14.07.2020 | 09h56


OPINIÃO / HUGO PAGOTTO

O Sonho de Jogar Futebol

Qual a extensão do prejuízo causado pelo Novo Coronavírus aos jovens atletas

Notadamente o Brasil é o país do futebol, que, ao menos como conta a história oficial, começou a ser praticado no país em 1894 por intermédio de Charles Milller, sendo posteriormente difundido até se tornar hoje a paixão nacional. 

Desde então, o Brasil se tornou referência mundial em revelar novos talentos em campo, impulsionado por ídolos como Pelé, Zico, Romário, Ronaldo, Kaká e tantos outros que praticaram e praticam o futebol arte. 

A escolha por esse sonho, começa muito cedo, normalmente por referências em casa, na escola e na mídia, tão logo incentivado pelos pais, que a partir dos 5 anos de idade muitos inserem os filhos e filhas nos treinos de futebol. 

Um grande problema que muitas vezes surge logo no início é que os próprios pais, acreditando ser um incentivo, “enchem muito a bola” do próprio filho muito cedo, o que além de fazer se sentir um craque precocemente, cria uma pressão psicológica pelo sucesso em uma criança, que ainda não tem maturidade suficiente para definir se quer aquilo de fato como seu futuro. 

O amor, a paixão a emoção de jogar futebol deve ser despertada pelo próprio jogador, costumo sempre falar para os pais de jovens atletas que a função do pai é crucial na carreira do jogador, pois pode levar ao sucesso ou ao fracasso no projeto/sonho. 

Da fase inicial, até o chegado momento de ser avaliado por um time de futebol, muitas coisas acontecem na formação do atleta, essa fase é chamada de maturação esportiva e, ela deve ser respeitada, pois não adianta encaminhar um jovem que não está pronto para uma avaliação, ou irá apenas sentir o amargo gosto da frustação em ser reprovado em um teste. 

Na 065 BS, buscamos acompanhar jovens atletas desde cedo, auxiliando os pais, acompanhando os trabalhos, dando acompanhamento psicológico quando necessário, preparando o atleta para o momento certo, sem queimar etapas na evolução física e mental. 

O futebol é uma profissão e, como toda profissão exige uma preparação mesclada de estudos e prática, encarando que não basta ter talento, aliás, muitas vezes o talento pode ser adquirido com o trabalho certo. 

Costumo dizer em reuniões, palestras e cursos para pais de jovens jogadores que o jogador de futebol entra na universidade muito cedo, pois, desde o momento que ele começa a aprender a profissão, ele está se graduando naquela área e o mercado de trabalho é amplo e muito concorrido, cheio de adversários. 

Assim, no atual momento que vivemos, nos deparamos com um novo adversário, o Sars-CoV-2, popularmente chamado COVID-19, que surgiu no final de 2019 e tornou- 

se uma pandemia em 2020, retirando de jovens que correm contra o tempo UM ano de preparo. 

A exigência dos times de futebol por grandes jogadores é sentida no passo-a-passo da formação de um atleta, que precisa aprender desde cedo a controlar suas emoções, seja para não se achar craque muito cedo, seja para aprender a levantar a cabeça após uma frustação. 

Imagina então, para muitos jovens que já haviam passado por diversas fases, muitos já aprovados em testes de clubes de futebol, evoluindo ainda mais nas categorias de base de um time profissional e, ser dispensado, de repente, por conta de uma incerteza do momento, quanto ao futuro e não sobre o talento, mas sobre a própria possibilidade de haver futebol ou não. 

Somente quem vive no futebol e acompanha diariamente esses atletas sabe o tamanho da dor que um jovem nessa situação sente e, infelizmente para muitos deles a dor criará cicatrizes profundas. 

A Confederação Brasileira de Futebol – CBF, vem informando que deve promover algumas mudanças em formas de divisão de categorias de base, essa informação vem como um sopro de esperança para muitos jovens que estavam na popular hora do “vai ou racha”. 

Assim, em um campo de totais incertezas, só podemos acreditar em UMA possibilidade, após essa pandemia, a realidade do futebol irá mudar, realidade salarial, transmissão dos jogos, categorias de base, dentre outros fatores. 

Não é o fim do mundo, mas precisamos estar preparados e atentos para as formas de agir daqui para frente e continuar trabalhando com seriedade, comprometimento e determinação, pois, se já era difícil realizar o sonho de se tornar jogador de futebol, a certeza que temos é que ao menos nos próximos 2 anos essa dificuldade será ainda maior. 

Torcemos para que a dificuldade vire motivação para melhorar ainda mais e realizar o sonho de ser um atleta profissional do futebol e, além do sucesso, trabalhar com aquilo que AMA e leva alegria para pessoas de todas as classes sociais. 

 

Hugo Pagotto é sócio-diretor da 065 BS, advogado especialista em direito desportivo e capacitado em gestão esportiva e intermediação de atletas de futebol.

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(3) COMENTÁRIOS

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Luz Mel  14.07.20 16h54
Ja passou foi da hora desse covid acabar

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Marcio Souza  14.07.20 16h30
essa empresa é de mato grosso?

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Lukas  14.07.20 12h45
Falou bonito É legal ve que ainda tem gente que trabalha e acredita no futebol mais infelizmente é a minoria um monte é só sanguessuga

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