22.12.2011 | 23h43


ADILSON ROSA

Obra (inacreditável) do PT



A Comissão de Finanças e Tributação (CFT) da Câmara dos Deputados aprovou, no último dia 23 de novembro, parecer do deputado José Guimarães (PT-CE), que estabelece o INPC/IBGE como único índice de reajuste anual do Piso Salarial Nacional do Magistério.

Isso significa que, de 22% de reajuste, cairá para 6%. O que chama a atenção é que se trata de um deputado do Partido dos Trabalhadores, que historicamente sempre defendeu a educação. Foi esse partido que, em 1989, na primeira vez de Lula, defendeu com unhas e dentes a educação pública.

Foi naquele debate que o próprio Lula disse que "com a educação pública de qualidade, não precisaremos mais de escolas particulares". Assim que colocou a faixa presidencial, o próprio Lula conseguiu avanços - mesmo que modestos - para a educação pública. Mas isso já é passado. Faz parte da história porque a realidade hoje é outra, muito pior.

É triste, profundamente deprimente imaginar como um partido muda dessa forma. Era a única esperança, em se tratando de educação pública. Esse mesmo partido que criou há três anos o próprio piso nacional e que alguns governadores foram a Suprema Corte reclamar. E levaram tábua porque os ministros do Supremo deram tapa com luva de pelica nesses governadores reclamões.

Pelo parecer do deputado que é de um partido que não defende mais a educação, não haverá reajuste real para professores. Ninguém mais valorizou a educação do que o próprio PT. Se ele mesmo hoje tem aversão à educação pública, então está decretada a morte dela.

E era a única esperança porque mesmo governando com diversos partidos o PT se impunha na defesa da escola pública, mas isso já não existe mais. É tão inacreditável, que nem um deputado do DEM ou PSDB tomaria frente num parecer desses. Porque eles têm história e tradição. Não mudam assim tão de repente. São mais estáveis, o que não acontece com a situação que surpreende a cada dia. E de forma negativa.

Se o Brasil patinar como potência, caro leitor, pode ter certeza de que a atual política educacional - como esse parecer - será responsável pela queda do Brasil. Infelizmente, não há mobilização suficiente para reverter o quadro, pois ainda é incompreensível por parte dos brasileiros que o alicerce da educação deve começar agora. E pelo jeito, está caindo e vai virar ruínas! 

ADILSON ROSA é professor e repórter do jornal Diário de Cuiabá.

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(1) COMENTÁRIOS

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Valdecarlos Santos  21.12.11 16h12
A educação e principalmente o professor vai ser sempre desvalorizada, porque a criação de dementes, analfabetos funcionais e ignorantes é que alimenta a máquina podre do governo. Se a educação melhorar, o povo terá condição de saber ler , filtrar informações e ai escolher melhor os governantes.

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