24.03.2020 | 10h03


OPINIÃO / MARCELO ABRITTA

O transporte coletivo rodoviário como vetor da COVID-19

Desde o início do ano o avanço do novo Coronavírus pelo mundo acendeu a luz amarela dentro da Buser, a maior plataforma brasileira de intermediação de viagens rodoviárias por fretamento do país. Enquanto o noticiário brasileiro centrava seu foco nos riscos da eventual chegada da doença no carnaval, acompanhávamos o movimento de empresas com operação semelhante à nossa na Europa.

Certos de que mais cedo ou mais tarde perceberíamos algum impacto em nossa operação, que até hoje crescia cerca de 30% ao mês, passamos a monitorar com lupa o movimento que, pela nossa experiência, cresceria de maneira agressiva até o carnaval e depois retornaria ao seu patamar normal.

Nossos gráficos confirmaram nossa expectativa. Porém, se do ponto de vista econômico essa análise seria satisfatória para nós, um dado nos pareceu preocupante. Mesmo com o início dos relatos de casos de COVID-19 já em transmissão comunitária, nosso volume de reservas não parecia ser impactado. Mais do que isso, percebemos um significativo aumento na busca de viagens após o alastramento da pandemia, em especial para trechos das capitais para o interior.

Decidimos tomar uma decisão drástica e interromper totalmente nossas atividades ao perceber que a continuidade do transporte coletivo rodoviário poderia colocar em risco uma quantidade gigantesca de pessoas. A Buser possui cerca de uma centena de empresas de ônibus parceiras, que oferecem seus serviços por meio da plataforma.

Temos também mais de 2 milhões de usuários cadastrados e transportamos cerca de 180 mil passageiros ao mês, atendendo mais de 200 cidades. São mais de 1.000 motoristas realizando viagens de forma mais ou menos frequente. Todo esse conjunto de pessoas atuaria como potenciais vetores da COVID-19, num movimento crescente das grandes capitais para o interior.

A Buser criou um plano operacional para auxiliar todos os seus parceiros de negócios até a retomada das operações. Mesmo ciente do profundo impacto que a atual crise impõe ao setor de transportes, a empresa não fará qualquer pedido de auxílio que envolva recursos públicos.

Como protagonistas do setor, alertamos para a necessidade de que medidas semelhantes à da Buser sejam tomadas pelos órgãos responsáveis. É muito importante que, a exemplo do que vem sendo feito hoje na Europa, as empresas que atuam no setor de transporte rodoviário compreendam que são sim um ponto de disseminação da doença e que uma efetiva e drástica redução nas viagens deve implementada. É fundamental transportar profissionais da área de saúde, mas ao mesmo tempo resguardar as comunidades ao máximo. Para isso, todos precisam parar.

É notório que o pior ainda está por vir, mas é possível abreviar e reduzir o impacto da contaminação tomando medidas severas de imediato. Só assim poderemos ter esperança em uma retomada de atividades com segurança para os passageiros e prosperidade para as empresas.

*Marcelo Abritta é cofundador e CEO da Buser

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