26.04.2019 | 08h12


SÉRGIO CINTRA

O imponderável na redação da Unemat

Sem critérios específicos e objetivos fica quase impossível detectar o que pretende a banca da Covest

Para ser objetivo, reproduzo parte do Edital do vestibular Unemat 2019/2: “A banca de correção da Prova de Redação analisará se o texto desenvolvido pelo candidato atende às proposições solicitadas e o grau de domínio demonstrado em relação às seguintes competências: a) Competência I: Domínio da modalidade escrita formal da língua portuguesa. b) Competência II: Articulação entre as capacidades de leitura e escrita. c) Competência III: Capacidade de estabelecer relação entre o propósito da prova e a coletânea de textos fornecida. d) Competência IV: Capacidade para sugerir possíveis soluções para a temática em discussão na prova”. 

A Unemat é uma das duas universidades públicas de nosso Estado. Temos ainda, mesmo sem ser universidade, o IFMT. No último 12 de março, a universidade estadual publicou o referido edital. O que se pretende aqui é promover, a partir desta missiva, uma discussão envolvendo as partes interessadas no assunto: sociedade mato-grossense e Unemat, sobre o quão é esclarecedor e transparente os critérios para a correção da redação dessa prova. 

Para tanto, informo que a nota máxima na redação é de dez pontos; porém, como é a distribuição desses dez pontos? Seriam dois pontos e meio por competência? Quais os níveis gradativos desses pontos em cada competência? Especificamente na competência II, qual o referencial teórico para essa “articulação...”? E na competência III, conseguiria interpretar, com clareza, “estabelecer relação entre o propósito da prova e a coletânea de textos fornecida”?

Se você, estudante ou professor, não conseguiu responder aos questionamentos anteriores; saiba, isso não é um privilégio seu. Antes, sem referências bibliográficas e sem critérios específicos e objetivos fica quase impossível detectar o que pretende a banca da Covest/Unemat. Faz tempo, desde o advento do Enem, que os processos seletivos nas universidades brasileiras deixaram de ser um quebra-cabeça para se transformarem em manuais esclarecedores e bastante didáticos; infelizmente, essa assertiva ainda não está contemplada por nossa universidade estadual. 

Faltam pouco mais de 40 dias para o vestibular da Unemat e, além de critérios envoltos em névoas na redação, foi reduzido o número de questões de 44 para 35 (com que objetivo?); ademais, a demora na divulgação da relação de obras literárias exigidas – depois, a exclusão da única obra de autora mato-grossense; em seguida, após muitos protestos, a inclusão de outra obra teluriana, agora da imortal Luciene Carvalho – esse edital parece um apressado “control c – control v” de pedaços de editais ou, quando muito, uma paráfrase eivada de imperfeições e muitos “silenciamentos”.

Quando o Professor Dr. Elias Alves de Andrade era o responsável pelo vestibular da UFMT, tinha como prática convidar professores para discutirmos os vestibulares – tanto na forma quanto no conteúdo – isso, com certeza, conferiu à CEVE, órgão responsável por aqueles concursos,  excelência e transparência únicas. Covest! Unemat! Até quando estarão encasteladas em torres de marfim, sentadas em tronos nababescos, de costas para milhares de mato-grossenses e brasileiros que sonham com uma de suas faculdades? Magnífico Reitor, Prof. Dr. Rodrigo Bruno Zanin, por favor, não deixe que a máxima da ficção italiana, de Giuseppe Tomasi di Lampedusa (1896 – 1957), em  Il gattopardo (O Leopardo), torne-se realidade: “tudo deve mudar para que tudo fique como está”.

SÉRGIO CINTRA é professor de Redação e Linguagens em Cuiabá e Rondonópolis.

 

 

 

 

 

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