18.01.2013 | 07h38


OPINIÃO / LOUREMBERGUE ALVES

Qualidade e estilo



Todo político procura trabalhar, e bem, a sua própria imagem. Recorre, inclusive, aos especialistas, e estes o orientam como fazer para tirar o melhor proveito das situações políticas. Não foi diferente com a senhora Dilma Rousseff que, antes de adentrar-se no cenário propriamente dito, procurou ensaiar os passos necessários, conduzida pelas mãos do Senhor Lula da Silva.

Sempre apresentada como “a mãe do PAC”, cuja saudação vinha acompanhada de “mulher forte”, “durona” e alheia ao “jeitinho” e as “barganhas”. Predicados que, juntos e entrelaçados, formam o perfil da então presidente do país. Perfil que, aliás, oxigena os índices de sua popularidade. Tanto que, volta e meia, aparece alguém a dizer que a viu dar broncas espetaculares em seus ministros, quando não passa por cima deles para lidar direto com o segundo e o terceiro escalão.

Este retrato, por outro lado, acentua sobremaneira o caráter personalista na administração pública, quase como uma extensão do jogo político, que igualmente se acha personalizado. A ponto, por exemplo, de fazer com que os partidos também continuem personalizados.

O que reduz, contudo, todas as siglas ao papel cartorial. Pois seus líderes chegam a ser maiores que elas. Estas sempre ficam a sombra deles. Exceto quando as tais figuras se vêem envolvidas em falcatruas, as quais respigam também fortemente nas agremiações, que se vêem em maus lençóis, a exemplo do PT com o mensalão.
Imagens foram desconstruídas com a condenação de vinte e cinco dos quarenta mensaleiros. Discursos foram desfeitos e parte da estampa fotográfica de um governo, o passado, ficou manchada, sem maquiagem e desfigurada.

Situação que, em momento algum, foi comentada pela presidente do país. Ela procurou, e o fez muito bem, seguindo orientação, se afastar literalmente do julgamento que se dava no STF. Até porque nada tinha a ver com isso. O que reforçou a sua própria imagem. Uma imagem de alguém menos conivente com a corrupção. Pois demitiu mais ou menos rapidamente ministros denunciados pela imprensa.

Atitude aplaudida pelos brasileiros, e divulgada a exaustão pelos meios de comunicação, até sob o título de faxina, que se esperava estender na política econômica. Mas isso não aconteceu. Por isso o país não cresce o desejado, uma vez que a indústria se encontra estagnada, com a redução de investimento e com a produção declinante de bens de capital.

Até a faxina propriamente dita, bem pouco tempo tão badalada, foi um tanto acanhada. Pode ser questionada, e deve sê-la. Sobretudo quando se depara, em uma dada página do Diário Oficial da União, que a senhora Rosemary Nóvoa de Noronha, chefe de gabinete da Presidência em São Paulo, pega em um forte escândalo, foi exonerada a pedido. Trata-se, portanto, de uma saída triunfal, “com volta” depois que a “poeira baixar”.

Pois, para quem não sabe, faz muita diferença ser exonerada a pedido e ser exonerada a bem do serviço público.
Situação que coloca em xeque toda a imagem da presidente Dilma de “durona”, avessa ao “jeitinho” e a “barganha”. Mas, como diria certo missivista, em recente contanto com esta coluna, “vale bem mais o que é produzido pelo marketing a respeito do gestor”, o que é massivamente publicado sobre suas possíveis qualidades, “não a sua verdadeira imagem”.


LOUREMBERGUE ALVES é cientista político
lou.alves@uol.com.br.
 

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