08.12.2012 | 07h52


OPINIÃO / GABRIEL NOVIS NEVES

Primeiros sinais

“A nossa resignação diante da repetição dessa crueldade explícita nos primeiros sinais de uma festa comercial é um suicídio coletivo.”



Observo que alguns edifícios da cidade, ainda que discretamente, já apresentam sinais que indicam que o ano está terminando.


Poucas sacadas de apartamentos exibem a decoração natalina característica – cordão com pequenas lâmpadas de cores diferentes.


Caminhando pela cidade um ou outro Papai Noel já se faz presente.


Gostaria de saber o sentido cultural do Natal, que para os católicos é o nascimento do filho de Deus, com as tais lâmpadas coloridas.


Alguns cordões mais sofisticados ficam o tempo todo com as lâmpadas piscando para quebrar a monotonia da imobilidade colorida.


Há pouco tempo um arretado administrador da nossa cultura oficial teve a ideia de encapar o mais belo prédio de Cuiabá com os cordões de lâmpadas, em uma imitação grosseira àquela feita em Curitiba - no prédio central do falecido Banco Bamerindus.


Acho que a evolução do embelezamento da cidade neste período de festas de final de ano ou estão muito atrasadas ou a decoração da cidade será tão pobre como a manjedoura onde Cristo nasceu.


Se eu pudesse decoraria a minha cidade colocando em prática todos os programas festejados este ano como conquistas sociais, e que terminaram na festança da inauguração.


O mais importante deles foi o recém-falecido programa de Consultório da Rua, onde equipes multidisciplinares iriam cuidar da população cada vez maior dos moradores de rua, na sua maioria dependente químico.


Seria uma bela demonstração de fé e solidariedade humana se em vez de cobrir com lâmpadas coloridas o majestoso Palácio da Instrução ou enrolassem lâmpadas em algumas árvores em pontos de grande visibilidade na cidade, investíssemos para, pelo menos, minorar o sofrimento de adultos e crianças vítimas da doença do século – as drogas.


Seria um sonho utilizar o helicóptero - que durante alguns anos trazia o Papai Noel para distribuir balas para as crianças pobres - para retirar das ruas as pessoas marcadas pelo abandono, à espera somente do momento do seu desaparecimento precoce, vitimadas pela lei do comércio das drogas.


“A nossa resignação diante da repetição dessa crueldade explícita nos primeiros sinais de uma festa comercial é um suicídio coletivo.” (Honoré de Balsac)

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