21.06.2019 | 08h12


MARCELO PORTOCARRERO

O que temos aqui?

Senadores acabam de votar contra o desejo da maioria da população do país

Afinal o que temos aqui, um Executivo sem proposta, um Legislativo sem resposta ou um judiciário sem juízo?

É complicado fazer esta pergunta quando 47 senadores acabam de votar contra o desejo da maioria da população do país expresso em plebiscito, até porque isso vem confirmar que os egos daqueles senhores e senhoras são maiores que a importância que dão às pessoas que os elegeram.

Sim, porque assim demonstraram não se importar se todos(as), exceto eles(as) próprios(as) e seus familiares, poderão ser vítimas dos deficientes sistemas de segurança ao continuarem expostas a sofrer as consequências de políticos que de um lado dificultam a melhoria da eficiência das polícias e do outro eliminam a possibilidade de autoproteção dos indivíduos. Esquecem que mesmo seus caríssimos aparatos de segurança parlamentar não conseguirão estar em todos os lugares ao mesmo tempo.

A verdade é que o Executivo está sim disposto a trabalhar, já do Legislativo e do Judiciário não podemos dizer a mesma coisa porque estão ocupados a procura de formas para impedir o governo de avançar sem que sejam responsabilizados por isso.

No fundo estão demonstrando receio de um Executivo cada vez mais forte caso consiga implementar suas propostas nos prazos a que se dispôs. É por isso que fazem de tudo para colocar barreiras na intenção de frear ou mesmo impedir a tramitação das propostas enviadas para exame e aprovação.

Fica impossível, até ridículo tentar justificar tal postura uma vez que desde o início do ano estão “analisando” propostas do governo ao mesmo tempo em que insistem no discurso de que é o governo quem não tem propostas. Lá estão a reforma da previdência, o decreto de ampliação do porte de armas (este que senadores acabam de votar contrariando o plebiscito de 2005), a reforma da educação, a tributária, as propostas de mudanças na área de saúde, de segurança e todos os demais projetos e medidas provisórias apresentadas pelo Executivo.

Quer um exemplo? Basta lembrar que a equipe de governo trabalhou meses, talvez anos, para estudar e propor um novo sistema previdenciário aí os ilustres deputados reúnem meia dúzia de “experts” a seus serviços e em poucos dias transformam a proposta do governo em um substitutivo com a única e exclusiva intenção de dizer que a proposta aprovada será a sua. Como se isso fosse a coisa mais importante para a solução da crisa na previdência, razão porque não se importam se ao afinal serão parte do problema ou de sua solução.

Assim, como visto anteriormente, quando permitem o lento caminhar dos assuntos o fazem através de substitutivos. É o que é um substitutivo senão o resultado da desconstrução e reconstrução com outras digitais de uma mesma proposta, só que desta vez com as inserções dos penduricalhos de sempre e para beneficiar alguém ou alguns dos seus interesses.

O povo está sem respostas do Executivo porque os outros dois pés do tripé estão tentando colocá-lo de joelhos. Parecem não saber que o desequilíbrio poderá derrubar o país e não só o governo.

MARCELO AUGUSTO PORTOCARRERO é engenheiro civil.

Os artigos assinados são de responsabilidade do autor, não apresentando, portanto, a opinião do site ReporterMT.











COMENTÁRIOS

Preencha o formulário e seja o primeiro a comentar esta notícia

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do Repórter MT. Clique aqui para denunciar um comentário.


Confira também nesta seção:
22.07.19 08h30 »  Trilhos e futuro
22.07.19 08h27 »  PEC 108
22.07.19 08h24 »  O fracasso do grande golpe
22.07.19 08h15 »  O VAR veio para ficar
21.07.19 07h55 »  Os perfis de emprego
21.07.19 07h55 »  Um ano da Academia de Arquitetos e Urbanistas!
21.07.19 07h55 »  Processo de pejotização
21.07.19 07h55 »  Cadê a esquerda?
20.07.19 07h55 »  Suas antenas captam o longínquo
20.07.19 07h55 »  Energia Solar e o anseio por arrecadar

INFORME PUBLICITÁRIO

TV REPÓRTER