alexametrics
03.12.2011 | 08h50


OPINIÃO / LEANDRO NASCIMENTO

O estado que eu quero!



Lutamos sim pela redivisão do Estado de Mato por acreditarmos que ele não está sendo enxergado pelos comandantes deste tão grande território, que mais parece um país de tão grande, mas tão esquecido em alguns aspectos.

Acredito que é preciso ver nosso Estado de forma regionalizada, ter programas de desenvolvimento onde, junto com obras estruturantes, como asfalto e com programas de incentivos, conforme vocação econômica. É preciso conhecer, de fato, as carências regionais e criar programas a partir do ser humano, elencar prioridades desde a concepção de uma vida na barriga de uma mãe, construir condição básica para acesso ao pré-natal, à educação infantil, uma educação onde na primeira série já esteja alfabetizado. Faculdades regionalizadas e cursos profissionalizantes, programas sociais onde o objetivo seja evoluir as pessoas com conhecimento, capacitando para o mercado de trabalho.

Não é mais admissível, em pleno século 21, ver pessoas trafegarem em estrada de terra, percorrendo quinhentos quilômetros ou mais, para ter acesso a um raios-x, ou um simples engessamento num braço quebrado. Não admito ver Mato Grosso continuar importando de outros estados mais de 90% do hortifrutigranjeiro. Quero comer alface, tomate, banana, laranja e outras coisas produzidas em meu Estado.

Não admito mais milhares de pequenos e médios produtores não têm presença de Governo para o incentivo de produção dos alimentos que consumimos todos os dias.

Um grande produtor tem acesso a financiamentos com juros de até 5% ao ano, com valores que resolvem em 100% seu plantio, enquanto o pequeno tem dificuldades de garantias para emprestar cinco mil reais, valor que não atende sua necessidade, e quando se busca valores mais altos os juros são impraticáveis, chegando a 20% ao ano.

Na mesma toada é com comercio, que para conseguir um empréstimo passa por uma burocracia incomum, enquanto temos juros de 4% para aquisição de máquinas e capital de giro para a indústria, uma sorveteria, uma padaria, uma loja de roupas, um mercado, os juros chegam a 20%.

Para viabilizar basta incentivar e dar condições aos pequenos e médios já instalados em cada município, como por exemplo, o setor florestal, principalmente o setor madeireiro que é extremamente sacrificado e perseguido pelos Governos, porém é um dos setores que mais contribuem com impostos e geração de emprego. O empresário do setor da madeira é o mais fiscalizado do Estado, hoje, por todas as estruturas, mas também é o que mantém a economia de inúmeras cidades, assim como o setor de minério.

Nosso Estado precisa de um governo saia da posição de algoz e se vestir verdadeiramente de Governo (que cuida de gente), pois é possível ter programas ecologicamente correto e economicamente viável, pois se existe uma desoneração para a soja, que para se plantar é necessário desmatar, porque não há incentivo para esses setores. A maioria são os pequenos, na cidade ou no campo, por isso o próximo Governo, Estadual e Federal, tem que ler as constituições e entendê-las bem, que cuidar de gente protegendo o meio ambiente é a premissa para cumprimento do papel de um governante. Fazer cada ação a partir do ser humano, não ao contrário, o produto não pode ser mais importante que gente, um caminhão de soja não pode ser mais importante que um ônibus lotado de gente. É possível fazer sim!

O Estado que eu quero tem que ter governantes que teme a Deus e cuide do seu povo, dando oportunidades não esmola, ou simples migalhas que caem da mesa dos ricos. É óbvio que falta vontade e ação de Governo. Apenas como um de inúmeros exemplos que poderíamos citar não só em um artigo, mas a revista toda, a cidade de Confresa, no Norte Araguaia, onde existe um dos maiores assentamentos do Brasil com 06 mil famílias assentadas, o consumo de alimento em quase cem por cento é trazido de Goiás.

Ainda em Confresa tem um frigorífico inativo, que foi construído com incentivo de dinheiro público onde só a prefeitura investiu de recursos próprios, quase dois milhões sonhando com a geração de emprego.

Não podemos deixar continuar aumentando a distância entre um Estado rico e um povo pobre. É preciso atitudes simples e objetivas para a soma de uma terra tão fértil com o trabalho de seu povo, tendo riqueza para todos, não apenas para alguns e para o Governo. Por isso é hora de Dividir para Crescer, pois até hoje, nós aqui no interior sofremos para pagar algumas contas que não são nossas, o Estado do Araguaia tem que nascer do sonho e da vontade popular, pois na democracia a voz da maioria é LEI.

*Leandro Nascimento é jornalista no Norte Araguaia, presidente da comissão Dividir para Crescer, escreve semanalmente para o Blog Prosa e Política  e editor chefe do site BBnews

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