outras questões.

Precisamos mudar esse quadro com urgência, fazer valer a lei contra os agressores. O número de assassinatos de mulheres no país ainda é alto e isso mostra que a impunidade continua prevalecendo. É preciso mudar essa cultura machista, que faz com que sociedade encare a vítima como culpada, como se merecesse ser agredida. Quem ama definitivamente não mata, não maltrata. E mais: bater em mulher é crime.

TÂNIA NARA MELO é editora de Opinião do jornal Diário de Cuiabá.

Os artigos assinados são de responsabilidade do autor, não apresentando, portanto, a opinião do site ReporterMT.











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